Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Brasil: um país em disputa

Por Camilo Árabe

15 de outubro de 2014 : 15h26

jair-bolsonaro-racista


Por Carlos Tautz

Calma, que o Brasil ainda é nosso e o buraco é mais embaixo. Votações expressivas de figuras da direita racista e homofóbica e campanhas preconceituosas por todas as mídias infelizmente não são novidade. Tem sido assim década após década e, mal ou bem, a sociedade vem reagindo, apesar da larga interrupção democrática provocada pelo golpe das elites empresariais e militares em 64. O Brasil sempre foi um País em disputa e, como tudo mostra, continuará a sê-lo.

Se hoje Bolsonaro recebe quase 500 mil votos e arrota o desejo de se tornar presidente da República, ao mesmo tempo Jean Wyllys consegue quase 150 mil votos e Freixo é o deputado estadual mais votado do País, com 350 mil votos. Mas, para se ter a exata dimensão dessa disputa, faz se necessário enquadra-la historicamente.

Hoje, Bolsonaro tem um discurso de ódio reverberado pela teclagem fácil nas mídias ditas sociais. Porém, Wyllys e Freixo, para ficar só em exemplos do Rio – pressionam forte no sentido inverso. Pautam com firmeza na sociedade a defesa dos direitos humanos e o avanço nos valores sociais – como os direitos LGBT – como condição prévia a qualquer modelo econômico. Cada um puxa para o seu lado, a luta segue e o tempo não pára.

O importante é observar que aqui e acolá na história se criam caricaturas políticas do calibre de Bolsonaro, cujo objetivo sub-reptício é, em verdade, avalizar um padrão de acumulação extremamente concentrador e verdadeiro gerador de todas as violações de direitos.

No passado, aqui no Rio, já se teve Sivuca e Amaral Neto, O Repórter. Filhotes da ditadura, defendiam que “bandido bom é bandido morto” e a legalização da pena de morte. Sivuca não sei que fim levou, mas aquele proto jornalista que ganhou programa em horário nobre, financiado pelos governos da ditadura, conseguiu apenas eleger-se deputado federal pela Arena. Em troca, ganhou da sociedade o apelido de Amoral Nato e deixou legado pobre quando morreu. Sua voz, deslegitimada pelo avanço do valor moral de que direitos humanos são inegociáveis, foi enterrada com seu corpo.

O que precisa ficar claro é o pano de fundo histórico em que toda essa disputa se dá. Como muito lucidamente escreveu em sua página no FB a professora Isabel Lustosa, a quem peço licença para reproduzir: “1954, 1964 e 2014 estão ligados pela mesma agenda. Que as crises que levaram ao suicídio de Vargas e ao golpe de 64 tiveram, com variações, os mesmos ingredientes que a atual: a questão do Petróleo; o aumento do salário mínimo; a possibilidade de taxação das grandes fortunas; os interesses dos grandes proprietários de terras e grileiros; os movimentos sociais… Lembrando que o papel dos grandes grupos de comunicação também foi o mesmo que está sendo agora. É uma luta histórica que se repete”.

Aí está um ponto central de nossa encruzilhada democrática: as corporações de mídia assumem mais uma vez o protagonismo do atraso, como há décadas vêm fazendo na América Latina. Concebem e operam uma fina estratégia de deslegitimação de tudo que é minimamente antissistêmico e o fazem com uma sordidez, competência, arrogância e força que assusta à primeira vista. Mas, que, analisada com algum distanciamento, só comprova que é necessário coragem e capacidade de mudar de vez essa questão – algo que o PT no governo teve por mais de uma vez a chance de fazer, mas que se omitiu covardemente em nome de uma tal de governabilidade, termo que se presta a qualquer uso.

A regulação das concessões de comunicação se comprova, assim, mais uma vez, ser o nó górdio de nossa democracia que volta e meia é colocada em xeque, quase sempre com motivações internacionais. Necessita, portanto, ganhar absoluta centralidade em qualquer reforma política – tanto quanto o financiamento público de campanha e a revogabilidade dos mandatos. Em isso acontecendo, cacarecos como Bolsonaros perderão força e poderemos com mais facilidade abrir a cortina de fumaça que esconde algo muito pior.

Mudanças profundas nesse quadro podem ser duríssimas.

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22 comentários

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Almir

15 de outubro de 2014 às 21h48

É esse o país que você quer de volta?
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/10/aecio-afirma-nao-era-irregular-ele.html

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marco

15 de outubro de 2014 às 21h42

O Bolsonaro tem todas as características daquele sujeito que deveria sair do armário!

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André Luiz Silveira

15 de outubro de 2014 às 22h45

Jean Willis escória da nação. …deveria ir para Cuba e levar a anta Dilma. ..lixos

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revenger

15 de outubro de 2014 às 17h46

Que FgagaC, que Lulla que nada! O verdadeiro pai do Bolsa Família é Aério!
Tem familiar que não acaba mais em Minas!

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Messias Franca de Macedo

15 de outubro de 2014 às 17h28

“Good Bye, ‘Never’!”…

################

Denúncias

A lista dos parentes de Aécio que estavam no governo em 2006

publicado em 15 de outubro de 2014 às 10:09

(…)

FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/07/aecio-usa-lei-para-contratar-parentes-no-governo-de-mg-6376.html

ou aqui:

ohttp://www.viomundo.com.br/denuncias/lista-dos-parentes-de-aecio-que-estavam-governo-em-2006.html

… LÁ VEM O MATUTO QUE PARECE ACREDITAR EM DETERMINADAS ‘LENDAS’!

NOTA: se ‘o candidato da DIREITONA’ fosse minimamente sério, reconheceria, publicamente: “Peço desculpas ao povo brasileiro! Cometi uma falha grave ao mentir! O desatino de mentir faz parte da natureza humana! Contudo, na condição de postulante ao cargo máximo da hierarquia Constitucional nacional, infringir num patamar insustentável! Portanto, comunico que renuncio à disputa presidencial! E que a honrada presidente Dilma Vana Rousseff vença por W.O.!”

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    Messias Franca de Macedo

    15 de outubro de 2014 às 18h43

    errata desprezível: … infringi num patamar insustentável!…

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cvilela

15 de outubro de 2014 às 17h23

Não sou homofóbico, mas a causa gay, travada como ideologia de vida é a maior responsável pelo aumento expressivo da bancada conserv a dora destas últimas eleições .

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    IGOR OLIVEIRA

    16 de outubro de 2014 às 15h52

    Não sou racista , mas a causa negra, travada como ideologia de vida é a maior responsável pelo aumento expressivo da bancada conserva dora destas últimas eleições .( alguém no século passado )

    entendeu agora o porquê!
    todas as causas humanas devem ser travadas como ideologia de vida

    Responder

Odilo Almeida Filho

15 de outubro de 2014 às 20h00

Dilma13

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Nelia

15 de outubro de 2014 às 16h49

O movimento Plebscito Constituinte pela reforma política conseguiu angariar 7,5 milhões de assinaturas. Não está na hora de um movimento pela regulação da mídia acontecer da mesma forma, angariando assinaturas e suscitando a discussão desse tema importantíssimo para a democracia?

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    Camilo Árabe

    15 de outubro de 2014 às 17h21

    Com certeza e isso já acontece, Neila.
    O problema é que a regulação da mídia vai acabar com uma série de privilégios de alguns grupos no Brasil e por isso é difícil avançar.
    Mas, com os movimentos sociais e na luta pelo fortalecimento da democracia, isso inevitavelmente vai acontecer!
    Um abraço!

    Responder

    José Carlos Vieira Filho

    15 de outubro de 2014 às 17h38

    Entre no sítio: http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/

    Responder

Helio

15 de outubro de 2014 às 16h45

Ótimo texto,

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Zé Gabriel

15 de outubro de 2014 às 19h14

Pelo menos a militância acordou! Aqui não! #Dilma13

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Marcos Cardoso Silveira

15 de outubro de 2014 às 18h56

Uma coisa posso dizer: Não fomos nós nordestinos pobres, desinformados e burros quem elegemos o Bolsonaro, o Feliciano, o Serra e o Alkimin, mesmo porque temos nossas bombas para votar como Sarney Filho, Collor de Melo e entre outras culpas nossas, por outro lado nos livramos de Gastão Vieira e da única oligarquia no poder a do Sarney, na Bahia fecharam a porta, na última hora para o retorno da oligarquia do DEM, comamdada por ACM o Neto e seu marionete Paulo Souto!

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    Vitor

    15 de outubro de 2014 às 17h22

    O Brasil vota mal como um todo… Não importa região, classe social, cor de pele, religião… É só olhar para a composição Congresso que representa a população, para não ter dúvidas…

    A “Lei ficha limpa” deveria chamar “Lei por favor, não exagerem na cagada, esses não”.

    Responder

Iasmin Moris

15 de outubro de 2014 às 18h39

Dilma 13

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José Geraldo Silva Prates

15 de outubro de 2014 às 18h36

Dilma 13

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C.Paoliello

15 de outubro de 2014 às 15h35

Sei que estou repetitivo, mas se o PSDB voltasse ao poder seu candidato seria para o Brasil o que Boris Yeltsin foi para a Rússia, ou seja, um mero joguete nas mãos dos EUA.

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Margareth Zanella

15 de outubro de 2014 às 18h30

Dilma13!

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Márcia Cristina Hungerbühler

15 de outubro de 2014 às 18h27

#DILMA13

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