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Ministros da Fazenda, Joaquim Levy (à esquerda), e do Planejamento, Nelson Barbosa, no Palácio do Planalto. 31/8/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

Governo ajusta contas pra obter R$ 65 bilhões em 2016

Por Miguel do Rosário

14 de setembro de 2015 : 19h43

O governo anunciou hoje uma série de medidas para acertar as contas públicas do ano que vem. Eu reproduzo abaixo matéria da Reuters.

Enntre cortes e (pequenos) aumentos de impostos, o governo já descobriu de onde tirar R$ 65 bilhões para cobrir o déficit e pagar o superávit primário de 2016.

O Cafezinho apoia medidas que visem reerguer a economia brasileira, e festeja a ideia de uma nova CPMF, ainda a ser debatida pelo congresso, e de uma tributação progressiva, que cobre dos mais ricos.

Na verdade, nunca fomos exatamente contra o ajuste fiscal. O que tem de ser feito, tem de ser feito. O que nos chama a atenção é a falta de criatividade do governo para produzir uma agenda paralela à do ajuste fiscal, para produzir uma agenda positiva!

O Dialoga é uma boa ideia, mas enquanto o governo não oferecer uma medida que gere emprego, renda, aos cidadãos, que estimule o empreendedorismo, que melhore e reduza o custo dos serviços de internet, enquanto o governo não participar, com mais galhardia, com mais independência, dessa grande ágora pública proporcionada pela rede, enquanto não oferecer projetos de curto, médio e longo prazo para nosso desenvolvimento, enquatno não fizer tudo isso, não estará fazendo muita diferença.

Não adianta mais traçar planos de cima para baixo. Tem de construir soluções juntamente com a sociedade, chamá-la para monitorar. A própria corrupção seria muito mais difícil se houvesse mais comunicação, mais transparência, mais participação nos projetos do governo.

É ingenuidade, quase estupidez, tentar conquistar apenas a mídia, através do anúncio de medidas conservadoras. É preciso conquistar a população, porque é nela que o governo encontrará suporte, coragem e criatividade para seguir em frente.

***

Na Reuters Brasil.

Governo anuncia medidas fiscais de R$64,9 bi para 2016, com volta da CPMF

segunda-feira, 14 de setembro de 2015 19:05

(Foto: Ministros da Fazenda, Joaquim Levy (à esquerda), e do Planejamento, Nelson Barbosa, no Palácio do Planalto. Crédito: 31/8/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino.)

BRASÍLIA (Reuters) – O governo federal anunciou nesta segunda-feira medidas fiscais de 64,9 bilhões de reais para buscar superávit primário em 2016 e resgatar a credibilidade após o Brasil ter perdido o selo internacional de bom pagador, mas com ações que ainda dependem da aprovação do Congresso Nacional.

São nove medidas de redução de custos e outras de aumento de receitas, que envolvem a recriação da CPMF (imposto sobre operações financeiras) e aumento da alíquota do Imposto de Renda de pessoa física sobre ganhos de capital.

“Vivemos momento difícil e temos que ajustar muitas coisas”, afirmou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a jornalistas. “Conseguimos cortar gastos garantindo que o Estado cumpra suas obrigações”, acrescentou.

O governo quer recriar a CPMF com alíquota de 0,20 por cento, com redução de IOF, com estimativa de arrecadar 32 bilhões de reais em 2016. Já o aumento do IR, segundo o ministro, terá 4 alíquotas, que vão de 15 a 30 por cento, esta para ganhos de capital acima de 20 milhões de reais.

“Volta da CPMF é caminho com menor impacto inflacionário e mais distribuído na sociedade”, afirmou o ministro. Levy disse ainda que o objetivo do governo é que a CPMF não dure mais de quatro anos.

Do lado do corte de despesas, está o adiamento do reajuste dos servidores públicos, que garantirá economia de 7 bilhões de reais no próximo ano, segundo informou o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que também participa do anúncio das medidas fiscais. A proposta do governo era, até então, de aumento salarial de 5,5 por cento em 2016.

O governo também não poupou programas sociais, ao reduzir gastos de 4,8 bilhões de reais no Minha Casa Minha Vida. Segundo Barbosa, para que não haja comprometimento com a execução do programa, a proposta é usar recursos do FGTS.

Também foi suspensa a realização de concursos públicos, com economia de 1,5 bilhão de reais. Outra ação é a eliminação do abono de permanência de servidores, com redução de gastos de 1,2 bilhão em 2016, medida que será enviada ao Congresso por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

O tamanho do ajuste veio em linha com o reportado mais cedo pela Reuters, quando duas fontes do Executivo disseram que a soma das medidas de corte de despesas e aumento das receitas seria de cerca de 65 bilhões de reais.

Na semana passada, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou o rating brasileiro e manteve a perspectiva negativa alegando desafios políticos crescentes que impedem melhor coordenação do governo, sem força para garantir a aprovação de medidas fiscais para tentar melhorar as contas públicas do país.

No final de agosto, o governo apresentou ao Congresso proposta orçamentária de 2016 com previsão de déficit primário consolidado –economia feita para pagamento de juros da dívida pública– equivalente a 0,34 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Só para a União, o rombo é de 30,5 bilhões de reais, ou 0,5 por cento do PI.

Pouco mais de um mês antes, o mesmo governo havia reduzido a meta fiscal, mas para um superávit primário correspondente a 0,7 por cento do PIB no mesmo período, algo que já havia incomodado bastante os agentes econômicos.

A presidente Dilma Rousseff enfrenta uma grave crise econômica –com recessão e inflação elevada– e política, com um ambiente conturbado também pelos desdobramentos da operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção envolvendo empresas estatais, órgãos públicos, empreiteiras e políticos.

A própria presidente já afirmou que vai perseguir a meta de 0,7 por cento em 2016.

As contas públicas do Brasil estão no vermelho desde o ano passado e, para este ano, as perspectivas são de mais déficit diante da economia em recessão e desemprego crescente, que abalam a arrecadação. Em julho, último dado disponível, o rombo primário estava em 0,89 por cento do PIB, muito distante da meta de superávit de 0,15 por cento do PIB.

(Reportagem de Leonardo Goy e Luciana Otoni, com reportagem adicional de Lisandra Paraguassu)

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Messias Franca de Macedo

14 de setembro de 2015 às 21h26

O QUE O GOVERNO NÃO DISSE E QUE DEIXA DESESPERADOS OS OUVIDOS IMUNDOS DA oPÓsição AO BRASIL

Com a CPMF a sonegação cairá substancialmente.
Certo?!
Certo!
Ou seja, os malandros das ‘ellites’ nativas deixarão de sonegar – e, concomitantemente, os recursos advindos da CPMF serão muito mais vultosos em relação ao anunciado pelo ministro Joaquim Levy!
Xeque-mate?!…

Rô-Rô-Rô!
Feliz Natal!
E feliz Ano Novo!…

Viva o [verdadeiro] Brasil!
Viva o [verdadeiro] honesto povo trabalhador brasileiro!

Responder

Steiger

14 de setembro de 2015 às 19h48

A vadia quebrou o país….

Responder

    Antonio Passos

    14 de setembro de 2015 às 20h15

    Kkkkkkkk que imbecil, desde quando país com US$ 360 bilhões de reservas tá quebrado.

    Responder

      Steiger

      14 de setembro de 2015 às 20h33

      Ah, nem me dei conta, aqui é um país rico. Voce é um traste tupiniquim não entende de nada.

      Responder

        Gerson

        14 de setembro de 2015 às 20h49

        Cara, o Fernando Henrique quebrou o país 3 vezes e foi pedir dinheiro para o FMI 2 vezes. E provavelmente você apoia o PSDB. Então, por favor, poste algo melhor ok.

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          Vicente

          15 de setembro de 2015 às 09h53

          Se ela não aprovar o CPMF, pode aguardar o socorro do FMI

      Asdrubal Caldas

      19 de setembro de 2015 às 14h18

      Antonio Passos>E você ainda tem o desplante de chamar o outro de imbecil? Ou seria você o otário que acreditou nesta dos US$ 360 bilhões de reservas. Se este dinheiro existe, e o rombo é de US$65.000.000, bastaria ela fazer uma continha muito simples, talvez não para ela, de subtrair assim olha: 360-65 = 295 E ainda assim o Brasil ficaria com uma reserva de US$295 bilhões. Não é lindo? Só uma sugestão para esta esquerda burra: Mandem E-mail para a tia Dilma avisando que vocês acreditaram na existência destas reservas, e agora querem que ela acerte este rombo produzido pelo desgoverno dela.

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