Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Sergio Machado afirma, em delação, que repassou R$ 71 milhões para Renan, Sarney e Jucá

Por Miguel do Rosário

15 de junho de 2016 : 00h43

(Foto: Jonas Pereira/Agência Senado)

Valhei-me Deus!

De um lado, o arbítrio, a truculência, o golpe.

Do outro, a corrupção desvairada!

Na decisão em que nega o pedido de Janot, o ministro Teori Zavaski dá uma “palhinha” (na página 4) sobre o conteúdo integral da delação de Sergio Machado, cujo sigilo ele retirou.

Machado contou à justiça que, enquanto se mantinha à frente da Transpetro, entregou R$ 72 milhões ao trio maravilha formado por Jucá, Sarney e Renan.

Renan Calheiros, atual presidente do Senado, teria recebido R$ 32,5 milhões; Jucá, R$ 21 milhões; Sarney, R$ 18,5 milhões.

Essa é a turma que pretende votar o julgamento de Dilma Rousseff?

Enquanto isso, Ministério Público, Polícia Federal, Sergio Moro, Globo, ficaram meses investigando os pedalinhos de Lula?

Trecho da decisão de Teori trazendo trechos da delação de Machado.

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O jogo é sujo e pesado.

Ninguém acha que Renan é santo, mas delação, por si só, não constitui prova.

O que vemos são ladrões dedando ladrões, ratos assustados reagindo a descargas elétricas posicionadas astutamente em seu caminho, para forçá-los, aos ratos, a seguir por este caminho e não por aquele.

De qualquer forma, livre do risco de prisão imediato, Renan Calheiros aproveitou para enquadrar o presidente interino, dizendo que o novo governo deveria aguardar o “julgamento final” antes de tomar decisões substanciais.

A opinião de Renan é sensata: o governo interino age com incrível audácia para um governo cuja legitimidade, mesmo dentro dos parâmetros do golpe, ainda não foi sancionada pelo Senado. Ainda é um governo interino. Em tese, Dilma pode voltar, e aí como fica?

Aproveito para reproduzir a matéria publicada há pouco no portal do Senado, com entrevista coletiva concedida por Renan, na qual ele demonstra visível alívio com a decisão do Supremo de negar os pedidos de prisão do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

Renan aproveita para dizer que vai “analisar” os pedidos de impeachment de Janot.

Esses conflitos entre os poderes são a única luz no fim do túnel desta crise toda, porque é deles, dos conflitos, que emerge a teoria dos freios e contrapesos, cerne da doutrina democrática.

A democracia é um sistema que tira sua energia dos conflitos, da tensão permanente entre os poderes. Naturalmente, é preciso haver um poder maior, que modere todos, e este poder é o sufrágio universal. Por isso o golpe foi tão nocivo à democracia.

***

No Portal do Senado

Renan recomenda cautela com ajustes na economia do país

Da Redação | 14/06/2016, 20h15 – ATUALIZADO EM 14/06/2016, 20h16

O presidente do Senado, Renan Calheiros, avalia que toda medida que ajude a estabilizar a economia do ponto de vista fiscal, como um teto para os gastos públicos, é recomendável. Ainda assim, para Renan esse tipo de proposta deve ser guardada para após a conclusão do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Há uma possibilidade de o presidente do Senado e o presidente interino Michel Temer se reunirem nesta quarta-feira (15) para discutir o tema.

— Acho que não é recomendável neste momento discutir essas matérias importantes que tratam do ajuste fiscal ou que poderão aprofundar o ajuste, porque estamos vivendo uma transitoriedade. Talvez seja o caso de aguardamos o julgamento final — acredita Renan.

O Executivo, de acordo com publicação no Portal Brasil, vai enviar ao Congresso uma emenda constitucional que cria um teto para os gastos no setor público. Segundo a proposta, as despesas só poderiam aumentar o equivalente à inflação do ano anterior.

Supersimples

Renan Calheiros também anunciou que o Senado deve votar nesta quarta-feira o projeto que atualiza o Supersimples. O PLC 125/2015 prevê que o limite máximo de renda para uma empresa fazer parte do regime tributário diferenciado passará de R$ 3,6 milhões para R$ 4,8 milhões.

— É a primeira medida concreta no sentido de desamarrar os pés da economia. Eu acho que essa sim terá repercussão de gerar empregos. No último ano, 150 mil micro e pequenas empresas saíram do Simples por inadimplência — disse Renan.

Janot

O senador Renan Calheiros informou ainda que vai analisar o pedido protocolado por duas advogadas que pedem o impeachment do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Elas alegam que Janot foi parcial quando não pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão da presidente afastada Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por tentarem interferir na Operação Lava Jato. Essa foi a mesma acusação apresentada pelo procurador para requerer a prisão de senadores do PMDB.

— Nos últimos meses eu arquivei cinco pedidos de impedimento do procurador-geral da República. Eu entendi que as petições eram ineptas. Essa eu vou avaliar — afirmou Renan.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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