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Emergindo das trevas – Cármen Lúcia esperou dez dias para defender a democracia

Por Bajonas Teixeira

31 de maio de 2018 : 12h06

Por Bajonas Teixeira,

Presidente do STF, Cármen Lúcia, deveria ser a primeira voz a se levantar diante do risco de um golpe contra a democracia, como foi esse do locaute das empresas de transporte. Como suma sacerdotisa do supremo, a defesa da democracia é a sua missão mais importante, já que é ela a guardiã do estado democrático de direito. Ao invés de exercer a responsabilidade do seu cargo, Cármen Lúcia passou dez dias com a boca mais fechada que um túmulo.

Só ontem, quando toda a situação pareceu relativamente normalizada, depois inclusive de aprovadas as medidas pedidas pelas chantagens das empresas de transporte na Câmara e no Senado, a ministra do STF veio a público expressar sua preocupação. Disse ela, segundo o Estado de Minas:

“A construção permanente do Brasil é nossa e é democrática e comprometida com a ética. Não há escolha de caminho: a democracia é o único caminho legítimo. Cumprimos nosso dever com a República Federativa do Brasil. Há de se ter serenidade, mas também rigor com o cumprimento e o respeito aos direitos, especialmente os fundamentais”.

Se a democracia é o único caminho legítimo, e se o país foi estrangulado por um movimento em forma de serpente de centenas de cabeça, coordenado por grandes empresários que devem R$ 52 milhões em impostos e tributos sonegados à União, qual teria que ter sido a ação da presidente do Supremo?  Ela teria que, desde que ficou clara a magnitude e o risco do golpe em andamento, o que já se pode ver entre o segundo e o terceiro dia, usado a autoridade do seu cargo e todos os meios legais para intimidar o grupo empresarial de extrema direita por trás dos acontecimentos.

Mas dela só se viu a ausência e só se ouviu o silêncio. Cármen Lúcia ganhou a forma intangível de um espectro mudo, cego e surdo, acocorado atrás das espessas névoas da imaterialidade. É provável que Shakespeare, se fosse contratado pelo governo de Minas para compor uma versão renascentista do casamento na roça, se lembrasse de dar um papel para ela. O espírito de Lady Cármen não ficaria mal assustando a quadrilha em uma curva morta qualquer do caminho.

Mas desde que a quadrilha fosse só o grupo dos dançarinos, e não uma quadrilha criminal, formadas de ladrões de dinheiro público e indivíduos inescrupulosos capazes de pôr em risco a vida de milhares de pessoas, de queimar bilhões em bens destruídos com os bloqueios das estradas. Nesse caso, o espectro de Lady Cármen ficaria assustado ao invés de assustar.

Se o país esteve em estado de guerra por dez dias, o STF de Cármen Lúcia esteve em paz, a paz dos cemitérios e da morte da democracia.

O pior  de tudo é a lição que fica: que o STF está pronto a se associar, pelo seu silêncio e pela inatividade, fazendo-se de morto, a qualquer grupo de aventureiros golpistas que pretenda destruir a ordem democrática no país.

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6 comentários

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Luis Leite

02 de junho de 2018 às 10h02

E assim mesmo vampiro so aparece em tempos de trevas

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Jose carlos lima

01 de junho de 2018 às 01h47

A dona carmem só abre a boca quando a Globo faz uma solicitação a sinistra ministra a ser lida no prompt por alguma atriz que apresenta o JN

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Pedro Cândido Aguarrara

01 de junho de 2018 às 00h31

De tudo isso estamos carecas de saber.

Mas eu pergunto. Aonde estão os nossos militares de merda, garantidores de merda da nossa constituição de merda, que deveria nortear os rumos da nossa democracia de merda?

Quem deu ao STF o Direito de autorizar o descumprimento da Constituição pelo Judiciário no caso das prisões após a 2a instância, mas antes do trânsito em julgado da sentença? Quem deu a eles esse Direito? Se quer fazer isso primeiro o Congresso tem que alterar a Constituição através de uma PEC.
Depois disso votar a lei que permite tal prisão.

O STF NÃO TEM O DIREITO DE AUTORIZAR ESSAS PRISÕES SEM QUE ANTES A CONSTITUIÇÃO SEJA ALTERADA!!!

E por quê os militares que garantem a Constituição permitem que o STF faça isso???

Estão com medo? De que? De um rede de televisão?

A mesma coisa com a Ficha Limpa. STF autorizou a Justiça Eleitoral a descumprir a Constituição. Com que Direito???

E agora querem autorizar o Congresso Nacional a descumprir a Constituição mudando a forma de governo sem uma consulta plebiscitaria. Com que Direito?

Se querem fazer isso primeiro tem que alterar a Constituição com uma PEC dispensando a consulta popular.

E por quê os militares estão aceitando tudo isso de braços cruzados?

Estão com medo de quê?

DE UMA REDE DE TELEVISÃO????

De que servem militares acovardados, de cócoras, com medo de uma rede de televisão???

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Valéria

31 de maio de 2018 às 19h10

Todos sabem que o supremo tem lado e não é o da democracia. A cada dia mais pessoas acordam para essa realidade. Onde estão Aécio, Serra,Jucá, Azeredo? Lula inocente, na masmorra de Moro.

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Maria Thereza

31 de maio de 2018 às 17h32

é com stf, com tudo. Lembram? E ele só fala por falar mesmo, pq deve ter recebido ordens pra dizer alguma coisa. As ações dele indicam justamente o oposto de defesa da democracia, do estado de direito, do direito mais reles. Basta ver que ela que mudar, pelo voto de 11 pessoas, uma cláusula pétrea da CF

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Ana Frota

31 de maio de 2018 às 12h58

Os brasileiros não tem uma ideia muito clara do STF e das suas funções, e da necessidade de defender a democracia e a constituição. Talvez isso se deve a que gente não tenha tido nada épico para chegar a isso, como foi nos EUA e na França, por exemplo. Ninguém se importa muito com a constituição fora dos grupos mais esclarecidos. Aí fica isso. A criatura literalmente se escafedeu quando tinha que lutar como uma leoa pela constituição e pela democracia. Mas não existe, se existe ainda não falaram pra gente, um “auxílio democracia” ou um “auxílio constituição” nos salários dos juízes e procuradores! Eles acham que a defesa da democracia não é assunto deles! Morrer pela democracia então… por favor, sem piadas!!

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