Bolsonaro e Haddad na Redenews

Paulo Nogueira: Haverá um terceiro turno, não se iludam

Por Miguel do Rosário

01 de outubro de 2018 : 20h52

Só uma observação: não concordo com o tom de “já ganhei” do Paulo. Nem de seus comentários para que leitores “de direita” se retirem. Tirando isso, seus argumentos valem ser discutidos.

Eleições 2018
Ganhar sem perder o governo

por Paulo Nogueira Batista Jr. — publicado 01/10/2018 00h15, última modificação 28/09/2018 16h29

Haverá um terceiro turno, não se iludam

Hoje quero ter uma conversa estritamente particular com os leitores de esquerda, e só com eles. O aviso pode ser supérfluo: o público de Carta Capital é preponderantemente de esquerda mesmo. Mas, se por acaso houver algum leitor de direita extraviado aqui neste texto, peço gentilmente que se retire.

Pronto, continuo, estamos entre nós. A verdade, leitor(a), é que estamos rindo como quem tem chorado muito, para retomar o verso de Fernando Pessoa. Se você, leitor(a), é filiado(a) ao PT ou ao PCdoB, quero lhe dizer com toda a ênfase possível: parabéns, você ganhou a eleição! Mas acrescento de imediato: não vá perder o governo!

Uma dúvida me assalta: será prematura a comemoração? Não acredito. Primeiramente, a vida como ela é, com todos seus sofrimentos e decepções, nos convida a nunca perdermos uma oportunidade de comemorar, mesmo que antecipadamente, mesmo que prematuramente.

E não acredito, francamente, que a comemoração seja, a esta altura, prematura. Lula – o nosso Pelé político – fez a obra quase milagrosa de virar um jogo que parecia totalmente perdido. E, como dizia Nelson Rodrigues, a vitória sofrida é mais doce. Fernando Haddad passará ao segundo turno e deve derrotar Jair Bolsonaro. Sempre existe o risco de surpresas e manobras de última hora. Mas o eleitor parece até certo ponto imunizado contra essas jogadas.

Insistindo um pouco na metáfora futebolística, diria que aconteceu em 2018 o mesmo que na Copa de 1962, no Chile. Pelé foi caçado desleal e impiedosamente em campo até o tirarem da disputa. Só que apareceu Amarildo para substituí-lo – e o Brasil foi bicampeão do mundo.

A diferença é que Lula foi mais do que um Pelé. Continuou jogando e armando fora de campo. Impôs derrota acachapante a seus adversários. Foi a estrela insuperável do campeonato, mesmo alijado do torneio. Será pentacampeão.

Agora é enfrentar o terceiro turno. Sim, leitor(a), é perfeitamente possível ganhar a eleição e perder o governo. Foi o que aconteceu com Dilma Rousseff em 2014. O que eu chamo de terceiro turno é a volta adicional que a turma da bufunfa impõe quando não consegue prevalecer nos dois primeiros. O que está em disputa nesse terceiro turno é o controle das principais alavancas da área econômica, notadamente o comando do Ministério da Fazenda e do Banco Central.

Somos todos gatos escaldados e estamos percebendo, com certeza, que o terceiro turno começou. Haddad tem sido e será pressionado a compor a sua equipe de forma “responsável”, escolhendo profissionais respeitados pelo mercado. Dito de outra forma, de uma forma mais crua, mais realista: o que a turma da bufunfa deseja, exige na verdade, é a rendição, ou seja, a escolha de nomes que executem fielmente seus desígnios e alinhem a política econômica aos interesses do chamado mercado.

Ora, ceder a isso é praticar o infame estelionato eleitoral: eleger-se com o povo e governar com os plutocratas. Atenção: a experiência brasileira das últimas décadas sugere que estelionato eleitoral é suicídio político. Vide, por exemplo, o Cruzado II, logo após as eleições de fins de 1986, traição da qual o governo Sarney nunca se recuperou. Fernando Collor passou por algo semelhante e nunca mais se refez do alongamento forçado das cadernetas de poupança e demais ativos financeiros, terminando por sofrer impeachment. FHC também nunca se recuperou do estelionato que praticou para se reeleger em 1998. Depois das eleições, corrigiu o câmbio artificialmente represado, mas perdeu para sempre a sua credibilidade.

Dilma é o caso mais recente e, de certa forma, mais chocante. Fez campanha para a reeleição com ruidosa plataforma de esquerda, inclusive e notadamente na área econômica. Venceu o segundo turno, mas sofreu derrota monumental no terceiro, quando entregou o comando do Ministério da Fazenda a um economista ortodoxo radical. A partir daí desceu ladeira abaixo e acabou derrubada.

Como será o terceiro turno desta vez? Temos riscos, mas também trunfos. Os riscos são psicológicos, em primeiro lugar. Existe sempre a tentação de seguir a estrada aparentemente mais fácil, de buscar a aceitação dos poderes estabelecidos. A turma da bufunfa é craque na arte de seduzir e manipular. Antonio Palocci fez o jogo deles, acreditando que iria longe. Foi abandonado à própria sorte depois que prestou variados e valiosos serviços.

O outro risco é econômico, a fragilidade fiscal. O déficit governamental é elevado, considerando (como se deve) não apenas o déficit primário, mas a carga de juros. A dívida pública também é elevada e tem vencimentos pesados no curto prazo. A turma da bufunfa opera em mercados financeiros concentrados, sujeitos a manipulações e movimentos combinados. A sua arma no terceiro turno é desencadear e alimentar incertezas, que se traduziriam em dificuldades de rolagem da dívida de curto prazo e pressões sobre a taxa de câmbio.

Mas os trunfos do nosso lado são consideráveis, maiores do que em 2002, quando FHC deixou tudo pendurado por barbante. O problema da dívida pública é grave, mas mesmo aí temos vantagens. A dívida é sobretudo interna e denominada em moeda nacional. A parcela em mãos de investidores estrangeiros é relativamente pequena. Como o setor público é credor líquido em moeda estrangeira, a desvalorização cambial favorece as contas governamentais.

O setor público é credor líquido em moeda estrangeira basicamente porque as reservas internacionais são muito altas, da ordem de 380 bilhões de dólares, herança positiva dos governos Lula e Dilma que não foi desbaratada no governo Temer. Por esses e outros motivos, a posição do setor externo da economia brasileira é excepcionalmente forte, o que nos diferencia de economias acossadas por crises cambiais, como a Argentina, que caiu nos braços do FMI, e a Turquia.

Por último e não menos importante: o terceiro turno é um filme que já vimos. Não temos por que nos apavorar. Temos condições de fazer face a pressões e eventuais ataques especulativos contra a dívida pública e a moeda nacional.

Requisitos: nervos de aço, calma e bom senso.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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28 comentários

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Jorge Albertinho

06 de outubro de 2018 às 22h33

Pode jair se acostumando

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Gilson

06 de outubro de 2018 às 14h21

Bom dia a todos.
O Sr. que escreveu aqui parece entender bem sobre o que está afirmando e que independente de quem ganhe a eleição o que vale é a questão econômica que vai continuar a mandar forte no país… até aí entendi bem… mas… defendo que o texto devia ter usado palavras mais simples para ser possível a um leigo em economia como eu, entender melhor seu texto. Eu entendi razoavelmente. Mas me parece que faz todo sentido e o texto deve ser bem claro para quem tem menor ignorância econômica. Obrigado.

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Jorge Dellás Olivas

06 de outubro de 2018 às 10h33

Desnecessário o “pito” do Miguel no início do artigo, do PAULO NOGUEIRA BATISTA – O PNB jr.
Se toca parceiro! Deixa o cara escrever como ele quiser, e pra quem ele acha que é leitor dele… como eu.
Daqui a pouco o Miguel do Rosário – brilhante Jornalista, vai receber a alcunha de Miguelzinho da Aba ( … Na aba do meu chapéu).Menos Miguel, menos.

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Jorge Faria

04 de outubro de 2018 às 07h07

Como vamos evitar um nova revolucao popular como a de 2016 que derrubou a Dilma caso Haddad ganhe?
O poder emana do povo, temos que achar meio de contrala-los e poribi-los de se revoltarem novamente

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Chauke Stephan Filho

03 de outubro de 2018 às 15h42

Então o esquerdista Paulo Nogueira Batista Jr. proíbe leitores de ler ?! E muita gente pensa que censura
e discriminação são coisa da direita. Santa ingenuidade…

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    Mariniel

    03 de outubro de 2018 às 18h08

    Censura? Sério isso?

    Responder

      Chauke Stephan Filho

      03 de outubro de 2018 às 20h28

      Pergunte para ele, Filhinho.

      Responder

UILIO OLIVEIRA SILVA

03 de outubro de 2018 às 07h01

Já fiz comemoração fora de tempo? Sim. Aniversário. Porem, nunca antes da data certa.

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UILIO OLIVEIRA SILVA

03 de outubro de 2018 às 06h55

Coisa que nunca foi do meu feitio: comemoração sem o troféu na mão.

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helio dias horvath

02 de outubro de 2018 às 15h52

Assino no rodapé do artigo. E mais, sugiro que Haddad comece sua lista de possíveis Ministros da Fazenda com o nome de seu autor.
Ele conhece bem as manhas do mercado, que precisa de alguns sustos cívicos iniciais, como um amplo e irrestrito combate à sonegação fiscal.
Paulo Nogueira Batista é valioso também por sua experiência e envolvimento com o BRICS.

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Justiceiro

02 de outubro de 2018 às 14h57

Quando Paulo nogueira escreveu isso não tinha visto a delação do Palocci nem as pesquisas de ontem à noite.

Coitado.

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Francisco

02 de outubro de 2018 às 11h00

Gostei do tom confiante do Paulo, “pra cima”, e ainda mais do convite para direitistas deixarem a sala por motivos óbvios.
Assino embaixo o que Paulo Nogueira crava para enfrentarmos o terceiro turno, se eleitos, sem esquecer que, Lula (pouco importa como), Paulo Nogueira Batista, Marcio Pochmann, Franklin Martins, Celso Amorim, Eugênio Aragão, Delegado Paulo Lacerda, Gilberto Carvalho, Wadih Damous, Jaques Wagner, e Alexandre Padilha, são essenciais para enfrentarmos e anularmos os golpistas para o desmonte, gradual, continuado e definitivo da anacrônica Casa Grande.

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ari

02 de outubro de 2018 às 10h53

Concordo plenamente com o articulista, com a ressalva que ele mesmo fez (sempre existe o risco de surpresas e manobras de última hora): a esquerda vai vencer a eleição

Responder

Antonio Passos

02 de outubro de 2018 às 09h35

Já estamos na fase de esperar as urnas falarem.
Se não ocorrer o fenómeno Honduras é claro.

Responder

Nelson

02 de outubro de 2018 às 08h44

É uma mistura de autossuficiência e arrogância hegemonista, típicas do PT. Sabe quando os eleitores do PT, junto com os do PC do B, vão ganhar sozinhos uma eleição – NUNCA!!! É muita cegueira.
Pois no 2º turno, mesmo não pertencendo ao clube dos iluminados do PT e do PC do B, meu voto será da esquerda.

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    Antonio Passos

    02 de outubro de 2018 às 09h32

    Realmente, tirar 40 MILHÕES da miséria, do mesmo sendo iluminado. Como disse o gênio Baumann, NINGUÉM no mundo fez o que Lula fez.
    Seu voto não fará falta bolsominion.

    Responder

      Serg1o Se7e

      02 de outubro de 2018 às 16h32

      Tirou 40 milhões da miséria? Explica isso, por favor.
      Vou te dar umas “colinhas”:

      1ª: Foi em 2012 que o governo, por meio da Secretaria de Assuntos Estratégicos, teve aquela que seria a mais conhecida pérola dos milagres alegadamente realizados por Lula: a de ter tirado 36 milhões de pessoas da pobreza. De acordo com a SAE, e um estudo do IPEA, a classe média brasileira possui renda entre R$ 291 e R$ 1.019. Com este critério, mais da metade dos brasileiros passaram a ser considerados classe média pelo governo.
      O número mágico, porém, tem uma explicação ainda mais esdrúxula. Em 2012, 36 milhões de pessoas eram beneficiárias totais do Bolsa Família e outros programas sociais. Para o governo, portanto, se estes 36 milhões não tivessem como receber os benefícios, seriam pobres ou extremamente pobres.
      Em seu depoimento à Polícia Federal, Lula reafirmou o número. Espantado, o delegado questionou.
      “Então, o senhor está dizendo que antes do seu governo, 1 em cada 4 brasileiros era miserável?”
      Lula concordou.
      Para o IPEA, porém, o número não passa de uma fantasia. Em 2002 havia no Brasil 14,9 milhões de miseráveis, e em 2012, 6,5 milhões. Uma queda, portanto, de 8,4 milhões. Para o mesmo IPEA, em 1992 havia 19,1 milhões. A queda na pobreza, portanto, acelerou-se no governo Lula, puxada pela economia – mas não há de fato nada que indique um milagre ou alguma excepcionalidade na ação do ex-presidente.
      Os números do IPEA, órgão ligado ao próprio Palácio do Planalto, não deixam dúvida – o governo inflou o número.

      2ª: Os membros da Quarta Classe são muito, mas muito espertos, mas não são muito chegados a números. Por isso a maioria frequenta cursos nas Ciências Sociais, e não Exatas.
      A maioria não sabe usar Excel nem fazer cálculos complexos. Eles desinformam as classes mais baixas que precisam dominar, para se manter no poder.
      Por exemplo.
      1. O Bolsa Família não tira ninguém da pobreza. O que tira alguém da pobreza são postos de trabalho e educação.
      2. O PT não estimulou o empreendedorismo nem deu educação estatizada de qualidade. O PT (e o PSDB) mantiveram a pobreza, e criaram dependência propositadamente.
      3. Dar R$ 65,00 por mês para 40 milhões de pessoas, não tira ninguém da pobreza. Esses jornalistas deveriam fazer o teste e viver com R$ 65,00 por mês, antes de escreverem essas bobagens.
      4. O Bolsa Família na realidade ajuda 13 milhões de famílias, com R$ 195,00 por mês, 3,03 membros na família em média, o que dá R$ 65,00 por membro da família.
      Compare essas 13 milhões de famílias com os 14 milhões de desempregados pela equipe econômica do PT.
      5. Compare os R$ 195,00 que o PT fornece para 13 milhões de Famílias, com os R$ 2.220,00 que 14 milhões de famílias deixaram de receber. R$ 2.220,00 para vocês formados em Ciências Sociais é um pouco acima do salário mínimo, computados os impostos, 13º salário e férias.
      6. Some-se a esses números de desempregados, mais 15 milhões de postos de trabalho que não foram criados durante a dinastia PT, com esse crescimento pífio da economia.
      7. O PT é responsável por menos – R$ 712 bilhões por ano, e não mais + R$ 29 bilhões por ano, como sua equipe econômica afirma.
      8. E mais, esses R$ 29 bilhões é dinheiro que o PT retirou de alguns, e se vangloria por somente ter distribuído.
      O que reforça a tese que a Quarta Classe não é progressista, como eles afirmam verbalmente, mas sim Distributivista.
      Eles são especialistas em distribuir dinheiro para si, e umas migalhas para os outros.

      3ª: O IBGE achou os milhões de pobres que Lula e Dilma esconderam
      O IBGE constatou que em 2016, quando o PT foi despejado do poder, 52 milhões de brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza
      Em 2008, Lula proclamou a abolição da pobreza no Brasil. O então presidente da República informou que o Bolsa Família concluíra em ritmo de Fórmula-1 a espantosa façanha que começara com o Fome Zero em alta velocidade: os pobres haviam sumido da face do Brasil.
      Para que Dilma Rousseff não ficasse sem ter o que fazer no Palácio do Planalto, Lula legou à sucessora eleita em 2010 apenas alguns milhões de miseráveis. No Brasil lulopetista, como se sabe, miserável não é um pobre paupérrimo. É uma categoria à parte.
      Em 2012, Dilma proclamou a abolição da miséria no Brasil, que se tornou o único país do mundo habitado por gente de classe média para cima. E Lula saiu pelo mundo cobrando 500 mil reais para ensinar, em palestras que duravam menos de 60 minutos, qual era o segredo de outro milagre brasileiro.
      Conversa de vigaristas, confirmou na sexta-feira passada um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em 2016, ano em que Dilma foi despejada do emprego por excesso de incompetência e falta de honestidade, mais de 52 milhões de brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza.
      Em agosto de 2016, Michel Temer assumiu a Presidência de um país em que 1/4 da população era (é) forçada a sobreviver com menos de 5,5 dólares por dia. Ou 18,20 reais. O IBGE descobriu que os pobres e miseráveis estavam onde sempre estiveram: distantes da classe média e a alguns anos-luz do mundo dos ricos.
      A Lava Jato já provou faz tempo que Lula e Dilma são dois fora-da-lei sem salvação. O IBGE acaba de confirmar que tanto o chefão do bando quanto o poste que fabricou são dois farsantes. Ambos mentem mais do que respiram.

      Responder

Gil Alan Barbosa Caldas

02 de outubro de 2018 às 07h36

Bom dia a todos! Miguel, aceito a sua prudência e comungo as esperanças do Paulo.

Responder

Minana

02 de outubro de 2018 às 05h49

Na verdade quando saiu Pelé, mesmo com a entrada de Amarildo, quem assumiu a “direção” foi Garrincha.

Responder

    Antonio Passos

    02 de outubro de 2018 às 09h34

    Direção Garrincha assumiu, mas Amarildo simplesmente arrasou e foi imprescindível.
    Na final ele fez o gol de empate e cruzou na cabeça de Zito para este marcar o segundo gol.
    De futebol eu entendo mais até do que de política. Rssss

    Responder

JOSE BATISTA NETO

02 de outubro de 2018 às 00h01

O que dizem João Carlos e Paulo parece esbarrar nas raias que estabelecem os limites entre o discurso político e a desonestidade intelectual. O Paulo avança no limite de acusar o PT de destruir o país, mas, em seguida reconhece que sobre as eleições espreita o risco do “efeito Palloci”!!?? Ou seja, a liderança de uma coalizão de governo que se pautou sempre no estabelecimento de políticas públicas, definidas com base em amplos debates com as entidades representativas da sociedade civil, que se comprovaram exitosas em todos os indicadores oficiais econômicos e sociais, seria responsável pela destruição do país. Ao passo que a atuação ilegítima e deletéria do judiciário, sobre o jogo político, que ele mesmo reconhece, é por ele encarada com naturalidade. O João Carlos diz que o PT dividiu o país. Ora, não foi a associação espúria entre o judiciário e os meios de comunicação, em modelo assemelhado ao tipo penal denominado “formação de quadrilha” que, ao eleger o PT como partido inimigo, criou a polarização que dividiu o país entre defensores da democracia e os que são contra “tudo isso que está aí”? Ou seja, o anti petismo? Não foi essa polarização criada artificialmente que gestou o ovo da serpente, que trouxe à luz o fenômeno Bolsonaro? Desonestidade intelectual nos olhos dos outros é refresco?

Responder

joao carlos

01 de outubro de 2018 às 22h50

… e então veio a pesquisa de opinião do Ibope e fez esse “já ganhei” totalmente ridículo.

e o efeito Palocci ainda nem foi computado.

Continuo apostando em vitoria do bozo no segundo turno contra Haddad.

Esquerda arrogante demais essa do PT, destrói o pais e acha que ta ganhando copa do mundo.

Por essas e outras que o fascismo cresce asssustadoramente no país.

Ciro é a última esperança, a única capaz de evitar a catástrofe brasileira. Vergonha do pt.

Responder

Paulo

01 de outubro de 2018 às 22h00

É incrível como os petistas – ou simpatizantes – são excludentes e não tem discurso agregador. E, quando têm, é mera concessão estratégica (condenada pelo meu xará raivoso, a propósito). Durma-se com um paradoxo desses! Dividiram o Brasil entre brancos x negros x índios x pardos; mulheres x homens x “outros”; ricos x pobres x remediados; alfabetizados x semi x analfabetos. Para onde se olha, tem um dedo desagregador do PT, e, de um modo geral, da esquerda. Arrisco dizer que, se o PT comandasse o processo de Independência do Brasil, hoje não seríamos um país, mas vários, como sucedeu na América espanhola…

Responder

    ari

    02 de outubro de 2018 às 10h51

    Antes não havia racismo, o latifúndio não perseguia os povos indígenas, mulher não enfrentava qualquer tipo de preconceito e os ricos, generosos ao extremo, abriam mão de parte de suas fortunas em favor dos mais fracos. Não me lembro de o Brasil, em algum momento de sua história, ter sido comunista, uma sociedade sem classes

    Responder

      Paulo

      02 de outubro de 2018 às 18h30

      Havia tudo isso, Ari! Mas não havia ódio racial, ódio de classe, ódio de gênero…

      Responder

    Francisco

    02 de outubro de 2018 às 11h24

    Cara, espero que ninguém dependa de seus conhecimentos (convicções?) históricos, sociológicos e políticos, caso contrário tenho pena das jovens vitimas condenadas ao obscurantismo em sua forma mais vil, a da mediocridade sem modéstia, tão comum nesse tempo.

    No país, até por inércia entre as quinze maiores economias mundiais, que após 518 anos permanece no ‘Z4’ da desigualdade mundial, vir dizer que o PT, justamente o único partido de fato organizado em condições de eleito combater essa abjeta realidade, que pelo jeito não incomodou-lhe até hoje, é acusado de ser excludente, justamente por considerar as minorias e as maiorias excluídas do orçamento e das garantias de fato, do país.
    Vá te catar…, cínico ou desinformado?

    Responder

      Paulo

      02 de outubro de 2018 às 18h34

      “Z-4” da desigualdade mundial? Nunca me incomodou a miséria? Caro Francisco, o PT não exclui ninguém da miséria, ele instrumentaliza os miseráveis, as “minorias” e “maiorias”…

      Responder

MARIANA DE P SILVA

01 de outubro de 2018 às 20h58

Importantíssimo !!! Exatamente com o que me preocupo, com a governabilidade do Haddad caso ganhe. Podemos influenciar votando em senadores e deputados federais decentes… E como mais ??

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