Jornal da Forum: Lula quer reindustrializar o Brasil!

Brasil, S„o Paulo, SP, 27/11/2017. Retrato do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) durante entrevista para jornalistas e colunistas da Revista Veja. - CrÈdito:H…LVIO ROMERO/ESTAD√O CONTE⁄DO/AE/CÛdigo imagem:219891

O DESASTRE ELEGEU BOLSONARO?

Por Redação

30 de julho de 2020 : 11h51

Por Ricardo Cappelli

O maior período democrático de nossa história é também o de mais baixo crescimento. Quando “contratou” a Constituição de 88, a população esperava por dias melhores. Por que a democracia não trouxe prosperidade? O que deu errado?

Segundo o economista Márcio Pochmann, entre 1980 e 2020 o capitalismo brasileiro viveu um período de decadência, com crescimento médio pouco acima de 2%. São 40 anos de estagnação, com duas décadas perdidas.

Nos anos 30, com uma visão desenvolvimentista, iniciamos um processo de industrialização, urbanização e profissionalização do aparato estatal.

O Brasil foi o segundo país que mais cresceu no mundo entre 1930 e 1980, com uma taxa média de 6% ao ano. Uma modernização conservadora que não enfrentou os graves problemas de concentração de riqueza e renda. Mas tínhamos um crescimento “chinês”.

Em 1930, o PIB brasileiro representava 0.8% do PIB mundial. Em 1980, passamos a responder por 3.2%. Em 2020, regredimos para apenas 2%.

A crise dos anos 80 transferiu renda dos mais pobres para o andar de cima e desestruturou a economia. Passou a ser mais vantajoso especular no mercado financeiro do que produzir. Nossos industriais viraram rentistas e importadores.

O problema da inflação foi resolvido somente em 1994 com o Plano Real. O endividamento foi resolvido já nos anos 2000. Mas nossos problemas estruturais históricos ficaram sem solução.

Temos uma estrutura tributária vergonhosamente injusta. Só Brasil e a pequena Estônia não tributam a distribuição de lucros e dividendos. O que justifica a alíquota máxima do imposto de renda de 27,5% para os mais ricos? Por que a tributação incide sobre o consumo e não sobre a renda e o patrimônio?

Vivemos um processo galopante de desindustrialização. A participação de nossa indústria no PIB é hoje de menos de 10%. Incrivelmente, voltamos ao mesmo patamar de 1910.

Tivemos alguns momentos de bonança, mas com uma triste constatação. A esmagadora maioria dos empregos gerados foi de baixa qualificação, com remuneração de até dois salários mínimos. Cerca de 4/5 dos empregos brasileiros estão hoje no setor terciário.

As conseqüências são dramáticas. Em 1985, perto de 3% dos brasileiros recebiam alguma transferência de renda do governo federal. Em 2014, esse percentual saltou para 26%. Mais de 1/4 da população passou a depender de pensões, aposentadorias ou de outros programas federais.

Se no final da década de 80 o país possuía 90 mil pessoas em suas penitenciárias, 30 anos depois temos perto de 900 mil brasileiros encarcerados. A prisão foi a “saída” apresentada para um crescente exército de excluídos pelo sistema.

O avião nunca cai por um único motivo. Conspiração internacional movida por interesses geopolíticos? Máquina de fake news? Corrupção? Desastre econômico? Ausência de um projeto nacional de desenvolvimento? O mais provável é que a “caixa-preta” revele a conjunção destes fatores.

Bolsonaro surfou neste insucesso apresentando-se como a negação da Nova República. Convenhamos, não foi uma tarefa difícil.

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2 comentários

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Vixen

30 de julho de 2020 às 12h43

A esquerdalha pode se preparar a dize tchau a uma boa fatia do NE e a perder as eleiçoes no primeiro turno em 2022.

https://www.youtube.com/watch?v=BPUyiUUpEcg&feature=youtu.be
https://www.youtube.com/watch?v=lIQMZRY_IDs&feature=youtu.be

E lembrem bem que sem o dinheiro da Odebrecht, da Petrobras, e de toda a porcalha que juntaram nos anos nunca mais voltam ao poder

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Jerson7

30 de julho de 2020 às 12h37

Se poucos anos de socialismo jà nao perdoam ninguem imaginem o Brasil apòs 20 anos de imundice..

Nao sobrou nada mas é de agradeçer que nao tenha se tornado uma Venezuela, escapou por pouco… muito pouco.

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