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Foto: Adriano Machado / Reuters

Governo Bolsonaro pediu propina na compra de vacina, mostra jornal

Por Redação

29 de junho de 2021 : 23h11

Roberto Ferreira Dias que é diretor de logística do Ministério da Saúde cobrou propina de US$ 1 por dose da vacina AstraZeneca para que o Governo Bolsonaro adquirisse o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford.

De acordo com a Folha, que teve contato com um dos representantes de uma vendedora de vacinas, a empresa Davati Medical Supply procurou o Ministério da Saúde para negociar cerca de 400 milhões de doses da AstraZeneca. A proposta inicial foi de US$ 3,5 por dose. Porém, depois a oferta saltou para US$ 15,5.

“O caminho do que aconteceu nesses bastidores com o Roberto Dias foi uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa”, revelou à Folha o representante da empresa, Luiz Paulo Dominguetti Pereira. A tratativa foi em um jantar no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, em 25 de fevereiro.

“Eu falei que nós tínhamos a vacina, que a empresa era uma empresa forte, a Davati. E aí ele falou: ‘Olha, para trabalhar dentro do ministério, tem que compor com o grupo’. E eu falei: ‘Mas como compor com o grupo? Que composição que seria essa?'”, relatou.

“Aí ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não compusesse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo”.

“Falei que não tinha como, não fazia, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: ‘Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma'”, detalhou.

Dominguetti falou sobre um encontro com Roberto Dias no Ministério da Saúde. De acordo com o representante, “ele [Dias] me pediu as documentações. Eu disse para ele que teriam que colocar uma proposta de compra do ministério para enviar as documentações, as certificações da vacina, mas que algumas documentações da vacina eu conseguiria adiantar”.

Mas apesar do encontro, as negociações não avançaram. “Aí ele me disse: ‘Fica numa sala ali’. E me colocou numa sala do lado ali. Ele me falou que tinha uma reunião. Disso, eu recebi uma ligação perguntando se ia ter o acerto. Aí eu falei que não, que não tinha como”.

“Aí me chamaram, disseram que ia entrar em contato com a Davati para tentar fazer a vacina e depois nunca mais. Aí depois nós tentamos por outras vias, tentamos conversar com o Élcio Franco, explicamos para ele a situação também, não adiantou nada. Ninguém queria vacina”, completou.

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2 comentários

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Daniel

30 de junho de 2021 às 09h25

A Astra Zeneca não é produzida pela Fiocruz ?

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Galinze

30 de junho de 2021 às 09h22

Escolheram esse tal de Barros como alvo no qual atirar….tudo em vista das manifestações do dia 3….ou me engano ?

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