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Imagem: Reprodução

Mamãe Falei diz que não vai disputar reeleição e fala em “pena justa”

Por Redação

08 de março de 2022 : 19h54

Nesta terça-feira, 8, o deputado estadual Arthur do Val (Podemos-SP), o Mamãe Falei, enviou uma carta aos seus colegas da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) onde anuncia que não vai disputar reeleição para o cargo nas eleições deste ano.

Mas por outro lado, ele pediu uma “pena justa” no processo de cassação que sofrerá pelos áudios sexistas sobre as mulheres da Ucrânia.

O documento escrito pelo deputado é para tentar sensibilizar os outros parlamentares no que diz respeito a pena. Vale lembrar que com a cassação, Mamãe Falei ficará inelegível por oito anos. Ele se diz compreensivo com a necessidade da Alesp aplicar uma punição que considera justa e necessária.

“Entretanto, peço encarecidamente que considere a ausência de dolo e de dano a terceiros na dosimetria da pena. Se de um lado a punição é necessária, de outro, a cassação se faz excessiva”.

Por um lado, ele admite que os áudios que enviou para amigos após viajar para Ucrânia é um “conteúdo horrendo”. Mas por outro, ele alega um “superdimensionamento” do ocorrido.

“Quero deixar muitíssimo claro que não houve nenhum tipo de assédio. Foram palavras, palavras horrorosas, desrespeitosas e desprezíveis”, afirmou.

“Estou repleto de problemas pessoais. Envergonhei minha mãe, minhas tias, minha sobrinha e perdi minha namorada. Dizem que os erros nos fazem aprender. Essa lição eu estou aprendendo do jeito mais doloroso possível”, prossegue.

“Nesta abertura de processo de cassação de meu mandato sei que há uma comoção midiática, que, por ser efêmera, passa. Mas a mancha na minha vida permanecerá”, completa. Mais cedo, ele divulgou outra carta onde pediu desfiliação ao Podemos.

Leia o texto completo!

“Serei breve e objetivo nas palavras. Desde minha volta ao Brasil minha vida mudou de cabeça pra baixo.

Errei, errei feio. Fui machista de fato, desrespeitoso e imaturo. Produzi uma peça que vai me envergonhar pelo resto da minha vida. Tanto pública quanto particularmente.

Gostaria de esclarecer em primeiríssimo lugar que a despeito do conteúdo horrendo dos áudios essa não foi a educação que eu tive em casa. Envergonhei toda minha família e principalmente a minha mãe.

Além do absurdo que foi dito nesses áudios, está havendo uma extrapolação dos fatos. Quero deixar muitíssimo claro que não houve nenhum tipo de assédio. Foram palavras. Palavras horrorosas, desrespeitosas e desprezíveis. Mas foram palavras.

Nessa missão humanitária conseguimos arrecadar R$ 275.366,20, compramos, distribuímos os donativos, ajudamos cinco brasileiros a retornar pra casa e resgatamos duas famílias de refugiados. Pai, mãe e filho. Toda prestação de contas foi enviada para a imprensa e gostaria de enviar esta prestação diretamente a todos os colegas também.

Infelizmente, minha imaturidade manchou este trabalho tão arriscado e necessário. Sei que tais palavras serão usadas contra mim para SEMPRE. E com razão!

Antes de mais nada, apresento aqui meu pedido de desculpas. Sinceras desculpas por ter feito você ter de ouvir essas palavras, desculpas por ter envergonhado o nome desta Casa e, ainda que indiretamente, ter afetado seu trabalho.

Aceito meu fardo com hombridade. Devo ser julgado, devo ser punido e vou carregar essa vergonha para o resto dos meus dias.

Estou repleto de problemas pessoais. Envergonhei minha mãe, minhas tias, minha sobrinha e perdi minha namorada. Dizem que os erros nos fazem aprender. Essa lição eu estou aprendendo do jeito mais doloroso possível.

Apesar do meu jeito combativo, midiático e às vezes exagerado, todos que convivem comigo sabem que eu tento ao máximo não ser uma pessoa desagradável. A verdade é que, além de ter aprendido muito nesta Casa, de algumas pessoas acabei me tornando mais próximo e fiz muitos amigos também. Agradeço a todos.

Nesta abertura de processo de cassação de meu mandato sei que há uma comoção midiática, que, por ser efêmera, passa. Mas a mancha na minha vida permanecerá.

Assumo e entendo a necessidade desta Casa em aplicar-me uma punição. É justo e necessário. Entretanto, peço encarecidamente que considere a ausência de dolo e de dano a terceiros na dosimetria da pena. Se de um lado a punição é necessária, de outro, a cassação se faz excessiva.

Acredito que esta Casa terá a serenidade para aplicar uma pena justa, como suas tradições sempre mostraram.

Aproveito, por oportuno, para comunicar aos colegas que não mais concorrerei ao cargo de deputado, sendo este meu último ano nesta honrosa casa legislativa.

Cordialmente,

Arthur do Val”

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3 comentários

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carlos

09 de março de 2022 às 12h54

Uma coisa é uma coisa, outra coisa, com relação à sua segurança e seu medo, de sair nas ruas o estado é responsável por sua guarda, é igual a lei da semeadura ela implacável, você colhe o que você planta não pense que você planta tomate e vai colher rabanete, pq não é assim .

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carlos

09 de março de 2022 às 11h14

A meu juízo, acho que uma suspensão, pq a regra do conselho de ética das casas legislativas, a não ser que o conselho não respeite os critérios adotados.

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Paulo

08 de março de 2022 às 22h26

Está agindo corretamente. Não merece, a meu ver, a cassação, que deveria ser reservada aos corruptos e pregadores do ódio…Dá-me a impressão nítida de que o MBL está sendo vítima de cancelamento ou “lawfare”. E estou à vontade para palpitar, pois não comungo dos pensamentos liberais do grupo, em matéria econômica. Até Bolsonaro, um reconhecido misógino, está “surfando na onda”, o que é nojento, pra dizer o mínimo…

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