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Reuters/Ueslei Marcelino/Direitos Reservados

Escândalo da Americanas pode ser só o começo

Por Redação

23 de fevereiro de 2023 : 14h19

Empresas brasileiras podem estar diante de uma onda de falências. Economia estagnada se soma a dificuldades para obter crédito nos bancos, que temem novos escândalos contábeis.

Publicado em 22/02/2023

Por Alexander Busch – Coluna Tropiconomia

DW — Já se passaram seis semanas desde o provável maior escândalo de fraude contábil da história do Brasil. Foi no dia 11 de janeiro que a rede varejista Americanas anunciou que havia irregularidades no seu balanço.

Desde então sabe-se que sumiram cerca de R$ 20 bilhões na contabilidade da empresa, a quinta maior do setor varejista. A isso somam-se dívidas da ordem de mais R$ 20 bilhões.

Tudo isso foi um choque para acionistas e para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), instituição que fiscaliza o mercado de valores. As ações da Americanas despencaram.

Ainda não está claro como foi possível uma fraude ao longo de tantos anos nem quem é o responsável por ela. Ninguém foi dar explicações publicamente: nem da parte da empresa, nem da auditoria contábil, nem da CVM, nem da Justiça.

Tudo isso surpreende, porque a Americanas era como uma empresa-modelo do mercado financeiro brasileiro. Há 40 anos que três investidores lendários dão as cartas na Americanas: são eles o suíço-brasileiro Jorge Paulo Lemann, a pessoa mais rica do Brasil, de acordo com a Forbes, com um patrimônio de 15,4 bilhões de dólares; Marcel Telles, que segundo a Forbes tem 10,3 bilhões; e Beto Sicupira, que dispõe de 8,5 bilhões de dólares.

Esse trio de investidores é considerado extremamente bem-sucedido desde que, a partir da fusão da Brahma com a Antarctica, criou a maior companhia cervejaria do mundo, a Anheuser-Busch Inbev. Ao contrário dos conglomerados de Eike Batista ou da família Odebrecht, que viraram pó por causa de corrupção e de promessas não cumpridas, o império do trio de brasileiros parecia ser sólido.

Mas agora não só a reputação deles está arranhada: as demais empresas brasileiras também estão sofrendo diretamente as consequências do escândalo.

Os bancos brasileiros não confiam mais nos balanços delas. Eles estão avaliando com rigor se algo semelhante pode se repetir em outras redes varejistas, fabricantes de bens de consumo e prestadoras de serviços, e quase não estão mais concedendo empréstimos.

De um modo geral, o que aconteceu na Americanas secou o mercado de crédito. Com uma taxa básica de juros de 13,75% ao ano, ele já não funcionava muito bem. Mesmo empresas de boa reputação e balanços sólidos estão pagando juros de 20% para seus empréstimos. Poucas conseguem obter margens de lucros desse porte.

O problema é que elas se endividaram fortemente durante a pandemia, quando a taxa de juros ainda era de 2%. O dinheiro era barato, e agora elas não conseguem pagar as dívidas.

A isso soma-se o fraco crescimento da economia neste ano: só com sorte a economia brasileira não vai estagnar em 2023. Economistas do setor financeiro esperam um crescimento de 0,8%. Isso é muito pouco para melhorar as perspectivas das empresas.

Tudo indica, portanto, que as companhias brasileiras estão diante de uma onda de falências.

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7 comentários

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Marcelo Carvalheira

27 de fevereiro de 2023 às 11h46

A maior descoberta economica do seculo: so a fraude e a corrupção fazem a economia andar ! 🤔

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Agnelo

25 de fevereiro de 2023 às 20h56

Gostaria de saber aonde está todo este dinheiro e se existe alguém que confia 100 por cento nos balanços apresentados pelas empresas, mesmo sendo auditados.

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Jorge C

24 de fevereiro de 2023 às 14h29

Painho roda a impressora que resolve…kkk

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Egle Bertholdo

24 de fevereiro de 2023 às 08h33

O tal mauricinho, pode salvar o país da ganância do atual desgoverno, que só quer passar a mão no nosso $$$, pra si mesmo ou para ajudar os cumpanheros!

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EdsonLuíz.

23 de fevereiro de 2023 às 14h54

Há mesmo, essa reflexão de como anda a saúde dos balanços e da contabilidade das empresas em geral no Brasil.

É uma reflexão que subiu muito de importância a partir da surpresa que se abriu com o escândalo das Lojas Americanas e de como esse quadro gravíssimo na contabilidade da empresa se avolumou e não foi identificado por sócios, investidores, Bancos, Fundos de Pensões com aplicações volumosas e por outros interessados e afetados.

Mas a relação que é feita quanto à dúvida que paira sobre a credibilidade da contabilidade das empresas brasileiras é com todo o processo de crise econômica que vem se arrastando até hoje desde que se a crise se explicitou a partir de 2013/2014.

Para quem se ocupa em estudar a sério e sem viés a saúde da economia brasileira, uma questão ultra-preocupante a ser respondidada é…

…Como está, no real, a contabilidade e os balanços das empresas brasileiras, imersas em uma crise que se arrasta e está explicitada faz quase uma década, face ao problema das Lojas Americanas, avolumado nos últimos 15 a 20 anos e que não foi identificado por nenhum dos interessados –Bancos, Fundos de Pensão, Acionistas-de-Referência, Agências reguladoras e outros com interesses bilionários envolvidos no caso?

Realmente, se o real da contabilidade das empresas for de fraudes para mascarar as dificuldades com as quais têm convivido há mais de década, como o caso das Americanas, como isso vai aparecer e rebater na economia?

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Helena

23 de fevereiro de 2023 às 14h35

Sem mercado consumidor não há economia que resista. As pessoas em geral não tem grana para gastar. O trabalhador sofreu um baque em sua renda com esses governos Temer e Bozó. Diante disso o comércio não vende e a economia vai pro brejo mesmo. E ainda temos que aguentar o “mauricinho” Campos Neto e sua política de juros alto.

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Alexandre Neres

23 de fevereiro de 2023 às 14h25

Adoro ler os articulistas econômicos comentando sobre o episódio Americanas, envolvendo os liberais ricaços, que deram o cano na Eletrobrás.

Nem parece que são os mesmos que comentavam as pedaladas outrora. Diante de uma motociata, eles ficam como se nada estivesse acontecendo…

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