O economista Richard Wolff aponta que o bloqueio estatizado dos Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz, junto às sanções anunciadas como “Economic Fury”, já estão condenadas ao fracasso. Ele afirma que o Irã, fortalecido pelo apoio popular interno e pela sofisticação militar, jamais será derrotado por pressão externa apenas econômica ou naval. A administração americana, para Wolff, erra ao presumir que sanções podem substituir a guerra num mundo onde China e Rússia proverão os meios de contornar essas barreiras.
O professor em economia critica a crença dos EUA de que verão uma revolta iraniana interna capaz de derrubar o regime sem necessidade de confronto militar direto. Ele chama de fantasia a idéia de que capacidades estratégicas como mísseis e drones poderiam ser eliminadas apenas com bloqueios ou sanções — o que não foi feito, segundo ele, e nem pode ser feito apenas ao custo de um conflito prolongado. Ele prevê que tais medidas estimularão alianças regionais e internacionais que isolem ainda mais Washington.
Esse debate foi exibido em 16 de abril de 2026, em vídeo no canal “Judging Freedom”, com entrevistadores Michael Hodgson e Richard Wolff. O contexto: a administração Trump implementa bloqueios navais no Estreito de Ormuz, sanciona exportações de petróleo iraniano e pressiona aliados e importadores com sanções secundárias. Wolff, ex-professor universitário com décadas de análise marxista e crítico das hegemonias capitalistas, é uma voz central em análises sobre imperialismo e economia global.
Segundo Wolff, o bloqueio naval iniciado em 13 de abril não provocará o colapso econômico iraniano porque existe uma rota alternativa via Mar Cáspio, sob controle russo, para exportar petróleo e driblar sanções. Ele destaca que China possui base industrial mais poderosa do que a dos EUA, Brasil, França e Alemanha juntos, capacidade essa que permitirá fornecer drones, mísseis e apoio logístico ao Irã. Ele insiste: os EUA não impedem transporte legal entre Irã e aliados asiáticos e russos, então a pressão econômica perderá força ao longo do tempo.
Michael Hodgson complementa que as sanções secundárias, dirigidas a importadores do óleo iraniano, visam isolar o Irã financeiramente. Mas ressalta que tais medidas exigem cooperação internacional massiva, algo que não está ocorrendo. Ele sublinha que já na Europa há recusa clara em se juntar a ações militares para garantir a liberdade de navegação no Ormuz — líderes alemães e outros mandatários recusam envolver seus países em confrontos diretos. A divergência se torna explícita no âmbito dos interesses econômicos dos países afetados pelo aumento dos preços de energia.
Wolff enfatiza que os EUA escolheram usar força militar primeiro e só recorreram ao bloqueio depois — estratégia que ele qualifica como irracional e política de desespero. A escolha militar inicial cria expectativas de coerção internacional e de eficácia que o bloqueio por si só não cumpre. Ele compara essa opção com a estratégia da Grã-Bretanha no canal de Suez, uma tentativa semelhante de impor interesses externos — que terminou em isolamento diplomático e humilhação política.
No plano interno americano, Wolff alerta para custos que inevitavelmente saltarão: déficit orçamentário crescente, alta das taxas de juros, inflação nos insumos energéticos, perda da base industrial. Ele destaca que EUA mantêm reservas de petróleo para mascarar impactos imediatos, mas não podem compensar indefinidamente o choque estrutural de produção, manufatura e competitividade causada pela retração global de quem compra seus produtos.
Wolff insiste que a estratégia dos EUA pressupõe não apenas hostilidade sistêmica, mas uma interpretação equivocada de segurança nacional: qualquer crescimento de países independentes (China, Rússia, Irã) é visto como ameaça existencial. Essa visão impede negociação e reforça a lógica de confronto. Ele vê Trump operando pela fantasia de que será possível punir China ou outros importadores, mas que, no fim, estes aceitarão condições favoráveis aos interesses americanos — o que ele considera improvável.
Entre as últimas teses, Wolff prevê que, embora EUA imponham sanções e escalem militarmente, a resistência global crescerá. Ele afirma que o mundo está reagindo negativamente aos Estados Unidos, não apenas no Sul Global mas na Europa, onde o apoio a Trump decai diante de custos econômos e perigo militar. Ele acredita que o Irã, longe de isolar-se, se consolidará como parte de um eixo estratégico com China e Rússia.
Wolff propõe que apenas uma estratégia alternativa internacional, baseada em reformas em instituições como ONU, FMI e bancos multilaterais, poderá oferecer alternativa real ao domínio dos EUA. Ele argumenta que é momento de o Sul Global e aliados repensarem sua participação no sistema econômico que legitima sanções e bloqueios unilaterais. Ele deixa claro: os Estados Unidos não vencerão essa guerra econômica porque não têm os meios industriais, econômicos nem diplomáticos para sustentar o isolamento global que tentam impor.

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