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EUA executam 180 pessoas em ataques secretos no Caribe e no Pacífico

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Ilustração editorial sobre EUA executam 180 pessoas em ataques secretos no Caribe e no Pacífico. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Os Estados Unidos conduziram, desde setembro de 2025, uma série de operações militares que resultaram na morte de pelo menos 180 pessoas em águas do Caribe e do Pacífico.

As ações foram realizadas sob o pretexto de combater o narcotráfico, no âmbito do que as autoridades chamam de Operação Lança do Sul. A iniciativa funciona igualmente como mecanismo de pressão contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de acordo com observadores regionais.

As autoridades dos EUA rotularam todas as vítimas como narcoterroristas, sem divulgar provas concretas nem registros de qualquer processo judicial. Conforme detalhado pelo portal RT, os ataques provocaram duras críticas de especialistas em direitos humanos.

O relator especial da ONU sobre direitos humanos e combate ao terrorismo, Ben Saul, classificou as ações como execuções extrajudiciais que violam o direito fundamental à vida. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que o tráfico de drogas deve ser tratado como questão de aplicação da lei — e não como cenário de conflito armado.

Türk destacou que os bombardeios não possuem qualquer respaldo no direito internacional humanitário. O jurista e politólogo equatoriano Jorge Vicente Paladines alertou que as operações equivalem à imposição sumária da pena de morte sem julgamento prévio.

Paladines ressaltou a ausência completa de detenções, de coleta de evidências e de respeito ao devido processo legal. O especialista observou que mesmo em países onde a pena de morte é aplicada por crimes de drogas, as sentenças resultam de processos judiciais formais.

As ações dos EUA violam ainda a própria legislação norte-americana, que exige aprovação congressional para operações militares no exterior. Os ataques também descumprem acordos bilaterais de cooperação antidrogas firmados com nações da América Latina.

Países como Costa Rica, Equador e Peru estabeleceram protocolos que preveem salvaguardas jurídicas e procedimentos legais nas ações conjuntas. Apesar da gravidade das violações, a reação da comunidade internacional permanece limitada.

Nem o Conselho de Segurança da ONU nem outros organismos multilaterais deram início a investigações independentes sobre os incidentes. Essa paralisia reflete o poder de veto dos EUA no Conselho de Segurança e a dependência de muitos governos em relação ao apoio econômico e militar de Washington.

Paladines advertiu que a falta de consequências pode consolidar um perigoso precedente de impunidade para ações semelhantes no futuro. O equatoriano classificou a campanha como possível crime de Estado disfarçado de guerra às drogas.

A escalada representa uma ameaça direta à soberania dos países da região e ao ordenamento jurídico internacional. Enquanto os principais holofotes da mídia global permanecem voltados para os conflitos no Oriente Médio, a operação no Caribe e no Pacífico segue com baixa visibilidade.

Especialistas temem que a normalização desses métodos extrajudiciais possa se expandir para outras áreas geográficas.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: ONU pede que EUA suspendam ataques a embarcações no Caribe e Pacífico


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