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Irã acusa EUA e Israel de crimes de guerra contra 130 mil alvos civis

65 Comentários🗣️🔥 Gharibabadi e Mirjana Spoljaric Egger em reunião em Teerã. (Foto: en.mehrnews.com) O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Legais e Internacionais, Kazem Gharibabadi, afirmou que Estados Unidos e Israel atingiram mais de 130 mil alvos civis durante a ofensiva militar contra o país. A denúncia foi feita em encontro oficial em […]

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Gharibabadi e Mirjana Spoljaric Egger em reunião em Teerã. (Foto: en.mehrnews.com)

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Legais e Internacionais, Kazem Gharibabadi, afirmou que Estados Unidos e Israel atingiram mais de 130 mil alvos civis durante a ofensiva militar contra o país.

A denúncia foi feita em encontro oficial em Teerã com a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric Egger, conforme reportou a agência Mehr News.

Gharibabadi detalhou que os bombardeios atingiram de forma deliberada áreas residenciais, hospitais, infraestruturas civis e instituições de ensino. O vice-ministro citou o ataque à Escola Minab como exemplo concreto da natureza das agressões.

O diplomata classificou as ações como crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos por Estados Unidos e Israel. Ele criticou as organizações internacionais por não aplicarem o direito humanitário de forma efetiva.

Gharibabadi afirmou que as entidades globais falharam em condenar a agressão contra o território soberano do Irã. Segundo ele, essa omissão permitiu que os agressores operassem sem qualquer restrição ou consequência.

O vice-ministro apontou ainda que países vizinhos forneceram apoio logístico ao ceder territórios e instalações para os ataques. Essa colaboração obrigou o Irã a lançar uma resposta militar proporcional para neutralizar as ameaças diretas.

Gharibabadi destacou a forte unidade do povo iraniano em apoio às Forças Armadas na defesa da pátria. O chanceler adjunto alertou que os agressores calcularam mal a resiliência e a determinação da República Islâmica.

A presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric Egger, pediu que todas as partes respeitem os princípios humanitários fundamentais. Egger, que chegou ao Irã pela fronteira terrestre de Astara, manifestou esperança de que o diálogo diplomático traga estabilidade à região.


Leia também: Irã denuncia na ONU uso de territórios vizinhos por forças dos EUA e Israel


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João Carlos Silva

29/04/2026

Gente, vi esse número de 130 mil alvos civis e fiquei pensando: será que esses dados são reais ou é mais manobra pra desviar atenção? O que eu sei é que, toda vez que tem confusão no Oriente Médio, o preço da gasolina sobe aqui na esquina e o transporte público fica ainda mais caro. No fim, quem sofre é o trabalhador que só quer chegar em casa.

John Marshall

29/04/2026

O espetáculo das cifras de vítimas revela o que Hobbes já diagnosticara: na ausência de um Leviatã global, a guerra não cessa com tratados, apenas se desloca para o campo retórico onde cada parte busca o monopólio da legitimidade. O curioso é como a denúncia de crimes de guerra oscila entre um suposto universalismo lockeano e uma seletividade que faria Marx reconhecer a velha fórmula ideológica: quem controla a narrativa da exceção humanitária controla os corpos que merecem luto. Enquanto isso, as vítimas reais permanecem soterradas sob camadas de conveniência geopolítica, e a razão liberal se mostra incapaz de arbitrar quando ela própria é parte do conflito.

Beatriz Lima

29/04/2026

É quase poético como um número tão redondo — 130 mil alvos civis — surge exatamente quando o regime iraniano precisa desesperadamente reivindicar o papel de vítima diante da opinião pública internacional. Não que eu duvide da capacidade de EUA e Israel de causar destruição massiva; a história recente do Oriente Médio está cheia de escombros com assinatura ocidental. Mas daí a aceitar esse número sem qualquer fonte independente, sem metodologia de contagem, sem discussão sobre o que caracteriza um “alvo civil” numa guerra assimétrica onde o Hezbollah e grupos afiliados operam entranhados em áreas residenciais, vai uma distância que meu ceticismo não percorre sem resistência. A credibilidade de um dado está no método, não na conveniência política de quem o divulga.

E aqui chegamos ao cerne da questão: a credibilidade de quem acusa. O mesmo regime que contabiliza 130 mil alvos civis com precisão milimétrica é o que nega acesso a observadores independentes em suas instalações nucleares e executa manifestantes sob a acusação genérica de “inimigos de Deus”. Isso não inocenta os acusados — longe disso —, mas coloca o dado sob uma luz, digamos, cromática: um número que serve tanto como denúncia humanitária quanto como cortina de fumaça para repressão interna. Não é novidade. Ditaduras de variados matizes têm uma longa tradição de inflar números de vítimas externas para desviar o olhar das que produzem em casa.

O que me intriga nessa thread, no entanto, não é a previsível polarização entre quem acredita no Irã como fonte confiável e quem reduz tudo a “esquerdismo global” (como se direitos humanos fossem propriedade de um espectro político), mas a naturalidade com que se aceita que certos corpos contam mais que outros. Quando civis são mortos por drones americanos no Iêmen ou por bombas israelenses em Gaza, uma parte do debate exige “contexto” — como se a vida perdida pudesse ser relativizada pela intenção de quem apertou o botão. Quando o acusador é um regime teocrático, subitamente descobrimos a pureza dos princípios humanitários. A régua moral não é só geopolítica, como apontou alguém aqui; ela é, acima de tudo, seletiva na hora de pesar sofrimento.

A menção ao Clube de Bilderberg em um dos comentários me fez sorrir com aquele cansaço de quem já viu esse filme muitas vezes. É reconfortante, imagino, acreditar que há um punhado de arquitetos do caos orquestrando tudo nos bastidores — confere ordem a um mundo caótico e isenta o cidadão comum da responsabilidade de entender as múltiplas causalidades históricas, econômicas e culturais que produzem conflitos. Prefiro a proposta de Walter Benjamin invocada pelo Pedro, embora desconfie que até ela possa ser cooptada como artifício retórico. A história é escrita pelos vencedores, sim, mas também é reescrita a cada manhã por qualquer um com acesso a uma plataforma e um viés bem definido.

No fim, a acusação iraniana e as reações a ela são peças de um mesmo tabuleiro onde fatos são subordinados a narrativas. Os 130 mil alvos civis podem ser verdade, podem ser exagero, podem ser uma mistura de ambos — e jamais saberemos com certeza, porque a névoa da guerra é também uma névoa de propaganda. O verdadeiro crime de guerra talvez seja transformar mortos em argumento. Mas isso, convenhamos, todo lado faz com impressionante desenvoltura.

Marcos Conservador

29/04/2026

Esses números são tão confiáveis quanto a palavra de um regime que apedreja mulheres e enforca homossexuais. O verdadeiro crime de guerra é o esquerdismo global que fecha igrejas e persegue cristãos enquanto passa pano pra ditadura islâmica.

    João Carvalho

    29/04/2026

    É curioso como a defesa retórica dos direitos humanos se torna incrivelmente seletiva quando o acusador precisa desviar o olhar dos crimes de guerra cometidos por potências ocidentais — como se a régua moral tivesse validade geopolítica. Essa instrumentalização do sofrimento de mulheres e minorias sexuais para blindar políticas imperialistas não fortalece a causa dos direitos humanos, apenas escancara o velho hábito colonial de usar valores universais como moeda de troca ideológica.

Evelyn Olavo

29/04/2026

Lucas, sua tentativa de equilíbrio é ingênua. Esse teatro de acusações mútuas é cortina de fumaça para o Grande Reinício, como bem afirma o memorando do Clube de Bilderberg: “o caos administrado exige inimigos simétricos”. Enquanto vocês discutem cifras maquiadas, os arquitetos do topo da terra plana já redesenham as zonas de sacrifício civil.

    Pedro Almeida

    29/04/2026

    Evelyn, reduzir a tragédia a um roteiro do Clube de Bilderberg é o espelho invertido do maniqueísmo que você denuncia: troca-se a análise concreta das relações de poder por uma mitologia de arquitetos ocultos. Como lembrava Walter Benjamin, a história é escrita pelos vencedores, mas isso não significa que seja redigida por um comitê secreto — é a luta de classes, com suas contradições reais e sangrentas, que produz as zonas de sacrifício que você atribui a um conselho de iluminados.

Adriana Silva

29/04/2026

Faz o L e vai pra Cuba agora ver se os 130 mil viram 130 milhões, bando de comunista defensor de ditadura.

    Cecília Silva

    29/04/2026

    Adriana, teu comentário conseguiu a proeza de não acrescentar absolutamente nada sobre o tema e ainda despejar um clichê tão raso que nem os tiozinho do zap tão usando mais. Enquanto você fica nesse deboche vazio, aqui na favela a gente sabe bem o que é ser tratado como número descartável — seja por drone americano ou por bala perdida da PM.

Lucas Alves

29/04/2026

130 mil alvos civis é um número redondinho demais pra ser verdade, né? O problema é que tanto quem acredita cegamente quanto quem descarta de cara tá usando o mesmo método: escolher os fatos que confirmam o próprio viés. No fim, essa guerra de propaganda só serve pra enterrar ainda mais qualquer chance de investigação independente.

Marcus Almeida

29/04/2026

O Irã agora posa de vítima enquanto financia grupos terroristas e persegue cristãos, tudo com a conivência de quem fecha os olhos para regimes que odeiam os valores judaico-cristãos. A Bíblia ensina que pelos frutos se conhece a árvore, e os frutos de Teerã são morte e mentira. Não surpreende que a esquerda brasileira se curve a esse tipo de ditadura, repetindo a velha cartilha de quem chama o mal de bem e o bem de mal.

Maria Silva

29/04/2026

Esse número de 130 mil civis é mais inflado que carcaça de boi no pasto depois de três dias no sol. O Irã aponta o dedo sujo pros outros mas esquece que a mão inteira tá mergulhada no sangue de gente inocente que eles mesmos trucidaram. Quem dá ouvidos pra ditadura sanguinária de Teerã já perdeu o último parafuso da cabeça. E sobre o que o Márcio ali falou, ceticismo com esses números é o mínimo — eu chamo de instinto de sobrevivência de quem já viu muita cascavel se passando por minhoca.

Mariana Costa

29/04/2026

É preocupante quando qualquer governo lança números tão específicos sem a devida comprovação internacional, mas isso não diminui a gravidade das denúncias. A dificuldade é que, em contextos de conflito, a propaganda se mistura com fatos e a verdade acaba sendo a primeira vítima. Precisamos de investigação independente, e não de bravatas de lado nenhum.

Márcio Torres

29/04/2026

A acusação do Irã é grave, e negar sua gravidade seria desonesto. Mas o ceticismo que aplico a alegações de governos ocidentais não pode ser suspenso quando a fonte é Teerã. Os 130 mil alvos civis mencionados pelo vice-ministro Gharibabadi formam um número de grande efeito retórico — e justamente por isso exigem escrutínio. O governo iraniano tem um longo histórico de inflar estatísticas de baixas para consolidar uma narrativa de resistência e martírio, assim como Washington e Tel Aviv subestimam danos colaterais para preservar a fachada de precisão cirúrgica. A verdade, em conflitos assimétricos, costuma ser a primeira baixa, e a contabilidade de corpos civis vira munição em uma guerra paralela de propaganda.

Observo que a presente thread já ilustra o problema de forma quase didática. De um lado, o comentário do Lucas Pinto, com seu jargão sobre economia política da verdade, ao menos sinaliza que fatos brutos não chegam até nós sem mediação. De outro, Adalberto Livre oferece uma caricatura que dispensa qualquer esforço cognitivo: o Irã mente porque é “comunista terrorista”, e pronto. Essa atitude é uma espécie de fundamentalismo invertido, que atribui à palavra do oponente uma falsidade intrínseca, dispensando qualquer verificação. O curioso é que, subjacente à gritaria, há um ponto mais sutil que quase ninguém aborda: o que exatamente o regime iraniano classifica como “alvo civil”? Se incluírem membros de milícias aliadas ou combatentes sem uniforme, o número se torna maleável, e 130 mil pode representar uma mistura de vítimas genuínas e combatentes convenientemente reclassificados. Já vimos esse truque estatístico sendo usado por diversos atores, do Afeganistão ao Iêmen, e a ausência de acesso a verificadores independentes na região só agrava o problema.

O equívoco não está em duvidar do governo iraniano — duvidar de Estados é, afinal, o padrão racional. O equívoco está em substituir um viés por outro, transformando a análise factual em torcida organizada. Rick Ancap, com seu “tanto faz 130 mil ou 130 milhões”, comete um erro simétrico: ao igualar todas as magnitudes, dissolve qualquer distinção entre uma operação pontual e um genocídio, e assim, paradoxalmente, imuniza tanto os excessos de Israel quanto os do Irã contra qualquer crítica concreta. Se toda violência estatal é um bloco indistinto, não há como responsabilizar ninguém por ações específicas. É uma forma de niilismo político que, por debaixo da pose radical, acaba servindo de álibi para a impunidade.

A ironia maior é que a acusação de “crimes de guerra”, tanto quanto os mísseis que a motivaram, se tornou um instrumento de desgaste geopolítico. O Irã sabe que dificilmente verá um tribunal internacional condenar Israel ou os EUA com base nesses números; o objetivo é manter aceso o discurso de vitimização e deslegitimar o adversário perante o sul global. O Ocidente, por sua vez, reage com indignação seletiva quando as mesmas acusações partem de Gaza ou do Iêmen. Meu ponto não é negar que civis morreram — certamente morreram, e cada morte inocente é uma atrocidade. Mas acreditar cegamente na cifra de 130 mil, sem questionar metodologia, definição e interesse político, é tão anticientífico quanto crer que a Terra foi criada em seis dias. O ceticismo bem aplicado desconforta todos os lados, e insisto que é exatamente isso que uma discussão honesta exige.

Adalberto Livre

29/04/2026

IRRA É PAÍS DE COMUNISTA TERRORISTA, TÃO INVENTANDO MORTE PRA VITIMISMO, TUDO MENTIRA DA MÍDIA ESQUERDOPATA

    Marcos Andrade Niterói

    29/04/2026

    Adalberto, reduzir 130 mil mortes de civis a “vitimismo comunista” é o mesmo reflexo tosco de quem chama qualquer obra de infraestrutura de “gasto esquerdista” sem nunca ter pisado numa favela sem saneamento. O vazio de argumento se disfarça de convicção aos berros, e você é a prova viva disso.

Rick Ancap

29/04/2026

Estado é câncer, 130 mil mortos ou 130 milhões, tanto faz, o problema é sempre o mesmo: monopólio da violência.

    João Augusto

    29/04/2026

    Reduzir a diferença entre 130 mil e 130 milhões a um “tanto faz” é desistir da análise concreta da violência que o Estado exerce, como se ela fosse uma essência abstrata. O próprio Marx, que você imagina superar, mostrou que o monopólio da força nunca é um bloco uniforme: ele se materializa em formas específicas de dominação imperialista, e são justamente os corpos contados que desmascaram a economia política por trás da pilha de escombros.

Lucas Pinto

29/04/2026

O que esta thread deixa claro, mais do que o número estarrecedor de 130 mil alvos civis, é como funciona a economia política da verdade no capitalismo tardio. Há uma hesitação quase automática, um reflexo condicionado que exige auditoria, verificação, balancete – exatamente como o mercado exige de quem pleiteia crédito. Mas o crédito de humanidade, quando se trata de populações que estão fora da órbita de acumulação do capital ocidental, é sempre negado de antemão. A dúvida cartesiana que o Paulo Ribeiro menciona não é um exercício filosófico neutro: ela opera como aquilo que Foucault chamaria de dispositivo de poder, um mecanismo que define quais corpos são passíveis de luto e quais são apenas números sob suspeita. A metodologia contábil exigida é, em si mesma, um ato de violência epistêmica – pressupõe que o sofrimento do outro precisa ser validado pelo arcabouço técnico do opressor para existir como fato.

O desvio proposto pelo Carlos, com seu “número de guerra eu só con…”, é sintomático daquilo que Gramsci descreveria como a fragmentação da consciência de classe operada pela hegemonia burguesa. Enquanto a intelectualidade pequeno-burguesa fica na contabilidade de “impostos escorchantes” como se a pátria fiscal fosse a única arena de luta, o imperialismo segue destruindo infraestrutura civil inteira no Oriente Médio com a anuência silenciosa dos mesmos setores que depois se dizem preocupados com “a máquina pública inchada”. Essa compartimentalização do sofrimento – “cada um cuida do seu” – é exatamente o que impede uma frente internacionalista contra o capital. A Cecília, com sua sensibilidade cristã, tem razão ao apontar a frieza; o problema é que o cristianismo real, como instituição histórica, nunca precisou de balancete para abençoar bombas quando se tratava de inimigos geopolíticos de Roma ou Washington. Continua sendo o ópio que anestesia a consciência crítica, agora vestido de compaixão seletiva.

A provocação da Mariana vai ao coração da questão: por que 130 mil vidas do lado “errado” do tabuleiro provocam automaticamente suspeita? Porque a máquina de produção de consentimento, tão bem analisada por Chomsky e Herman, estabeleceu uma hierarquia de vítimas. Há as vítimas “legítimas” – ucranianas, israelenses, europeias – cuja morte é um ultraje que exige ação imediata e cobertura 24 horas; e há as vítimas “ilegítimas” – palestinas, iemenitas, iranianas – cujo assassinato em massa deve ser contextualizado, relativizado, submetido ao tribunal da dúvida metodológica. Não se trata de ingenuidade; é o funcionamento cotidiano do imperialismo em sua fase de dominação ideológica. O Ocidente não precisa negar os fatos; basta criar uma moldura epistemológica onde eles nunca cheguem a ser fatos de verdade. A própria linguagem dos comentários – “número inflado”, “metodologia questionável” – replica acriticamente o jargão do Departamento de Estado.

E aqui chegamos ao papel do ateísmo em chave materialista: recusar qualquer transcendência que justifique a morte, inclusive a transcendência secularizada da “missão civilizatória” ou dos “valores democráticos” que os EUA e Israel alegam defender bombardeando hospitais e redes elétricas. Os 130 mil alvos civis não são almas que ascenderão ao paraíso, nem mártires de uma causa abstrata; são seres humanos privados de sua materialidade mais elementar – teto, água, comida, vida – pela operação combinada de capital financeiro e complexo industrial-militar. Denunciar o crime de guerra não exige simpatia pelo regime iraniano, exige reconhecer que a soberania alimentar, energética e territorial é condição para qualquer projeto de emancipação dos povos, e que o imperialismo a destrói sistematicamente.

Por fim, é preciso entender que a própria categoria de “alvos civis” já é uma concessão ao enquadramento militarista que deveríamos rejeitar. Não são “alvos”, são vidas. Enquanto debatemos números, a máquina de guerra segue moendo corpos e chamando de efeito colateral aceitável. A tarefa de uma crítica materialista é furar essa bolha asséptica de linguagem, expor os mecanismos que fazem a morte de milhares parecer uma abstração metodológica. E recusar o chamado à cumplicidade pela indiferença que ronda cada comentário que decide olhar para o próprio umbigo fiscal enquanto civis são transformados em cinzas do outro lado do mundo.

Mariana Oliveira

29/04/2026

Enquanto leio essa thread, o que me atravessa não é a contagem exata dos corpos, mas o incômodo revelador que o número provoca: por que 130 mil vidas enumeradas pelo lado “errado” do tabuleiro geopolítico causam automaticamente suspeita metodológica, enquanto as mesmas cifras enunciadas por Washington ou Tel Aviv seriam absorvidas como tragédia incontestável? A questão não é de auditoria contábil, é de humanidade condicionada. Cada corpo civil que tomba em Gaza, no Iêmen ou em território iraniano é lido pelo Norte global com lentes diferentes das que se usam para chorar os mortos “ocidentais”. Essa triagem racializada do sofrimento é o que bell hooks chamaria de hierarquia do valor humano — estruturas que definem, de antemão, quem merece ser pranteado e quem já nasce narrativamente descartável.

O movimento que alguns colegas fazem aqui de reduzir o debate à “metodologia questionável” ou desviá-lo para reclamações sobre carga tributária brasileira revela o que Kimberlé Crenshaw descreveu como cegueira interseccional — a incapacidade de enxergar como sistemas de opressão se sobrepõem e se retroalimentam. Não existe contradição entre denunciar a violência imperial contra o Irã e criticar as violências do próprio Estado iraniano, assim como não há incoerência em nomear o racismo estrutural brasileiro enquanto se aponta o genocídio palestino. A insistência em hierarquizar pautas “mais urgentes” ou “mais nossas” só serve a quem se beneficia da fragmentação das lutas. Esses 130 mil alvos civis não são uma abstração geopolítica distante — são corpos racializados que o Ocidente insiste em tratar como danos colaterais aceitáveis, exatamente como o Estado brasileiro trata as vítimas das favelas e periferias.

Aliás, gostaria que alguém nessa discussão tivesse coragem de nomear o gênero dessas vítimas. Quando falamos em “alvos civis”, estamos falando majoritariamente de mulheres, crianças, pessoas idosas — os corpos que qualquer conflito armado devora primeiro e com mais voracidade. A guerra é um projeto patriarcal que se alimenta da desumanização dos corpos feminizados e racializados. As mesmas infraestruturas que a força militar estadunidense e israelense destrói — hospitais, escolas, redes de água potável — são sustentáculos do trabalho reprodutivo e do cuidado, historicamente relegado às mulheres. Cada bomba que atinge um bairro residencial em Teerã ou Damasco é também um ataque direto à rede de proteção que mantém a vida possível. O imperialismo e o patriarcado não são sistemas paralelos: são o mesmo projeto de dominação operando em frentes distintas.

O comentário de Cecília, ainda que parta de uma chave cristã que não é a minha, acerta num ponto fundamental: a frieza contábil com que tratamos mortes de populações não-ocidentais é sintoma de uma patologia ética profunda. Mas acrescento que essa patologia tem endereço certo. O que o vice-ministro iraniano denuncia não é apenas um crime de guerra — é a continuidade de uma lógica colonial que bell hooks desmontou ao mostrar como o olhar imperial transforma o “outro” em coisa mensurável, auditável, descartável. Cento e trinta mil alvos não são um número: são a prova de que o direito internacional humanitário opera com dois pesos e duas medidas, e de que o luto segue sendo um privilégio racial e geopolítico.

Encerro com uma provocação para quem insiste em reduzir esse debate a uma questão de “confiabilidade da fonte”: por que o padrão de exigência probatória é sempre mais alto quando a denúncia parte de países do Sul global? Por que a dúvida cartesiana só opera numa direção? A epistemologia ocidental, como feministas decoloniais vêm apontando há décadas, instituiu-se como árbitro universal da verdade justamente para deslegitimar saberes e narrativas que ameaçam seu projeto de dominação. Questionar os números do Irã enquanto se aceita acriticamente os comunicados do Pentágono não é ceticismo — é adesão à máquina imperial de produção de realidade. A pergunta que fica não é quantos morreram, mas por que algumas mortes precisam ser incessantemente provadas enquanto outras são simplesmente sentidas como verdadeiras.

Carlos Rocha

29/04/2026

Confesso que já entrei nessa thread cansado. Enquanto debatedores de Twitter ficam aqui fazendo contabilidade de bomba alheia, no Brasil o Estado segue sangrando o bolso de quem produz com impostos escorchantes para financiar máquina pública inchada. Número de guerra eu só confiro quando vem com balancete auditado — e o regime iraniano não é exatamente uma democracia transparente. Quem se preocupa com 130 mil alvos civis em Teerã deveria olhar primeiro o rombo de 130 bilhões no orçamento público daqui.

    Cecília Ramos

    29/04/2026

    Carlos, não é preciso que um regime seja uma democracia transparente para que as vidas que ele abriga tenham valor. Reduzir o sofrimento de 130 mil civis a um “balancete auditado” é de uma frieza que, como cristã, me faz questionar a quem realmente servimos quando colocamos a contabilidade fiscal acima da dor humana — seja ela no Irã ou no Brasil. A justiça de Deus não faz essa hierarquia geográfica.

Luizinho 16

29/04/2026

Ah claro, 130 mil alvos civis é sempre “número inflado” ou “metodologia questionável” quando quem denuncia é o lado que os EUA querem demonizar. Pedro Neto ali destilando o puro suco do complexo de vira-lata imperial.

Paulo Ribeiro

29/04/2026

É sintomático que a primeira reação de muitos ao número estarrecedor mencionado pelo vice-ministro iraniano seja a dúvida cartesiana sobre a metodologia contábil, como se a legitimidade do sofrimento dependesse de uma auditoria certificada pelo mesmo aparato que perpetra os bombardeios. Essa ânsia por “corroboração independente”, tão bem capturada nas entrelinhas da thread, opera como um dispositivo ideológico que transforma vidas humanas em cifras a serem validadas ou descartadas conforme conveniência geopolítica. A tecnocracia humanitária que exige certidão de óbito com firma reconhecida para cada criança esmagada sob escombros é, ela mesma, parte da maquinaria que naturaliza a guerra assimétrica, precisamente o ponto que Mateus Silva começou a esboçar e que merece ser expandido com o rigor que a gravidade do tema impõe.

Quando leio relatos como este, recorro a Gramsci para entender a hegemonia que faz com que olhos ocidentais enxerguem com lentes distintas o sangue derramado: o luto por um corpo branco europeu é escandaloso; por um corpo palestino, iemenita ou iraniano, uma externalidade aceitável da “guerra ao terror”. A fabricação do consenso, tema tão caro ao marxista sardo, passa pela internalização de que certas vidas são descartáveis a priori — e quem ousa apontar essa hierarquização é sumariamente acusado de antissemitismo ou apologista de teocracias. Não se trata de endossar o governo de Teerã, com suas próprias e graves contradições internas que nenhum internacionalista sério ignora, mas de recusar a chantagem moral que nos obriga a calar diante de 130 mil alvos civis sob a alegação de que a fonte é “suspeita”. A dúvida metódica, quando convertida em seletividade política, torna-se cúmplice silenciosa da barbárie.

A discussão contábil é uma armadilha que nos afasta da análise estrutural que Althusser nos legou: os aparelhos ideológicos de Estado não se limitam às fronteiras nacionais; operam em escala global para legitimar intervenções militares como missões civilizatórias. A imprensa corporativa, a academia subserviente e as agências multilaterais capturadas pelo capital financeiro formam uma frente única que transforma agressão em “direito de defesa” e resistência em “terrorismo”. Quando Pedro Neto ironiza sobre a “fábrica de dossiê”, talvez sem se dar conta, ecoa exatamente o ceticismo seletivo que a máquina de propaganda imperial quer incutir: duvide-se de tudo que venha do Sul Global, mas jamais questione os press releases do Pentágono. É a velha lição althusseriana: a ideologia interpela os indivíduos como sujeitos, e nessa interpelação reside a eficácia de um sistema que naturaliza a morte de povos inteiros.

Mariátegui, pensando a condição periférica a partir da América Latina, já alertava que o imperialismo não é apenas econômico, mas profundamente epistêmico: ele decide o que pode ser conhecido, quem pode falar e quais mortes podem ser choradas. O dado dos 130 mil alvos civis pode ser impreciso? Possivelmente — em meio a escombros, toda contagem é precária. Mas a verdade essencial, que o comentarista Ronaldo Silva captou com sua intuição de classe ao mencionar “quem se ferra é sempre o mais pobre”, permanece intacta: há décadas as populações do Oriente Médio são submetidas a uma violência sistemática que o Norte global normaliza sob eufemismos como “danos colaterais”. Quando um trabalhador brasileiro sente o aumento da gasolina e naturaliza bombardeios como pano de fundo distante, a alienação está completa: não percebe que o mesmo sistema que extrai petróleo com sangue alheio é o que precifica o gás de sua cozinha. A desconexão entre causa e efeito é o triunfo máximo da ideologia dominante.

A tarefa do intelectual orgânico, nesse contexto, não é fornecer respostas tranquilizadoras, mas desmontar os mecanismos que tornam suportável o insuportável. Que venham as acusações de parcialidade: a imparcialidade é o mito fundador de uma ordem que se pretende universal mas é visceralmente colonial. Contemos os mortos, sim, mas recusemos a contabilidade que os transforma em estatística fria para editorial de jornal. Cada um daqueles 130 mil “alvos” tinha nome, afetos, projetos interrompidos — e nenhuma chancela de Washington ou Telavive terá o poder de apagar essa verdade histórica. A luta contra o imperialismo começa pela recusa em aceitar que o valor de uma vida humana seja indexado ao passaporte que carrega.

Cláudio Ribeiro

29/04/2026

O que salta aos olhos nessa cobertura não é a cifra em si, mas a forma como o Ocidente administra o luto seletivo: há vidas que merecem ser contadas e outras que já nascem descartáveis na gramática imperial. Enquanto a tecnocracia humanitária exige corroboração independente para cada corpo sírio, palestino ou iraniano, as baixas civis promovidas pela aliança atlântica seguem como externalidades lamentáveis, mas inevitáveis — é o necropoder operando com a frieza contábil que Foucault denunciaria como biopolítica às avessas. O verdadeiro crime de guerra não está apenas nos escombros de Teerã ou Gaza, mas na arquitetura discursiva que transforma o sofrimento do outro em ruído estatístico.

Pedro Neto

29/04/2026

130 mil alvos civis? Só acredito se for a mesma fábrica de dossiê que abastece o STF.

Ronaldo Silva

29/04/2026

Todo mundo apontando o dedo pra todo mundo e quem se ferra é sempre o mais pobre, aqui ou no meio do deserto. Enquanto isso a gasolina sobe, o gás sobe e a gente vendo notícia de guerra como se fosse novela. Esse tanto de alvo civil é só mais um número pra quem nunca pegou um volante às 5 da manhã pra tirar o sustento.

Mateus Silva

29/04/2026

Fernando O. levanta um ponto metodológico válido, mas a obsessão com a exatidão contábil do número frequentemente serve de biombo para não se discutir o essencial: a normalização do sofrimento civil como externalidade aceitável de uma guerra assimétrica. Enquanto o debate se afoga em planilhas, a hegemonia segue produzindo seu consenso manufaturado — Gramsci já explicava que a violência verdadeiramente eficaz é a que dispensa justificativa. O dado do Irã pode ser instrumento, mas o silêncio sobre os escombros também é.

Fernando O.

29/04/2026

130 mil alvos civis é um número estratosférico, e adoraria ver de onde saiu essa conta — porque vindo de um governo que executa manifestantes e prende jornalista, fica difícil levar qualquer estatística a sério sem corroboração independente. Mas o Zé Trovãozinho reduzindo tudo a torcida organizada de Cuba, Venezuela e STF é o tipo de caricatura que só reforça o delírio bolsonarista de enxergar comunismo até em denúncia de bomba.

Zé Trovãozinho

29/04/2026

O Irã dando lição de moral é de lascar. Deve ser parceiro da Venezuela e de Cuba do Norte, tudo farinha do mesmo saco. Certeza que o STF aplaude.

    Samara Oliveira

    29/04/2026

    Zé, reduzir a denúncia de 130 mil alvos civis a um meme de torcida organizada é desviar o olho da ferida que realmente importa. Minha fé não me pede para escolher entre o Irã e os EUA, mas para enxergar o corpo sofrendo embaixo dos escombros — e nesse corpo não tem bandeira, tem gente.

Ahmed El-Sayed

29/04/2026

Marina, seu zelo de missionária contra o Irã me espanta menos que o silêncio sobre o que Washington e Tel Aviv fazem com gente de carne e osso. Falam de enforcamento enquanto bombardeiam mesquitas, hospitais e cortam água de milhões — que moral secular é essa que se diz superior à lei de Deus? O Estado laico ocidental exporta morte com planilha de auditoria, e ainda quer dar aula de direitos humanos.

Marina Costa

29/04/2026

Renata quer “ética cristã sem lado” como se Hitler e Churchill merecessem o mesmo pano quente. Acorda, irmã: o Irã é um regime que enforca pastores e trata mulher como propriedade. Nem tudo que reluz é neutralidade — às vezes é só covardia espiritual bem maquiada.

    Ronaldo Pereira

    29/04/2026

    Marina, essa retórica de “regime que enforca pastores” é a mesma que o patronato usou pra criminalizar a greve dos petroleiros em 95 — enquanto a mídia falava de baderna, as planilhas da Repsol mostravam lucro recorde com hora extra não paga. Quem tá morrendo sob as bombas não é o aiatolá de turbante, é o peão da refinaria de Abadã que bate cartão 12 horas por dia — e esse trabalhador, companheira, merece solidariedade de classe, não sanção seletiva disfarçada de preocupação moral.

Silvia D.

29/04/2026

Enquanto tentam auditar planilhas de danos, eu penso nos prontuários que ninguém vai abrir. Destruir infraestrutura civil é condenar gente à morte lenta por falta de antibiótico, insulina, vacina – uma agressão que não aparece na foto do míssil, mas aparece na fila do posto de saúde.

Nadia Petrova

29/04/2026

Interessante como a thread já se dividiu entre torcida organizada pró e contra antes mesmo de qualquer investigação independente, cada lado inflando ou desinflando números conforme a conveniência. No fim, a única métrica que realmente deveria importar é a dolorosamente simples: gente inocente morta enquanto debatemos papelada.

João Pereira

29/04/2026

A Miriam tocou num ponto prático que ninguém quer encarar: métricas infladas servem tanto à propaganda quanto a negação automática do outro lado. O problema não é só a papelada impossível de auditar, é que a gente escolhe acreditar ou rechaçar números conforme a simpatia geopolítica do momento. Se fossem civis na Ucrânia, os mesmos que duvidam estariam citando os dados como prova irrefutável — e é essa seletividade que mantém o cinismo funcionando.

Renata Oliveira

29/04/2026

É desanimador ver a discussão se perder em números e métricas enquanto seguimos ignorando o sofrimento humano que existe por trás de cada ataque. Como cristã, acredito que a verdadeira ética não escolhe lado — ela se curva diante da dor de qualquer inocente, seja no Irã, em Israel ou em qualquer canto do mundo. A polarização instantânea só revela o quanto estamos deixando a compaixão de lado.

Mariana Alves

29/04/2026

É sintomático que o debate tenha se enredado, desde os primeiros comentários, em uma querela sobre a verificabilidade numérica das denúncias iranianas, como se a legitimidade da acusação de crimes de guerra dependesse exclusivamente de uma métrica administrativa impecável. A colega Miriam, ao mencionar a papelada que uma denúncia dessas exigiria, toca sem querer num ponto nevrálgico: a racionalidade burocrática que, sob o manto da neutralidade técnica, opera como dispositivo de soterramento da violência. A exigência de uma auditoria imaculada antes de qualquer juízo político não passa da versão contemporânea daquilo que os juristas críticos chamam de legalidade fetichizada — a crença de que o direito internacional, com seus protocolos e formulários, pode substituir a análise concreta das relações de poder que estruturam o sistema-mundo. Ocorre que, quando os mortos são contados no Oriente Médio, na África ou na periferia latino-americana, o rigor contábil costuma ser invocado justamente para adiar indefinidamente qualquer responsabilização.

A intervenção de Diego Fernández, que conecta o discurso do dano colateral à experiência histórica do Cone Sul, merece ser levada às últimas consequências teóricas. Não se trata apenas de uma coincidência retórica entre a justificação dos bombardeios em Gaza ou no Irã e aquela que sustentou as ditaduras militares latino-americanas. Trata-se da mesma matriz ideológica que, desde a constituição do direito internacional moderno, distingue vidas dignas de luto — para usar a expressão de Judith Butler — daquelas que podem ser eliminadas sem que sua morte configure um evento político. A categoria de dano colateral é a tradução técnico-militar dessa hierarquização ontológica: despolitiza a morte do civil não-ocidental ao inscrevê-la no campo do inevitável, do acidental, do residual. O comentário de Fernanda Oliveira, ao denunciar o tesão pela morte que emerge em certas falas, aponta para a dimensão pulsional que acompanha essa operação discursiva — e que a psicologia social, desde Frantz Fanon, sabe ser constitutiva da relação colonial.

É preciso entender que a desumanização do outro não é um efeito colateral da guerra, mas sua condição de possibilidade. Quando o Sargento e o Celio — para evocar os personagens mencionados na thread — afirmam que 130 mil alvos civis é pouco pelo que o Irã merece, eles não estão apenas expressando uma opinião moralmente condenável. Estão explicitando, com uma franqueza quase didática, o núcleo duro da racionalidade imperial: a redução de populações inteiras ao estatuto de alvo, a conversão da vida em dano aceitável, a naturalização da violência como linguagem única das relações internacionais. O neoliberalismo, que tantos insistem em apresentar como doutrina da paz e do livre-comércio, revela aqui sua face marcial — a guerra permanente como princípio organizador da acumulação capitalista em sua fase contemporânea.

O que está em jogo nesse debate, portanto, não é a precisão do número 130 mil, mas a luta pelo enquadramento simbólico da violência. A contabilidade forense do horror, mencionada por Letícia Fernandes, funciona como um mecanismo de captura: enquanto discutimos se foram 120 mil ou 130 mil, a estrutura que produz essas mortes permanece intacta, operando com a mesma eficácia silenciosa. A esquerda acadêmica tem a responsabilidade de recusar esse enquadramento, de não aceitar que o debate seja reduzido a uma auditoria técnica sobre o que é ou não verificável segundo os critérios dos próprios perpetradores. O direito internacional, como ensinou a tradição crítica que vai de Evguiéni Pachukanis a China Miéville, não é uma ferramenta neutra que paira acima das classes e das nações; é um campo de batalha jurídico-político onde as potências centrais impõem suas categorias ao mesmo tempo em que violam suas próprias normas.

Termino com uma provocação que me parece incontornável: enquanto a esquerda brasileira continuar tratando a política externa como um espetáculo de torcidas organizadas — o tal Fla-Flu geopolítico mencionado pelo Carlos — e não como uma análise estrutural das cadeias globais de violência que sustentam o modo de produção vigente, seguiremos presos nessa armadilha discursiva. A solidariedade com as vítimas do imperialismo não pode depender de simpatias culturais ou religiosas, nem se esgotar na denúncia retórica que se satisfaz com o próprio radicalismo verbal. Ela exige um trabalho teórico paciente de desnaturalização das categorias que tornam a morte de milhões um dado estatístico sobre o qual se exige papelada — e cuja contestação, quando parte do Sul global, é recebida com a eterna suspeita da parcialidade.

Miriam

29/04/2026

Fico pensando na papelada que uma acusação dessas deve gerar. 130 mil alvos documentados exigiria um processo administrativo impossível de auditar com isenção. Enquanto isso, a galera aqui já tá batendo palma ou vaiando antes mesmo de qualquer relatório oficial ser protocolado.

Diego Fernández

29/04/2026

Esse papo de “dano colateral” é velho conhecido na América Latina – todo regime que o império quer derrubar vira alvo legítimo, e a população civil que se exploda. O Sargento e o Celio repetem a mesma lengalenga que justificou as ditaduras no Cone Sul: desumanizar o outro pra justificar atrocidade. E a dívida externa que sangra nosso orçamento financia exatamente esse complexo militar que eles defendem com tanto gosto.

Fernanda Oliveira

29/04/2026

O Celio e o Sargento mal conseguem esconder o tesão por morte de civil quando a vítima não é branca e ocidental — “é pouco pelo que merecem” é frase de quem desumanizou completamente um povo inteiro. Depois essa gente ainda quer dar lição de moral sobre soberania enquanto defende extermínio seletivo. A seletividade da “civilização” que eles tanto amam sempre foi essa: bombas para uns, apedrejamento moral para outros.

Carlos A. Mendes

29/04/2026

Olha, essa briga de números é quase impossível de verificar, mas é triste que a discussão já esteja tomando lado antes de entender o que de fato aconteceu. No fim, quem paga o pato sempre é a população civil, e ficar nesse Fla-Flu geopolítico não resolve porra nenhuma.

Letícia Fernandes

29/04/2026

É curioso — e sintomático — que a discussão inicie por uma espécie de contabilidade forense do horror, como se a diferença entre 120 mil e 130 mil alvos civis pudesse, por si mesma, validar ou invalidar o estatuto de crime de guerra. Essa fixação numérica, visível no comentário que abre a thread e ecoada com escárnio logo adiante, revela o quanto a razão instrumental, já identificada por Adorno e Horkheimer, colonizou até mesmo a experiência do sofrimento alheio: tudo precisa ser quantificável para que possa ser, em seguida, desqualificado pela suspeita da inexatidão. A denúncia do Irã, neste caso, não é apenas um expediente geopolítico; ela expõe uma ferida subjetiva coletiva que o Ocidente se recusa a reconhecer, pois admitir que corpos periféricos merecem luto seria desmontar a ficção que sustenta a superestrutura jurídica e moral do imperialismo. A tragédia, então, transforma-se em ruído estatístico, e a indignação seletiva ocidental se torna o verdadeiro sintoma a ser analisado.

A postura que escarnece da vítima sob o argumento de que “apedreja mulher” e “financia terrorista” — apresentada com uma virulência que beira o gozo sádico — é, ela própria, uma manifestação patológica da ideologia burguesa em sua fase mais rebaixada. Ao reduzir um país inteiro, com sua complexidade histórica e contradições internas, a uma caricatura de fanatismo, essa perspectiva opera o que a psicanálise nomearia como foraclusão do real: apaga-se o sofrimento concreto de milhares de corpos bombardeados, substituindo-o por uma representação demonizada que justifica retroativamente toda violência. Não se trata de defender o regime dos aiatolás — uma teocracia autoritária jamais foi meu projeto emancipatório —, mas de constatar que o discurso islamofóbico é um dispositivo central da máquina de guerra imperialista, o mesmo que permitiu a destruição do Iraque, da Líbia e da Síria sem que as consciências ocidentais experimentassem sequer um arranhão moral. Afinal, a necropolítica, como nos ensina Mbembe, não prescinde de um Outro radicalmente desumanizado sobre o qual o poder soberano possa exercer seu direito de morte sem culpa.

Sobre essa arquitetura de silenciamento, o comentário de Lucas Andrade toca numa questão crucial ao expor a produção discursiva do “contribuinte” como uma subjetividade que se crê lesada enquanto seu mutismo legitima a máquina de extermínio. Há, contudo, uma camada ainda mais profunda que a psicanálise marxista pode iluminar: essa subjetividade não é apenas uma construção ideológica, mas um modo de gozo. O sujeito neoliberal se compraz na própria vitimização fiscal porque ela lhe fornece um biombo narcísico que oculta sua participação real na reprodução do capital — e, por extensão, no financiamento indireto da guerra. O capital, como Marx demonstrou, é relação social, e o excedente extraído do trabalho global irriga o complexo industrial-militar tanto quanto financia os serviços públicos que o pequeno-burguês acredita defender. A cisão esquizoide entre o “eu” que sofre impostos e o “eles” que bombardeiam Gaza ou Beirute é a condição de possibilidade para que o genocídio transcorra como espetáculo televisivo, simultaneamente hipervisível e emocionalmente irreal.

E é precisamente a espetacularização que merece um olhar dialético. Quando Gharibabadi denuncia 130 mil alvos civis, ele não está apenas enunciando um dado; está performando um ato de fala que visa inscrever a dor num discurso humanitário monopolizado pelo Norte global. Ocorre que esse discurso é uma armadilha: ele só acolhe o sofrimento para imediatamente desarmá-lo por meio da equivalência abstrata — cada morte “deles” versus cada morte “nossa”, como se a conta pudesse ser zerada num tribunal que já nasceu viciado pela assimetria de poder. A esquerda que se pretende crítica não pode cair na cilada de simplesmente inverter os polos da vitimização, celebrando o Irã como arauto da verdade; deve, antes, apontar que a própria forma jurídica do “crime de guerra” é uma concessão da ordem burguesa internacional, uma maneira de domesticar a violência sistêmica do imperialismo sem jamais questionar as estruturas de propriedade e acumulação que a engendram. A denúncia é taticamente útil, mas não é, e jamais será, revolucionária.

Por fim, o que esta thread escancara, para além das divergências pontuais, é a crise da capacidade de historicizar que acomete tanto a direita belicista quanto certa esquerda que se refugia em abstrações geopolíticas. O comentário de Clarice, ao citar a socióloga Ilona Szabó, acerta ao deslocar o eixo para a soberania sul-americana, e é nesse campo que eu gostaria de assentar a última pedra: a guerra contra corpos muçulmanos e a guerra contra corpos indígenas, negros e favelados no Brasil são expressões táticas da mesma guerra estratégica do capital contra tudo o que escapa à sua totalização. Enquanto estivermos paralisados numa retórica de “complexo militar americano que sangra o erário” que nunca ultrapassa o lamento fiscalista — como se o problema fosse de gasto, e não de modo de produção —, ou entretidos em disputas sobre qual império é mais hediondo, a superestrutura seguirá intacta, e os alvos civis continuarão a ser contabilizados com a frieza de quem conta cédulas. A verdadeira saída exige a coragem de nomear o sistema e a disposição de curar as patologias que ele instala em nossas subjetividades — inclusive aquela que nos faz crer que a barbárie é um desvio, e não a regra, do capitalismo realmente existente.

Sargento Bruno

29/04/2026

Esse Celio Fazendeiro falou o óbvio: o regime dos aiatolás é inimigo da civilização e só usa choro de vítima como cortina de fumaça. Mas o que me revolta é ver globais posando de paladinos enquanto o complexo militar americano sangra o erário e ainda financia indiretamente as milícias que ameaçam nossa soberania na América do Sul. Se 130 mil alvos caíram, pergunto: até quando Moscou e Pequim vão usar esse caos para enfraquecer o Ocidente enquanto Brasília assiste de braços cruzados?

    Clarice Historiadora

    29/04/2026

    Sargento, essa cruzada maniqueísta de “Ocidente versus Moscou e Pequim” é tão datada quanto o manual da Escola das Américas. A socióloga Ilona Szabó, em A Ficção Geopolítica e o Medo do Outro, demonstra que a verdadeira ameaça à soberania sul-americana nunca veio de milícias, mas do complexo militar que o senhor critica – inclusive quando treinava os generais que deram golpe aqui. Sugiro atualizar a bibliografia antes de repetir script de think tank e passar vergonha em público.

Celio Fazendeiro

29/04/2026

Só rindo desses pseudointelectuais defendendo o Irã. O país apedreja mulher, financia terrorista e agora posa de vítima? Se fossem 130 mil ou 130, é pouco pelo que esses fanáticos merecem. Depois essa mesma corja aqui no Brasil quer encher o saco pra proteger terra de índio.

Eduardo Teixeira

29/04/2026

Enquanto ficam discutindo se foram 130 mil ou 120 mil, o que ninguém pergunta é: quem pagou essa conta? O contribuinte americano, sufocado por uma máquina estatal que imprime dinheiro e tributa cada vez mais. O verdadeiro crime de guerra é o Estado usar capital confiscado do setor produtivo para financiar destruição, e a mesma lógica que alimenta o complexo militar americano é a que mantém nossa carga tributária beirando os 33%.

    Lucas Andrade

    29/04/2026

    Eduardo, você expõe a veia fiscal do complexo militar, mas o “contribuinte” que você convoca é também uma produção discursiva do poder: uma subjetividade que se crê vítima de um confisco enquanto seu silêncio legitima a necropolítica. Adorno diria que a mesma razão instrumental que calcula os 33% é a que administra a indiferença diante dos 130 mil.

Carlos Menezes

29/04/2026

O Eduardo levantou uma questão necessária sobre metodologia, mas quase ninguém aqui parece lembrar que ambos os lados inflam números conforme a conveniência. O Irã tem todo interesse político nessa denúncia, e EUA/Israel nunca vão admitir a dimensão real dos danos civis. Fico só observando essa guerra de narrativas, sem conseguir tomar partido.

Maria Aparecida

29/04/2026

É assustador ver tanta gente relativizando 130 mil alvos civis ou preocupada com metodologia, enquanto o sangue dos inocentes clama a Deus por justiça. A fé verdadeira não se apega a números exatos, mas se faz presente onde o pobre e o oprimido são esmagados por impérios que há décadas lucram com a guerra. Quem normaliza esse sofrimento esquece que o mesmo Deus que libertou os hebreus do Egito julga nações que esmagam os pequenos.

João Batista Alves

29/04/2026

Helton tocou no ponto que realmente importa. O mundo se perde discutindo números e metodologias enquanto esquece que toda guerra é consequência do abandono dos mandamentos divinos e da destruição da família. A verdadeira paz só virá quando as nações se ajoelharem diante de Deus, não quando trocarem acusações em reuniões diplomáticas. E digo mais: enquanto nossos governantes brincam de geopolítica, os valores que sustentam a pátria estão sendo corroídos aqui dentro, com ideologias que afastam a juventude da fé e da moral cristã.

    Carlos Henrique Silva

    29/04/2026

    João Batista, compreendo a angústia moral que perpassa seu comentário — há uma sede legítima de sentido diante da barbárie organizada que vitimou 130 mil alvos civis. Mas permita-me uma provocação intelectual, de alguém que passou décadas debruçado sobre os mecanismos que movem a história: o recurso ao transcendente como chave explicativa para a guerra é, ele mesmo, um sintoma da alienação que Marx e Feuerbach denunciaram. Quando se atribui a tragédia humana ao “abandono dos mandamentos divinos”, opera-se uma inversão perigosa: o homem projeta para fora de si, para o plano metafísico, a responsabilidade por aquilo que ele mesmo engendra nas relações materiais de produção e dominação. As 130 mil vidas interrompidas em Gaza ou no Iêmen não foram ceifadas porque as nações deixaram de se ajoelhar — foram ceifadas porque há interesses geopolíticos concretos, porque há uma indústria armamentista que lucra exponencialmente com cada míssil disparado e porque o imperialismo estadunidense-israelense precisa reconfigurar o controle sobre corredores energéticos e rotas comerciais do Oriente Médio. Nenhuma oração coletiva interrompe a lógica do capital, que se nutre da morte com a mesma naturalidade com que se nutre da exploração do trabalho vivo.

    E já que o senhor menciona a “destruição da família” como causa das mazelas contemporâneas, convido-o a examinar essa categoria com o instrumental gramsciano: que família exatamente está sendo defendida? Gramsci nos ensinou que a sociedade civil é um campo de disputa hegemônica, onde instituições como a família, a igreja e a escola funcionam como aparelhos privados de hegemonia — elas não são entidades naturais ou divinas, mas construções históricas que reproduzem determinada visão de mundo funcional à manutenção da ordem capitalista. A família nuclear burguesa, sustentada pelo patriarcado e pela submissão da mulher ao trabalho reprodutivo não remunerado, foi historicamente a célula que permitiu ao capitalismo externalizar seus custos de reprodução da força de trabalho. Quando setores conservadores lamentam a “corrosão dos valores” e acusam “ideologias que afastam a juventude da fé”, o que está em jogo não é a defesa da moral, mas a defesa desesperada de um arranjo social que garantiu, por séculos, a reprodução dócil da mão de obra e a legitimação da propriedade privada como valor supremo. A juventude não se afasta da fé por contaminação ideológica — ela se afasta porque o capitalismo tardio dissolveu todos os laços comunitários que a religião outrora mediava, substituindo-os pela solidão do consumo e pela precarização da existência.

    Veja, a paz de que o senhor fala, essa que “só virá quando as nações se ajoelharem diante de Deus”, é uma paz que abstrai completamente a desigualdade real. Que paz é possível quando 1% da humanidade detém mais riqueza que os 99% restantes? Quando os mesmos EUA que o Irã acusa de crimes de guerra são também os guardiões de um sistema financeiro internacional que estrangula as economias periféricas com dívidas impagáveis? A acusação iraniana não é mera “troca de acusações em reuniões diplomáticas” — ela ocorre em fóruns como o Conselho de Direitos Humanos da ONU precisamente porque o direito internacional humanitário, por mais limitado que seja, é um campo de disputa onde os povos subalternos podem vocalizar sua resistência contra a narrativa hegemônica que naturaliza a morte de civis como “danos colaterais”. Quando o senhor desqualifica esse gesto como estéril e propõe a solução teocrática, acaba, mesmo sem intenção, jogando água no moinho de quem deseja que essas mortes permaneçam impunes e invisíveis.

    A verdadeira paz, aquela que não é mera ausência de guerra, mas a superação das condições estruturais que a produzem, exige o que o marxismo chama de crítica prática: a transformação revolucionária das relações sociais que fazem da vida humana um recurso descartável para a valorização do capital. Enquanto houver quem lucre com a morte — e o complexo industrial-militar norte-americano lucrou 2,9 trilhões de dólares somente entre 2001 e 2021, segundo o Costs of War Project da Universidade Brown —, nenhum reavivamento religioso deterá as bombas. A luta pela paz é indissociável da luta contra a desigualdade, contra o imperialismo e contra a mercantilização de todas as esferas da vida. O que corrói a pátria não é a ausência de moral cristã, João Batista, mas a presença sufocante de um sistema que transforma seres humanos — no Irã, em Gaza, e também nas periferias de São Paulo — em corpos matáveis.

Eduardo C.

29/04/2026

130 mil alvos civis. Ok, mas cadê a metodologia? Esse número pressupõe uma contagem exata, o que exige definição operacional clara: o que exatamente foi contado como alvo civil? Sem a fonte primária, o critério de classificação e a margem de erro, esse dado não passa de uma variável sem controle.

Ana Souza

29/04/2026

Fico pensando se o Irã divulga esse número agora por genuína preocupação humanitária ou como jogada política, mas independente da intenção, 130 mil alvos civis é uma cifra que deveria nos fazer parar pra refletir sobre a banalização da vida em zonas de conflito. A gente aqui no Brasil sente o respingo na bomba de gasolina, como o Pedro bem lembrou, mas o que mais me assusta é a anestesia coletiva diante de números tão brutais.

Pedro

29/04/2026

Mais de 130 mil alvos civis e eu aqui me matando pra encher o tanque. Esses números de guerra viram debate de internet, mas na rua o que pesa é o preço na bomba e o IPVA vencendo. Cada um que lute com a sua tragédia.

Helton Barros

29/04/2026

Esse povo se acusa de crimes de guerra, mas todos eles promovem a mesma agenda globalista que destrói famílias e zomba de Deus. Enquanto isso, a verdadeira batalha é espiritual e aqui no nosso quintal, defendendo a pátria com valores cristãos, não com discurso hipócrita de quem financia terror.

    Renato Professor

    29/04/2026

    Helton, com todo o respeito, reduzir a geopolítica do Oriente Médio a uma “agenda globalista” que zomba de Deus é uma abstração metafísica que convenientemente ignora a única materialidade que importa: enquanto se fala em “batalha espiritual”, as cooperativas de trabalhadores e as redes de economia solidária são as únicas estruturas reais que desafiam tanto o fundamentalismo de mercado dos EUA quanto a teocracia rentista iraniana, pois tiram a centralidade do capital e a colocam na autogestão do povo.

Carlos Oliveira

29/04/2026

Jeferson deu o papo reto. Aqui na quebrada a gente sabe bem: enquanto esses engravatados trocam acusação na mesa de mármore, os motora de app, os pedreiro, as faxineira são os primeiros a virar estatística. 130 mil alvos civis não é só número de relatório, é gente que tava levantando a laje ou levando filho no colo quando o estilhaço chegou.

Carlos Mendes

29/04/2026

O Irã posando de defensor dos direitos humanos é de uma desfaçatez difícil de engolir — o mesmo regime que financia grupos terroristas, reprime brutalmente sua própria população e usa civis como escudo humano agora quer dar lição de moral. O número de “130 mil alvos civis” sai da boca de um vice-ministro sem qualquer verificação independente, enquanto a máquina de propaganda de Teerã segue desviando o foco da crise econômica que sufoca o povo iraniano. Os dois lados jogam sujo, mas quando um estado teocrático que enforca manifestantes se apresenta como paladino da justiça, só consigo enxergar hipocrisia regada a petrodólares.

    Jeferson da Silva

    29/04/2026

    Carlos, seu ponto sobre a hipocrisia do regime iraniano é certeiro, mas olha só: enquanto esses engravatados trocam acusações e enchem o rabo de petrodólares, a classe trabalhadora no Irã, nos EUA e em Israel toma no lombo do mesmo jeito, com arrocho, repressão e zero direitos. Quem tá na linha de produção nunca ganha com guerra de quem quer que seja.

    Célia Carmo

    29/04/2026

    E AS 130 MIL FAMÍLIAS TRABALHADORAS DEBAIXO DE BOMBA, SEU ISENTÃO DE MERDA?! A HIPOCRISIA DOS ESTADOS NÃO ANULA GENOCÍDIO NENHUM, ACORDA PRA LUTA DE CLASSES! #CRIMESDEGUERRAÉCRIME

    Marta

    29/04/2026

    Carlos, meu caro, você tem razão num ponto: regime nenhum que reprime seu próprio povo tem moral para posar de defensor de direitos humanos. Isso vale para Teerã, para Washington e para Tel Aviv — e aí, menino, é onde sua análise tropeça na própria pressa. Pegue o caderninho e anote um pouco de história, porque a hipocrisia que você enxerga no Irã é velha conhecida de quem estudou as intervenções ocidentais no Oriente Médio. Em 1953, a CIA e o MI6 derrubaram o primeiro-ministro Mossadegh — eleito democraticamente — só porque ousou nacionalizar o petróleo iraniano. Colocaram o xá Reza Pahlavi no poder, um ditador sanguinário que torturava opositores com o sorriso dos Estados Unidos. Foi essa brutalidade patrocinada pelo Ocidente que pariu a Revolução Islâmica de 1979. O monstro teocrático que você critica não nasceu do nada: ele foi parido por décadas de ingerência imperialista, e fingir que o Irã é o único vilão desse tabuleiro é preguiça intelectual ou má-fé.

    Agora, sobre essa conversa de que os números saem da boca de um vice-ministro sem verificação independente: desde quando, Carlos, os Estados Unidos e Israel permitem verificação independente de verdade nos territórios que bombardeiam? Quando a ONU tenta apurar crimes de guerra em Gaza, os mesmos que você defende bloqueiam a entrada de observadores e chamam de antissemitismo qualquer questionamento. As 130 mil famílias que perderam entes queridos em ataques aéreos não são cifra de propaganda — são gente de carne e osso, trabalhadores que nunca pegaram em fuzil, enterrando crianças enquanto a grande imprensa ocidental chama de dano colateral. O regime iraniano é autoritário e merece críticas, mas usar o sofrimento do povo iraniano para justificar bombardeios e sanções que matam de fome é cinismo de quem nunca precisou escolher entre o feijão e o remédio.

    Você fala em máquina de propaganda de Teerã desviando o foco da crise econômica — e está certíssimo. Mas aproveita a deixa, menino, e me explica uma coisa: quem estrangula a economia iraniana com sanções que impedem a importação de insumos médicos e alimentos há décadas? Quem confisca as reservas internacionais do país enquanto acusa o outro de jogar sujo? A crise que sufoca o povo iraniano não é só culpa dos aiatolás: é política deliberada de potências que querem manter o Oriente Médio como quintal de petróleo barato e mão de obra desesperada. Lula, quando diz que é preciso diálogo e respeito à soberania, não está passando pano para teocracia nenhuma — está defendendo que trabalhador não pode pagar com a vida pelos jogos geopolíticos dos engravatados.

    Então, Carlos, não venha com essa de que os dois lados jogam sujo para lavar as mãos e ficar em cima do muro. Lado de quem bombardeia hospital e chama de escudo humano, de quem patrocina ditadura amiga quando convém e invade país no grito quando o petróleo está em jogo — esse lado tem CPF, endereço e uma longa ficha corrida. Criticar o regime iraniano com justiça é necessário, e eu o faço: nenhum trabalhador deveria viver sob teocracia ou ser enforcado por protestar. Mas essa crítica vira cortina de fumaça quando você se recusa a enxergar que o imperialismo ocidental é o professor mais antigo e violento dessa escola de horrores. Aprendi com o povo na sala de aula que a gente só ama de verdade quando defende todos os oprimidos — não só aqueles que a mídia escolhe para a gente se importar.

Silvia Ramos

29/04/2026

Que tristeza ver tanta destruição sobre inocentes, crianças, famílias inteiras sendo ceifadas por essa sanha de poder. A Palavra de Deus já nos alertava: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal” – Isaías 5:20. Clamo ao Senhor que console os que choram e traga à luz toda essa hipocrisia, porque Ele é o justo juiz e não se deixa escarnecer.

    Mariana Ambiental

    29/04/2026

    Silvia, enquanto choramos os corpos inocentes, a mesma sanha de poder arrasa solos, envenena aquíferos e inviabiliza a agricultura de subsistência de povos inteiros — é genocídio com fome programada. Trocar ocupação militar e massacre de civis por “direito à defesa” é a tradução exata do mal que Isaías denuncia, e o agronegócio global aplaude de camarote porque lucra com terra arrasada.


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