O Ministério de Assuntos da Diáspora e Luta contra o Antissemitismo de Israel divulgou um relatório que identifica dez personalidades consideradas as mais influentes na disseminação de conteúdo antissemita ou antissionista durante o último ano.
O documento avalia declarações, ações e o alcance dessas figuras nas redes sociais, além de seu impacto no debate internacional sobre o conflito no Oriente Médio.
Segundo o portal RT, a ativista ambiental sueca Greta Thunberg foi incluída por ter compartilhado mensagens de apoio à causa palestina e críticas à atuação de Israel na Faixa de Gaza. O jornalista norte-americano Tucker Carlson consta da lista por supostamente difundir teorias conspiratórias sobre a influência judaica em setores da mídia e da política dos EUA.
O ativista político Nick Fuentes é apontado por declarações negacionistas sobre o Holocausto. A comentarista conservadora Candace Owens foi associada à disseminação de conteúdos que sugerem poderes ocultos ligados à comunidade judaica.
O influenciador Dan Bilzerian, o comediante egípcio-americano Bassem Youssef, o jornalista britânico-palestino Abdel Bari Atwan e o clérigo muçulmano Omar Suleiman também figuram entre os selecionados pelo ministério israelense. Os criadores de conteúdo Anastasia Maria Loupis e Ian Carroll completam a relação por terem compartilhado publicações vistas como hostis ao Estado de Israel.
O pesquisador Nick Cleveland-Stout, do Instituto Quincy para a Política Exterior Responsável, analisou a relevância da publicação. Ele ressaltou que, embora outros grupos já tivessem feito compilações semelhantes, esta representa a primeira lista oficial emanada do próprio governo israelense.
A iniciativa surge em momento de elevada tensão decorrente do conflito na Faixa de Gaza e das sucessivas críticas internacionais à conduta militar israelense. O governo de Tel Aviv demonstra clara inquietação com o avanço de narrativas que contestam sua política em relação aos territórios palestinos.
A divulgação pública dos nomes pode acabar por ampliar a atenção sobre essas figuras, em vez de limitar sua influência. A medida reforça o esforço contínuo de Israel em classificar o antissionismo como uma manifestação de antissemitismo.
A seleção de perfis tão variados — de ambientalistas e jornalistas a clérigos e ativistas — evidencia a amplitude da preocupação israelense com o debate digital. Analistas de política internacional observam que o uso de listas oficiais para monitorar discursos críticos marca uma escalada na estratégia de gerenciamento de imagem do país.
Com informações de ACTUALIDAD.
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Lucas Moreira
30/04/2026
Impressionante como o debate foge do pragmatismo para cair em narrativas ideológicas vazias. Greta e Tucker Carlson representam um populismo que gera ruído e insegurança em uma região que é o único hub real de inovação e livre mercado. Atacar a única democracia consolidada do Oriente Médio é ignorar os dados de estabilidade que sustentam o fluxo de capital e a liberdade naquela ponta do globo.
Mariana Oliveira
30/04/2026
Lucas, sua leitura sobre o que você chama de pragmatismo e inovação é, na verdade, uma manifestação clássica do que bell hooks descrevia como a manutenção do patriarcado capitalista supremacista branco. Ao priorizar métricas de livre mercado e fluxos de capital sobre a dignidade humana e a autodeterminação dos povos, você opera um apagamento deliberado das subjetividades que não cabem nessa lógica neoliberal. Falar em estabilidade em uma região marcada por décadas de ocupação e cerceamento de direitos fundamentais é ignorar que esse suposto equilíbrio é construído sobre o que Achille Mbembe define como necropolítica — o poder soberano de ditar quem pode viver e quem deve morrer. Como mulher mineira e pesquisadora, vejo nesse seu discurso a mesma gramática colonial que, historicamente, justificou a exploração do Sul Global em nome de um progresso que nunca chega para os corpos racializados.
A inclusão de Greta Thunberg nessa lista oficial não é um ruído populista, mas um sintoma de como o Estado utiliza o rótulo do antissemitismo para interditar qualquer forma de solidariedade transnacional que conecte a justiça climática à libertação dos povos. Aqui, a interseccionalidade proposta por Kimberlé Crenshaw se faz essencial: não podemos analisar a questão ambiental ou a geopolítica sem entender como o colonialismo, o racismo e o gênero se entrelaçam para marginalizar certas vozes. Quando Greta se posiciona, ela expõe que a crise ecológica é inseparável da exploração territorial. Rotulá-la como antissemita é uma tentativa de silenciar uma dissidência que questiona justamente a face violenta dessa única democracia que você defende, mas que opera sob um regime de exceção permanente para milhões de pessoas.
Sua defesa de um hub de inovação ignora que a tecnologia e o livre mercado, quando desprovidos de ética e justiça social, tornam-se ferramentas de vigilância e repressão. A democracia consolidada a que você se refere é, na verdade, um sistema que exclui sistematicamente a alteridade para garantir o conforto de uma elite global. Enquanto o seu olhar se volta para os índices da Nasdaq, o feminismo interseccional nos convida a olhar para as oliveiras destruídas, para as mães palestinas e para a sistemática desumanização de um povo. O verdadeiro pragmatismo não é aquele que serve ao capital, mas o que reconhece que não haverá paz real nem estabilidade duradoura enquanto a liberdade de uns depender da opressão de outros. O que você chama de segurança, nós chamamos de manutenção de privilégios coloniais.
Marcus Almeida
30/04/2026
É lamentável ver como essa agenda progressista, representada por figuras como essa jovem Greta, se levanta contra a nação de Israel. Como diz a Palavra em Gênesis 12:3, Deus abençoará os que abençoarem o Seu povo e amaldiçoará os que o amaldiçoarem. Precisamos estar vigilantes contra essas ideologias mundanas da esquerda que tentam minar a soberania da Terra Santa.
Lucas Pinto
30/04/2026
Marcus, o seu recurso ao Gênesis para validar um projeto político de ocupação territorial contemporâneo é o exemplo acabado do que Marx descreveria como o uso da religião para obscurecer as relações materiais de poder. Ao mobilizar o sagrado para justificar as ações de um Estado nacional laico e militarizado, você opera dentro de uma estrutura de hegemonia, tal qual Gramsci teorizou, onde o senso comum religioso é sequestrado para fabricar o consentimento em torno de uma agenda geopolítica imperialista. A ideia de que uma benção divina se traduz em imunidade diplomática para um regime que promove a segregação é uma inversão dialética perversa: usa-se o mito para legitimar a barbárie concreta.
A inclusão de Greta Thunberg e até de uma figura díspar como Tucker Carlson em uma lista oficial de antissemitismo não é um ato de defesa de um povo, mas a imposição de um regime de verdade foucaultiano. O poder soberano de Israel tenta, através dessa rotulagem, exercer uma biopolítica que decide quem pode falar e quem deve ser silenciado pelo estigma. Quando o Estado rotula qualquer crítica à sua política de expansão e controle como ódio racial, ele esvazia o conceito de antissemitismo de seu peso histórico real para transformá-lo em uma arma de guerra ideológica. Greta não se levanta contra uma nação; ela se levanta contra a engrenagem do capital fóssil e do militarismo que sustenta o status quo global, do qual Israel é uma peça estratégica fundamental no Oriente Médio.
Essa sua vigilância contra as ideologias mundanas da esquerda ignora que a própria noção de Terra Santa é uma construção ideológica que serve para mascarar a acumulação primitiva de terra e o deslocamento forçado de populações. O que você chama de soberania, nós analisamos como um enclave colonial financiado pela hegemonia norte-americana. Para quem estuda a materialidade histórica, não há divindade protegendo fronteiras traçadas por acordos de guerra e interesses de mercado. O que existe é a luta de classes e a resistência contra um aparato estatal que, em nome de uma pureza identitária mítica, perpetua a opressão sistemática de corpos que o sistema decidiu considerar descartáveis.
João Carlos da Silva
30/04/2026
Marcus, sua tentativa de converter um conflito geopolítico em uma contenda escatológica ignora o que Gramsci chamaria de construção de uma hegemonia que silencia a alteridade. Ao mobilizar o sagrado para interditar o debate ético, o senhor nega a pedagogia da autonomia necessária para compreender que a defesa da vida e dos direitos humanos deve preceder qualquer projeto de poder nacionalista ou teológico.
Mariana Ambiental
30/04/2026
Engraçado como esse discurso de Terra Santa ignora o ecocídio e a destruição deliberada de oliveiras milenares promovida pela ocupação. Você usa a fé para validar um projeto colonialista, mas a ecologia ensina que não existe bênção divina em um sistema que lucra com o envenenamento da terra e o massacre de quem nela vive.
Tiago Mendes
30/04/2026
Marcus, me entristece ver o Evangelho reduzido a um aval geopolítico, quando Jesus ensinou que a verdadeira bênção está em quem promove a justiça para os oprimidos. Interpretar Gênesis 12:3 como um cheque em branco para um Estado militarizado ignora o clamor profético contra a opressão dos vulneráveis, inclusive os palestinos. Nossa fidelidade deve ser ao Reino de Deus e sua justiça, não a nacionalismos que silenciam o sofrimento humano sob o pretexto de santidade.