Cunhado por Joseph Nye, o termo “soft power” descreve a capacidade que um país possui para influenciar o comportamento de outros através de meios persuasivos, em vez do uso da força militar.
Uma das formas de aumentar o soft power de um país é através da cultura e a China entendeu isso bem. Afinal, é muito mais fácil assinar acordos bilionários quando ambos se respeitam e, principalmente, encontram identificações entre si.
É o que temos visto na relação Brasil-China. Aos poucos, a cultura chinesa tem se popularizado por aqui, o que ajuda a fortalecer o elo entre os países.
Do TikTok ao Labubu: como a China começa a fazer parte do nosso dia a dia?
Se a China quer firmar parcerias econômicas com outros países, precisa se aproximar deles. E não tem maneira mais eficaz para isso do que o uso das redes digitais. Entra em cena o TikTok.
Os vídeos de curta duração, especialmente de humor, já eram populares na China antes, justamente por conta de aplicativos como o Douyin, espécie de “irmão gêmeo” do TikTok.
Popularizando esse formato no Ocidente (só no Brasil são 91 milhões de usuários ativos, muitos trabalhando na rede), a China aproxima as culturas através do entretenimento digital.
E por falar em entretenimento digital, existem outras formas pelas quais a cultura chinesa se populariza e se normaliza entre os brasileiros. Uma delas é através do iGaming e seus jogos.
Um exemplo rápido é o game Fortune Tiger, criado pela PG Soft. Apesar de não ter sido feito por uma empresa da China, o título usa os símbolos chineses para atrair jogadores. Nesse caso, o principal mascote do jogo é o Tigre Dourado, que no horóscopo chinês significa força e prosperidade.
Por falar em mascote chinês, poucos exemplos de soft power da China foram tão bem-sucedidos quanto a febre dos Labubus.
Os bonecos produzidos pela PopMart foram tão populares que fizeram as ações da empresa subirem 580% na Bolsa de Hong Kong, com um faturamento estimado em torno dos R$10 bilhões em 2024.

Como o soft power cultural ajuda a fechar acordos econômicos?
A popularização cultural da China em outros países, especificamente o Brasil, pode ser planejada ou orgânica, não importa. O que importa é que o soft power gerado ajuda a avançar as parcerias econômicas entre os dois parceiros comerciais.
Em 2025, pesquisa da Quaest mostrou que a fatia da população brasileira que tem visão favorável da China subiu 15 pontos, chegando a 49% da população. É o melhor resultado da série histórica da pesquisa.
Quando a população vê um parceiro comercial com bons olhos, é mais fácil fechar acordos de desenvolvimento e comércio. Não à toa, o Brasil já intermedia um acordo entre o Mercosul e a China.
O sucesso do soft power chinês prova que a economia moderna não vive apenas de commodities, mas de conexão e cultura. Ao aproveitar essa onda cultural, a China pavimenta uma estrada de confiança para investimentos de longo prazo.
Onde o mundo enxerga um vídeo curto ou um jogo, Pequim consolida uma política econômica de parceria que é, acima de tudo, altamente lucrativa para todos.


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