O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma base sólida em Pernambuco, segundo nova pesquisa Datafolha divulgada pelo instituto Datafolha. O levantamento mostra que 60% dos pernambucanos aprovam o governo Lula, enquanto 36% desaprovam e 4% não opinaram, consolidando o estado como um dos pilares do campo progressista no Nordeste.
Na avaliação qualitativa, 38% consideram o governo ótimo ou bom, 31% o classificam como regular e 30% o avaliam como ruim ou péssimo. A pesquisa ouviu 1.022 eleitores entre 13 e 15 de abril, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%, registrada no TSE sob o número PE-04713/2026.
Em 2022, Lula venceu com 66,8% dos votos válidos em Pernambuco, uma das maiores margens do país. A nova pesquisa Datafolha confirma a manutenção desse capital político, mesmo após mais de um ano de governo, o que reforça o peso simbólico e eleitoral do estado dentro do projeto nacional do PT.
O padrão histórico mostra que, desde 2002, o eleitorado pernambucano tem sido um termômetro da força lulista no Nordeste. A aprovação de 60% indica estabilidade e confiança, especialmente quando comparada à média nacional que costuma oscilar entre 50% e 55%, segundo levantamentos recentes da Quaest e da AtlasIntel.
A pesquisa também mediu a popularidade da governadora Raquel Lyra, do PSD, que aparece com 61% de aprovação e 35% de desaprovação. O dado revela um equilíbrio delicado entre a força da máquina estadual e o prestígio do governo federal, já que ambos mantêm índices semelhantes de aprovação.
Entre os moradores do interior, Lyra chega a 69% de aprovação, contra 51% na Região Metropolitana do Recife. O contraste urbano-rural é relevante: o interior, mais dependente de políticas federais e programas sociais, continua sendo o terreno mais fértil para o lulismo, mas também é onde a governadora tem conseguido avançar com entregas de infraestrutura e segurança hídrica.
O cruzamento entre intenção de voto presidencial e avaliação estadual mostra que 78% dos eleitores de Flávio Bolsonaro aprovam Raquel Lyra, enquanto entre os eleitores de Lula esse número cai para 55%. O dado revela que a governadora tenta equilibrar sua imagem entre o eleitorado conservador e os segmentos moderados que apoiam o governo federal.
Esse movimento é estratégico para 2026, quando o PSD tende a ser cortejado tanto pelo PT quanto pelo PL. No cálculo do tempo de TV e do Fundo Eleitoral, o PSD é o segundo maior partido em volume de recursos, e sua posição no Nordeste pode definir o rumo das alianças no primeiro turno.
O desempenho de Lula em Pernambuco dialoga diretamente com o resultado das eleições municipais de 2024, quando o PT ampliou sua presença nos maiores colégios eleitorais do estado. O partido governa hoje cidades estratégicas como Garanhuns, Petrolina e parte da Região Metropolitana, consolidando a base do chamado G96 – os 96 maiores colégios eleitorais do país.
Essa rede de prefeitos progressistas é vital para a mobilização de 2026, garantindo palanque, estrutura e capilaridade territorial. O Nordeste, que em 2022 respondeu por mais de 48% dos votos de Lula no segundo turno, tende a manter sua centralidade no tabuleiro nacional, com Pernambuco como epicentro simbólico e político.
O dado de 60% de aprovação em Pernambuco não é apenas um número isolado: ele sinaliza a resiliência do projeto lulista mesmo em meio à polarização nacional. A força de Lula no estado reforça a estratégia do PT de manter o Nordeste como base de sustentação política e econômica, enquanto tenta reconquistar espaço no Sudeste.
Para o campo progressista, a pesquisa Datafolha indica que a combinação entre entregas sociais, estabilidade econômica e reconstrução institucional segue sendo reconhecida pelo eleitorado. O desafio agora é transformar essa aprovação em votos legislativos e alianças estaduais que sustentem o projeto até 2026.
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