A presidenta do México, Claudia Sheinbaum Pardo, recebeu a cúpula da Petrobras para consolidar uma parceria estratégica entre as duas maiores estatais petrolíferas da América Latina.
O encontro teve como foco a cooperação em hidrocarbonetos e biocombustíveis, avançando na integração energética entre México e Brasil. A reunião contou com a presença da secretária de Energia do México, Luz Elena González, e do diretor da Petróleos Mexicanos (Pemex), Víctor Rodríguez.
Do lado brasileiro, participaram diretores da Petrobras, reforçando o caráter técnico e institucional do encontro. Segundo o portal Regeneración, a colaboração abrangerá áreas de exploração, produção e transformação de petróleo.
Sheinbaum destacou que a experiência brasileira em biocombustíveis, especialmente no etanol de cana-de-açúcar, é um modelo de interesse direto para o México. O país busca diversificar sua matriz energética e ampliar a produção de biodiesel.
O diálogo entre os dois países é resultado de conversas anteriores entre Sheinbaum e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos discutiram a criação de uma agenda comum de cooperação energética, que poderá incluir intercâmbio tecnológico e investimentos conjuntos em pesquisa e desenvolvimento.
Em março, Sheinbaum já havia anunciado que sua administração avaliava uma proposta de Lula para uma aliança energética entre Pemex e Petrobras. Na ocasião, ela destacou que a reunião técnica entre as duas companhias seria fundamental para examinar a viabilidade econômica e tecnológica do projeto.
O Brasil é referência mundial na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, fruto de uma política de Estado pioneira que combina soberania energética e redução de emissões. O México busca expandir sua capacidade de geração de energia limpa a partir dessa experiência consolidada.
Durante o encontro, Sheinbaum enfatizou que a parceria é estratégica para fortalecer o controle estatal sobre os recursos naturais mexicanos. A líder mexicana tem defendido que as empresas públicas devem liderar a transição energética, em linha com a política de desenvolvimento de seu governo.
A aproximação entre Pemex e Petrobras ocorre em um contexto de crescente articulação entre países latino-americanos em torno de políticas energéticas independentes. Ao priorizar essa cooperação, Sheinbaum sinaliza uma estratégia de integração regional baseada em complementariedades produtivas e tecnológicas.
A expectativa é que o diálogo entre as duas estatais produza resultados concretos na exploração de águas profundas e no avanço de combustíveis renováveis. México e Brasil reafirmam, com esse movimento, seu papel como atores centrais de um modelo de desenvolvimento energético com protagonismo estatal.
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Luiz Augusto
26/04/2026
Rodrigo, você resumiu bem o problema de gestão, mas o cerne é mais profundo. Essa “cooperação estratégica” entre duas estatais quebradas pelo populismo só vai gerar mais ineficiência e dívida para o contribuinte. O livre mercado e a concorrência dariam conta de explorar esses recursos com muito mais eficácia do que esse conchavo ideológico entre governos de esquerda.
Mariana Alves
26/04/2026
Luiz Augusto, seu comentário levanta uma questão que merece ser examinada com cuidado, porque ele parte de uma premissa que, para mim, é o ponto cego do pensamento liberal clássico: a ideia de que o “livre mercado” e a “concorrência” são entidades abstratas e neutras, capazes de operar magicamente em qualquer contexto histórico. Você fala em “estatais quebradas pelo populismo”, mas essa expressão esconde um processo muito mais complexo. Pemex e Petrobras não quebraram porque são estatais; elas foram deliberadamente sangradas por décadas de políticas neoliberais que as obrigaram a drenar seus lucros para pagar dividendos a acionistas estrangeiros, a subsidiar o preço dos combustíveis para conter a inflação (como fez o governo Bolsonaro em 2021) e a vender ativos estratégicos a preço de banana para conglomerados privados. Se isso é “populismo”, então o populismo tem nome e sobrenome: é a captura do Estado pelo capital financeiro internacional, que usa a estatal como vaca leiteira enquanto a desqualifica ideologicamente.
Quando você defende que “o livre mercado e a concorrência dariam conta de explorar esses recursos com muito mais eficácia”, você está ignorando que, no setor de petróleo e gás, o livre mercado nunca existiu de fato. O que existe é um oligopólio de gigantes como Exxon, Shell e Chevron, que operam em regime de cartel, repartem mercados e usam seu poder de fogo financeiro para eliminar concorrentes menores. No caso do pré-sal brasileiro, por exemplo, a abertura indiscriminada promovida por Temer e Guedes resultou na entrega de áreas gigantescas a empresas estrangeiras que, na prática, não têm o menor compromisso com o desenvolvimento nacional — elas só extraem o petróleo mais fácil, repatriam os lucros e deixam o passivo ambiental e social para o Estado. A “eficácia” que você menciona é a eficácia do lucro privado imediato, não a eficácia do desenvolvimento soberano de longo prazo.
A cooperação entre Pemex e Petrobras, por mais imperfeita que seja, representa uma tentativa de romper com essa lógica de subordinação. Não estou dizendo que as estatais são perfeitas ou imunes a corrupção — longe disso, ambas têm históricos graves de má gestão e desvios. Mas o problema não é a propriedade estatal em si; é o modelo de governança que as trata como instrumento de política fiscal de curto prazo, seja para segurar preços, seja para distribuir dividendos. Se essa parceria vier acompanhada de transparência, metas de eficiência operacional e, principalmente, de uma visão estratégica que priorize o interesse público sobre o lucro de acionistas, ela pode ser um passo na direção certa. O que não podemos é cair na armadilha de achar que a solução é entregar tudo ao “mercado”, que, na América Latina, historicamente significa entregar ao imperialismo. O debate não é entre estatal ineficiente versus mercado eficiente; é entre soberania energética e dependência neocolonial.
Rodrigo Meireles
26/04/2026
Mariana Ambiental, você tocou no ponto central. Enquanto a Petrobras foi tratada como caixa-preta pra subsidiar gasolina em ano eleitoral ou distribuir dividendos pra fundo americano, a eficiência operacional virou piada. Se essa parceria com a Pemex vier com metas claras de produtividade, compartilhamento de tecnologia e redução de custos, ótimo. Se for só discurso de soberania com negócio fechado no escuro, é dinheiro público queimado mais uma vez. Quero ver dados de perfuração, não foto de aperto de mão.
Mariana Ambiental
26/04/2026
Julia, você foi muito precisa. O problema não é a estatal em si, é o modelo de gestão que a gente viu no Brasil durante os governos Temer e Bolsonaro, quando a Petrobras virou quase uma extensão do mercado financeiro. Essa parceria com a Pemex pode ser um caminho pra retomar o controle público sobre nossa energia, mas só vai funcionar se tiver transparência de verdade e compromisso com a transição energética, não com o mesmo discurso desenvolvimentista de sempre.
Major Ricardo Silva
26/04/2026
Mariana, você está certa em pisar no freio, mas o problema real é outro: essa “cooperação estratégica” entre duas estatais falidas e corruptas é só mais um conchavo ideológico. Pemex e Petrobras são exemplos clássicos de como o estatismo quebra qualquer país – enquanto a esquerda comemora, o contribuinte paga a conta. Se fosse parceria com uma empresa privada de verdade, talvez desse resultado.
Julia Andrade
26/04/2026
Major Ricardo, com todo respeito, acho que sua análise comete um erro de diagnóstico que é muito comum quando se olha para América Latina com lentes que não enxergam o contexto histórico. Você coloca o estigma de “falida e corrupta” como se fosse um atributo inerente ao modelo estatal, quando na verdade Pemex e Petrobras foram sistematicamente sangradas por décadas de políticas que combinavam o pior do estatismo clientelista com o pior do entreguismo neoliberal. A Pemex, por exemplo, é obrigada constitucionalmente a financiar cerca de 40% do orçamento federal mexicano – ou seja, ela não quebrou por ser estatal, quebrou porque o Estado a tratou como caixa eletrônico enquanto abria as pernas para o capital estrangeiro no setor de refino. A Petrobras, por sua vez, foi vítima de um assalto orquestrado por agentes privados e políticos que se aproveitaram de brechas num modelo que já havia sido desmontado nos anos 90, quando o governo FHC quebrou o monopólio e criou o ambiente para a captura que veio depois.
A ideia de que “se fosse parceria com uma empresa privada de verdade daria resultado” me parece ingênua, para não dizer perigosa. Empresas privadas de petróleo – Exxon, Shell, Chevron – têm um histórico tão ou mais sujo que qualquer estatal: desastres ambientais, evasão fiscal em paraísos fiscais, financiamento de golpes em países produtores. A diferença é que o lucro delas vai para acionistas em Londres ou Houston, não para financiar hospitais públicos ou subsídios de combustível no México. O que a Sheinbaum está propondo com essa cooperação não é um “conchavo ideológico”, é uma tentativa de reverter décadas de desmonte técnico e financeiro que transformou a Pemex numa empresa que produz petróleo mas importa gasolina – um absurdo logístico que só existe porque o lobby privado impediu a construção de refinarias.
Você diz que “o contribuinte paga a conta”, e nisso concordamos, mas discordo sobre quem é o culpado. O contribuinte paga a conta quando a Pemex é obrigada a vender gasolina abaixo do custo para segurar a inflação – uma política que beneficia a classe média e os pobres, mas que é financeiramente insustentável. O contribuinte paga a conta quando a Petrobras é forçada pelo mercado financeiro a seguir a política de preço de paridade internacional, que transforma a empresa em importadora de diesel enquanto o Brasil produz excedente. O contribuinte paga a conta quando governos corruptos de direita e esquerda usam as estatais como cabide de emprego. O problema nunca foi o estatismo em si, mas a falta de um projeto de Estado que trate essas empresas como instrumentos de desenvolvimento de longo prazo, e não como moeda de troca eleitoral ou balcão de negócios. A cooperação Sheinbaum-Petrobras pode dar errado, claro, mas condená-la de antemão com esse discurso de que “estatal é sempre ruim” é ignorar que o setor privado também quebrou a economia mexicana em 1994 e a brasileira em 2014 – com a diferença de que, quando quebra, o contribuinte também paga, mas não tem nem o direito de cobrar transparência.
Mariana Oliveira
26/04/2026
Francisco, eu entendo o entusiasmo, mas acho que precisamos pisar um pouco no freio antes de chamar a Sheinbaum de “sopro de esperança” e “mulher de esquerda de verdade”. A narrativa de soberania energética é sedutora, especialmente para quem cresceu ouvindo que a Petrobras era o orgulho nacional. Só que a realidade material do setor de petróleo é mais complexa do que um discurso de independência contra o imperialismo. A Pemex não é a Petrobras — e essa diferença importa. A estatal mexicana carrega uma dívida bilionária, produção em declínio e uma estrutura de custos que torna qualquer parceria um exercício de gestão de risco, não de afirmação ideológica. Se a Sheinbaum quer mesmo fortalecer a soberania, precisa enfrentar o déficit de refino e a dependência mexicana de gasolina importada dos EUA — e isso não se resolve com acordos de cooperação, mas com reformas internas dolorosas que nenhum governo de esquerda mexicano teve coragem de fazer.
A discussão que o Lucas e a Cecília levantaram sobre o estatismo versus a gestão predatória é o ponto central. Eu sou feminista interseccional e acredito que o Estado tem um papel fundamental na redistribuição de recursos e na proteção de populações vulneráveis. Mas não posso ignorar que, no Brasil, a Petrobras foi usada como instrumento de política fiscal e de emprego clientelista durante décadas — e isso não é invenção da direita, é fato histórico documentado. A diferença é que, aqui, a Lava Jato expôs o sistema, mas não resolveu a equação: como ter uma estatal eficiente sem entregá-la ao mercado? A Sheinbaum enfrenta o mesmo dilema. Se a parceria com a Petrobras for apenas mais um protocolo de intenções, vai virar foto em site de governo. Se for um projeto sério de intercâmbio tecnológico e compartilhamento de riscos na exploração de águas profundas, aí sim podemos falar em avanço.
Outra camada que ninguém tocou é a dimensão de gênero e raça dessa cooperação. Sheinbaum é uma cientista climática que chega à presidência do México com um discurso de transição energética, mas assina acordos de petróleo. Petrobras é uma empresa que, apesar dos avanços, ainda tem uma diretoria majoritariamente branca e masculina, e cujos impactos ambientais recaem desproporcionalmente sobre comunidades negras e indígenas no entorno de refinarias e bases de exploração. bell hooks nos ensina que não existe hierarquia de opressões — e não podemos celebrar acordos de soberania nacional se eles perpetuam a exploração de corpos racializados e territórios periféricos. Uma cooperação estratégica que se pretenda progressista precisa incluir cláusulas socioambientais vinculantes, participação comunitária e compromisso real com a descarbonização. Sem isso, é só mais um capítulo do extrativismo com verniz de esquerda.
Por fim, discordo da Marta quando ela reduz o problema da Pemex a “estatismo, corrupção e ineficiência sindical”. Essa é a cartilha do Consenso de Washington que já causou estragos demais na América Latina. O problema não é o tamanho do Estado, mas a captura desse Estado por interesses privados — nacionais e estrangeiros. A Pemex foi sucateada justamente porque governos neoliberais a abriram para o capital privado sem contrapartidas, como a Cecília lembrou. O que a Sheinbaum e a Petrobras podem construir juntas é um modelo de gestão que combine eficiência técnica com controle social e distribuição de renda. Se conseguirem, será um marco. Se não, será mais um acordo que a história vai registrar como oportunidade perdida. Enquanto isso, fico de olho nos detalhes operacionais — porque, como Kimberlé Crenshaw nos mostrou, é nas interseções que a verdade aparece.
Francisco de Assis
26/04/2026
Lucas Andrade, você foi cirúrgico. O problema nunca foi a estatal ser estatal, mas sim quem coloca a mão no leme. Agora, com a Sheinbaum, a gente vê um sopro de esperança: uma mulher de esquerda de verdade, que não tem medo de sentar com a Petrobras e fortalecer a soberania energética da América Latina. Enquanto isso, aqui no Brasil, a oposição chora porque o Lula está fazendo exatamente o que prometeu: integração regional e desenvolvimento com justiça social.
Lucas Andrade
26/04/2026
Cecília, você foi certeira. A cartilha que a Marta defende é a mesma que transformou a Petrobras em vaca leiteira de acionista estrangeiro nos anos 90 — e olha que o Collor e o FHC tentaram. O problema da Pemex não é ser estatal, é ter sido gerida como espólio de cartório por tecnocratas que sempre serviram ao mercado, não ao povo mexicano. Essa parceria, se for feita com controle social e transparência de verdade, pode ser o primeiro passo pra descolonizar a energia na América Latina. Mas, claro, o lobby do capital não vai deixar barato.
Marta Souza
26/04/2026
Caio, você escreveu bonito, mas tropeçou no essencial. A Pemex não é vítima do “capital financeiro internacional”, é vítima de décadas de estatismo, corrupção e ineficiência sindical que o próprio PRI e o Morena mantiveram. Se a Sheinbaum quer ser levada a sério, precisa começar cortando os privilégios dos sindicatos e abrindo a refinaria para capital privado — senão essa parceria vira só mais um cabide de emprego para apadrinhados.
Cecília Silva
26/04/2026
Marta, com todo respeito, mas essa história de “abrir para capital privado” é a mesma receita que já sucateou a Petrobras nos anos 90 e entregou nosso pré-sal de bandeja. A corrupção que você cita existe sim, mas não é culpa do estatismo — é culpa de quem sempre tratou petróleo como negócio de família, não como soberania. Sheinbaum e Lula sabem que energia é ferramenta de libertação, não de lucro pra acionista.
Caio Vieira
26/04/2026
Caro Mateus Silva, sua ponderação sobre a herança de má gestão da Pemex é não apenas pertinente, mas constitui o verdadeiro nó górdio desta equação geopolítica. A Pemex, como sabemos, foi durante décadas submetida a uma verdadeira hegemonia do capital financeiro internacional, que a transformou em mera caixa-preta de extração de renda para o grande capital, enquanto a Petrobras, com todos os seus percalços, logrou construir uma cadeia tecnológica e de refino que a torna, hoje, a contraparte mais robusta desta aliança. Não se trata de um voluntarismo ingênuo, mas de uma reconfiguração das forças produtivas na periferia do capitalismo, onde a soberania energética deixa de ser um conceito abstrato nos manuais de sociologia para se materializar em acordos concretos entre Estados nacionais.
A recepção de Claudia Sheinbaum à cúpula da Petrobras, conforme noticiado, não pode ser lida como mero encontro de cúpula empresarial. Estamos diante de um movimento que resgata o que de mais avançado o desenvolvimentismo latino-americano produziu no século XX, mas agora sob novas mediações ideológicas. A senhora Sheinbaum, formada em Física e com trajetória na gestão pública da Cidade do México, compreende que a energia não é uma mercadoria qualquer no tabuleiro do capitalismo global — é a infraestrutura material sobre a qual se assenta qualquer projeto de nação. Ao sentar-se com a diretoria da Petrobras, ela sinaliza que a integração regional não é um devaneio de intelectuais orgânicos, mas uma necessidade estrutural para romper a subordinação aos ciclos de acumulação do Norte global.
Mariana Santos, você acertou em cheio ao lembrar que o neoliberalismo tentou enterrar esse projeto nos anos 90. O que testemunhamos agora é uma espécie de revanche histórica: enquanto os arautos do mercado bradavam que a privatização era o único caminho, a realidade concreta demonstrou que estatais fortes e articuladas são o único antídoto contra a vulnerabilidade externa. Não se trata de romantizar o Estado empresário, mas de reconhecer que, na periferia do sistema-mundo, a burguesia nacional nunca teve força para competir com os monopólios internacionais sem a mediação estatal. A parceria Pemex-Petrobras é, nesse sentido, uma resposta pragmática e ideologicamente situada à crise do neoliberalismo.
Por fim, é preciso saudar a coragem política de Sheinbaum em enfrentar o canto da sereia dos acionistas e dos fundos abutres. Enquanto a direita brasileira chora pela valorização das ações da Petrobras na Bolsa, a presidenta mexicana demonstra que o lucro não pode ser o único vetor de uma política energética. A soberania, conceito tão caro à sociologia política latino-americana, não se constrói com discursos de ocupação de reitoria, como bem ironizou a Marina Silva, mas com acordos concretos que articulem cadeias produtivas, tecnologia e, acima de tudo, vontade política. Que esta cooperação sirva de modelo para que outros setores estratégicos — como a indústria farmacêutica e a produção de semicondutores — também sejam objeto de integração regional. A luta é longa, mas o caminho começa a ser pavimentado.
Mateus Silva
26/04/2026
Mariana Santos, você tocou no ponto central. Integração latino-americana sempre foi projeto de desenvolvimento, não de filantropia corporativa. O que me preocupa é se essa parceria vai além do discurso e enfrenta a realidade da Pemex, que carrega décadas de má gestão e dívida bilionária. Aproximação é necessária, mas sem romantizar — soberania energética exige eficiência técnica, não só vontade política.
Mariana Santos
26/04/2026
Marta, sua aula de história foi um respiro nessa thread. Exato: não é só negócio, é a retomada de um projeto de integração latino-americana que o neoliberalismo tentou enterrar nos anos 90. Enquanto uns choram por acionista, a Sheinbaum mostra que energia não é mercadoria, é instrumento de soberania. Se a esquerda brasileira tivesse metade da visão estratégica dessa mulher, a gente não estaria perdendo tempo discutindo se estatal dá lucro ou não.
Marta
26/04/2026
Ah, meninos e meninas, sentem-se que a vovó vai dar uma aula de história hoje. Que beleza ver a Claudia Sheinbaum, uma física e ex-prefeita da Cidade do México, sentando com a diretoria da Petrobras. Isso não é só uma reunião de negócios, é a retomada do projeto de integração latino-americana que os liberais tentaram enterrar nos anos 90. Enquanto esses meninos mal-educados ficam repetindo mantra de mercado, a realidade é que o México do AMLO e agora da Sheinbaum entendeu uma coisa: ou a gente se une como bloco, ou continuamos sendo o quintal dos Estados Unidos, vendendo petróleo cru barato e comprando gasolina refinada cara. A Petrobras já provou que sabe fazer refino em escala, e a Pemex tem o recurso. Juntar isso é inteligência pura.
Agora, vou falar com a Nadia Petrova e o Carlos Meirelles, que tão aí preocupados com “eficiência” e “lucro”. Meus queridos, vocês aprenderam economia com o Paulo Guedes, foi? A Pemex deu prejuílio sim, mas sabem por quê? Porque durante décadas o México foi obrigado a abrir o setor para empresas estrangeiras, sucateando a estatal deles. O problema não é ser estatal, o problema é quando o Estado é capturado por interesses privados. A Petrobras, quando teve gestão técnica e investimento, descobriu o pré-sal e se tornou uma das maiores empresas do mundo. Quando virou balcão de negócio para amigo de político, deu problema. Mas a solução não é vender para acionista estrangeiro, é fazer gestão séria com controle público. Isso a Sheinbaum e o Lula entenderam.
E olha, Luisa Teens, a menina tem energia, mas precisa estudar mais. Soberania energética não se constrói com hashtag, mas também não se constrói com esse papo de “mercado resolve tudo” que o Carlos defende. O mundo está em transição energética, sim, e a América Latina precisa estar preparada. O Brasil tem biocombustíveis, o México tem lítio, a gente pode construir uma matriz energética diversa e justa. Mas para isso, precisa de estatais fortes que invistam em pesquisa e desenvolvimento, não de empresas que só pensam no dividendo do próximo trimestre. Essa parceria Pemex-Petrobras é o primeiro passo para a gente deixar de ser exportador de matéria-prima e começar a ser desenvolvedor de tecnologia.
Por fim, Marina Silva, você foi dura com a Luisa, mas tem razão no fundo. Só que o problema não é só livro de geopolítica, é entender que a esquerda nacionalista precisa sim abraçar a eficiência técnica, mas sem se curvar ao deus-mercado. A Sheinbaum é prova disso: ela é de esquerda, mas é cientista, é técnica. O Lula também aprendeu com os erros do passado. O que a gente precisa é de mais acordos como esse e menos gente repetindo que “estatal é ineficiente” sem nunca ter pisado numa refinaria. Vamos em frente, que a aula de hoje foi longa, mas necessária.
Marina Silva
26/04/2026
Luisa Teens, para de gritar hashtag e vai ler um livro de geopolítica antes de achar que soberania energética se constrói com discurso de ocupação de reitoria.
Carlos Meirelles
26/04/2026
Maria Clara, você acertou em cheio. O problema nunca foi ser estatal ou privada, mas sim a gestão. E essa parceria com a Pemex, uma empresa que já deu prejuízo bilionário pros mexicanos, cheira mais a conchavo político do que a eficiência energética. Enquanto a Petrobras for usada como braço de política externa e não como geradora de valor pro acionista, vamos continuar pagando a conta.
Luisa Teens
26/04/2026
Carlos, acionista é a última coisa que importa quando o planeta tá pegando fogo e a gente precisa de soberania energética, não de lucro pra fundo abutre #ForaBolsonaro
Maria Clara Lopes
26/04/2026
Nadia, você trouxe um ponto interessante sobre eficiência. O problema não é a Petrobras ser estatal ou privada, mas sim a gestão. Se a parceria com a Pemex for mais um cabide de emprego e menos um projeto técnico, aí sim vira só foto mesmo. O ideal seria um meio-termo: cooperação regional sem perder o pé no que realmente funciona.
Nadia Petrova
26/04/2026
Que maravilha ver a América Latina finalmente agindo como bloco, e não como quintal de ninguém. Se a esquerda nacionalista brasileira conseguisse parar de demonizar o lucro e a eficiência, essa parceria poderia render frutos reais em vez de ser só mais um evento para foto.
Zé do Povo
26/04/2026
ESSA PATETAGEM DE COOPERAÇÃO ENTRE ESTATAIS SÓ VAI AUMENTAR NOSSO IMPOSTO! 😡 QUEREM TRANSFORMAR O BRASIL EM VENEZUELA! VOLTA PETROBRAS PRIVADA JÁ!
Carlos Henrique Silva
26/04/2026
Zé do Povo, seu comentário é um prato cheio pra gente desmontar essa narrativa rasa que a grande mídia e o mercado financeiro repetem como mantra há décadas. Primeiro, vamos aos fatos concretos: a Petrobras, mesmo com a política de preços alinhada ao mercado internacional que você defende, acumulou mais de R$ 200 bilhões em dívidas durante o governo Temer e Bolsonaro, enquanto distribuía dividendos bilionários para acionistas privados. Quem pagou a conta? O povo, com gasolina a R$ 7, diesel nas alturas e a inflação corroendo o salário. Privatizar a Petrobras não é solução — é entregar o controle do nosso petróleo a fundos estrangeiros que vão extrair o lucro máximo e deixar o Brasil sem soberania energética, como já vimos na Vale, que paga impostos irrisórios e exporta minério bruto enquanto a gente importa fertilizante.
Sobre o “transformar o Brasil em Venezuela”: essa comparação é um espantalho ideológico que ignora as diferenças estruturais entre os dois países. A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo, mas seu colapso veio da má gestão, sanções criminosas dos EUA e dependência excessiva de um único produto. O Brasil, ao contrário, tem uma matriz energética diversificada, um pré-sal gigante e, pasme, uma Petrobras que, mesmo sucateada por anos de gestão neoliberal, ainda é uma das maiores empresas do mundo em tecnologia de exploração em águas profundas. A cooperação com a Pemex não é “patetagem” — é inteligência estratégica. México e Brasil são duas das maiores economias da América Latina, e juntar expertise técnica, compartilhar custos de pesquisa e desenvolver cadeias produtivas regionais é o que qualquer país sério faz. Os EUA cooperam com o Canadá em energia, a Europa faz pool de compra de gás — por que a gente não pode?
O que realmente aumenta imposto não é estatal fazer parceria com estatal, é o Estado ter que socorrer empresas privadas quebradas, como vimos com a Ford e a Americanas, ou pagar juros estratosféricos da dívida pública que alimenta o rentismo. Se você quer imposto baixo, lute contra o sistema financeiro que suga 40% do orçamento federal só com juros, não contra uma cooperação que pode baratear o refino e reduzir a dependência de importação de diesel. A privatização da Petrobras, defendida por setores que você ecoa, levaria a um monopólio privado, com preços ainda mais altos e nenhum compromisso com abastecimento interno. Quer um exemplo? O gás de cozinha, que já foi vendido a preço de custo pela Petrobras, hoje custa os olhos da cara desde que abriram o mercado para concorrência privada. Reflita: quem realmente se beneficia com esse discurso de “privatização já”? Não é o motorista de ônibus, não é o trabalhador — é o mesmo capital financeiro que lucra com a desgraça alheia.
Paula Santos
26/04/2026
Ronaldo, você tocou num ponto que me preocupa como cristã: a falta de transparência nessas parcerias. A Bíblia já diz que “a verdade vos libertará”, mas parece que aqui a verdade fica escondida nos balanços contábeis. Se não houver prestação de contas clara e auditoria independente, essa cooperação vira só mais um acerto de cúpula que não chega na bomba de gasolina do trabalhador.
João Carvalho
26/04/2026
Pois é, Tadeu, você falou tudo. Enquanto essa turma tiver fazendo discurso bonito e assinando papel, quem paga o pato é o motorista de ônibus que vê o preço do diesel subir toda semana. Essa parceria aí é pra inglês ver, enquanto a gente continua ralando pra pagar conta de luz e gasolina.
Ronaldo Pereira
26/04/2026
João, você acertou em cheio. Enquanto a diretoria da Petrobras e a galera da Pemex trocam tapinhas nas costas, o motorista de ônibus em Salvador já tá fazendo conta pra saber se vai dar pra encher o tanque na próxima semana. Essa parceria sem controle operário e sem transparência de verdade é só mais um jeito de maquiar o lucro dos acionistas enquanto a classe trabalhadora se fode no posto.
Tadeu
26/04/2026
Pois é, Dr. Thiago, a Lava Jato mostrou o tamanho do buraco, mas parece que a lição que ficou foi como esconder melhor os números, não como limpá-los. Essa parceria aí vai render é mais títulos de dívida soberana e menos gasolina barata pra nós, contribuintes que pagamos a conta.
Dr. Thiago Menezes
26/04/2026
Luciana, você tocou no ponto crucial: auditoria independente. Mas me diga uma coisa: qual estatal petrolífera latino-americana já aceitou auditoria de verdade sem fazer lobby para mudar o relatório? A Petrobras teve a Lava Jato, quebrou sigilos e mesmo assim o controle acionário continuou nas mesmas mãos políticas. Essa cooperação Pemex-Petrobras vai render é mais subsídio cruzado disfarçado de “desenvolvimento regional”.
Luciana Santos
26/04/2026
Cíntia, você resumiu bem. Essa parceria vai render uns belos discursos em foros internacionais, mas no dia a dia a gente sabe como funciona. Enquanto não tiver auditoria independente e meta de redução de endividamento, é só foto e aperto de mão. Aqui em Salvador a gasolina não baixa por causa de cooperação nenhuma.
Cíntia Ribeiro
26/04/2026
Carlos, você pede metas claras, mas a verdade é que nenhum governo vai querer metas duras quando o jogo é manter estatal como cabide de emprego. Essa cooperação soa bonita no discurso, mas sem mecanismos de governança independentes, vira só mais um protocolo de intenções para foto.
Carlos A. Mendes
26/04/2026
Acho que o Tiago Mendes tem um ponto importante, mas essa conversa de “fortalecer estatais” precisa vir acompanhada de números. A Pemex deve mais de 100 bilhões de dólares, a Petrobras já foi a empresa mais endividada do mundo. Se essa cooperação não tiver metas claras de eficiência e redução de custos operacionais, vai ser só mais um jeito de queimar dinheiro público em nome da “soberania energética”.
João Augusto
26/04/2026
Tiago Mendes, seu comentário é o mais lúcido até aqui. O dilema real não é “estatal versus mercado”, mas sim que tipo de estatal estamos fortalecendo. A Pemex, como bem lembrou o Fernando, é um monumento à ineficiência e ao endividamento — drena 40% do orçamento mexicano sem conseguir refinar o próprio petróleo. Se a Petrobras embarcar nessa “cooperação” sem exigir contrapartidas técnicas e metas de produtividade, estaremos apenas exportando o modelo de captura política mexicano para o Brasil. Gramsci já nos alertava: hegemonia não se constrói com alianças vazias, mas com projetos que articulem eficiência técnica e direção moral.
Tiago Mendes
26/04/2026
Fernanda, o problema é que a pauta climática não existe no vácuo. Enquanto a direita avança no continente, a esquerda precisa mostrar que sabe governar e gerar emprego também. A transição energética justa passa por fortalecer as estatais, não por entregá-las ao mercado. O que a Sheinbaum está fazendo é construir soberania, e isso é bíblico: administrar a terra com responsabilidade, mas sem esquecer do povo que precisa de pão hoje.
Fernando O.
26/04/2026
Ricardo, você tocou num ponto que pouca gente encara de frente: Pemex e Petrobras são duas máquinas de fazer dívida e alimentar caixa político. Se essa “cooperação estratégica” não vier acompanhada de metas claras de eficiência e redução de custos, vai ser só mais um jeito de queimar dinheiro público com discurso bonito de integração regional.
Ricardo Almeida
26/04/2026
Ana Souza, o problema é que você pede transparência num governo que trata estatal como extensão do partido. A Pemex é um poço de dívida e corrupção, e a Petrobras já mostrou que virou balcão de negócios políticos. Cooperação estratégica sem controle social e sem auditoria independente é só mais um jeito de esquentar dinheiro público.
Ana Souza
26/04/2026
A parceria entre Pemex e Petrobras parece mais um acordo de cartas marcadas do que uma estratégia de desenvolvimento. Enquanto isso, a transparência sobre os termos financeiros e os reais benefícios para a população brasileira continua sendo um mistério. Cadê os detalhes que a imprensa deveria estar cobrando?
José dos Santos
26/04/2026
Pois é, Fernanda, mas a real é que a gente precisa de desenvolvimento sim. Tá difícil pagar as contas no fim do mês, a gasolina não para de subir e o povo aqui em Salvador só reclama do preço do transporte. Essa conversa de pauta climática é bonita, mas quem vive de aplicativo quer saber é de estabilidade e de não ter que escolher entre encher o tanque ou comprar arroz.
Fernanda Oliveira
26/04/2026
Ana Karine, você foi cirúrgica. Ver a esquerda latino-americana se unindo em torno de pautas energéticas é bonito no discurso, mas me preocupa que essa “cooperação estratégica” vire só mais um aceno ao desenvolvimentismo predatório. Cadê a pauta climática de verdade nessa conversa? Enquanto Sheinbaum e Petrobras apertam as mãos, a Amazônia e o Golfo do México continuam sendo tratados como postos de gasolina.
Ana Rodrigues
26/04/2026
Pois é, Lucas Moreira, mas aí o problema é que “investidor privado” não quer saber de refino pesado ou exploração em águas profundas sem garantia de retorno em cinco anos. Essa parceria pode até dar errado, mas a alternativa de entregar tudo pra iniciativa privada é pior: eles pegam o lucro e deixam o passivo ambiental e social pro Estado. Só acho que deviam ser mais transparentes sobre os números dessa cooperação pra não virar mais um cabide de emprego.
Lucas Moreira
26/04/2026
Mais um capítulo da novela “vamos usar dinheiro público para pagar a conta de estatais falidas”. Enquanto isso, o investidor privado fica de fora, vendo o governo queimar bilhões em “cooperação estratégica” que nunca gera retorno. Se fosse uma parceria entre empresas privadas, teria que apresentar valuation e projeção de lucro. Aqui, basta um aperto de mão e um discurso bonito. O contribuinte que pague a conta, como sempre.
Cíntia Alves
26/04/2026
Ana Karine, você trouxe um ponto que eu tava pensando aqui. Essa conversa de “transição energética” soa bonita no papel, mas na prática vira desculpa pra abrir o setor pra fora enquanto a gente fica com o ônus social. Tomara que essa parceria não seja só mais um protocolo de intenções bonito no Instagram da Sheinbaum.
Ana Karine Xavante
26/04/2026
Lucas Pinto, você tocou no ponto central que a maioria aqui está ignorando: o enquadramento materialista. Não é coincidência que essa reunião acontece agora, num momento em que a transição energética é usada como discurso para justificar a abertura do setor ao capital estrangeiro. Sheinbaum e Lula estão tentando construir uma alternativa concreta ao modelo de dependência que nos é imposto há séculos.
O que me preocupa, no entanto, é o risco de essa “cooperação estratégica” virar apenas mais um capítulo do extrativismo progressista. A esquerda latino-americana precisa parar de tratar petróleo como se fosse desenvolvimento. Não adianta ter estatais fortes se o modelo continua sendo perfurar, vender e deixar os territórios indígenas e as comunidades tradicionais pagarem a conta. O discurso anticolonial não pode ser só sobre quem controla a bomba de gasolina — tem que ser sobre quem decide se a bomba vai continuar funcionando.
E olha, Paulo Rocha, com todo respeito, mas seu comentário é exatamente o tipo de simplificação que impede o debate sério. “Corrupção sistêmica da esquerda”? A Pemex foi sangrada por décadas por governos do PRI e do PAN, que são de direita. A Petrobras sofreu o maior assalto da história com a Lava Jato, que era um projeto político para entregar o pré-sal. O problema não é esquerda ou direita — é o colonialismo interno que faz com que qualquer estatal latino-americana seja tratada como caixa-preta enquanto as petroleiras europeias e norte-americanas são chamadas de “parceiras estratégicas”.
No fim, o que me dá esperança é ver duas presidentas mulheres, uma delas indígena como eu, tentando construir algo diferente. Mas esperança sem vigilância crítica é só ilusão. Vou acompanhar de perto os próximos passos dessa parceria, especialmente se vai incluir algum compromisso real com a redução da exploração em territórios sensíveis e com a reparação histórica das comunidades impactadas.
Paulo Rocha
26/04/2026
Ricardo Menezes, você é ingênuo ou desonesto? Essas estatais são sim ineficientes por causa da corrupção sistêmica da esquerda. Essa “cooperação estratégica” é só mais um jeito de queimar dinheiro do contribuinte brasileiro para financiar o socialismo mexicano. Enquanto isso, o Brasil paga a conta. Vai pra Cuba, Sheinbaum!
Paulo Ribeiro
26/04/2026
Paulo Rocha, seu comentário revela mais sobre a sua visão de mundo do que sobre a realidade objetiva das estatais. Você repete o mantra raso de que “corrupção sistêmica da esquerda” é a causa da ineficiência, mas ignora que a Pemex e a Petrobras foram sistematicamente sangradas por décadas de políticas neoliberais que privilegiaram a remessa de lucros para acionistas estrangeiros em detrimento do investimento em refino e exploração. Não é “socialismo mexicano” que está em jogo — é a soberania energética de dois países periféricos que, ao contrário do que você sugere, tentam se livrar do jugo das multinacionais que sempre ditaram os preços e as condições de exploração do nosso subsolo. A ineficiência que você tanto denuncia é, em grande medida, fruto do sucateamento promovido por governos que achavam que o mercado resolveria tudo, enquanto a infraestrutura apodrecia.
Você fala em “queimar dinheiro do contribuinte brasileiro para financiar o socialismo mexicano”, mas essa frase não resiste a um mínimo de análise materialista. A cooperação entre a Pemex e a Petrobras não é um cheque em branco para o México; é uma troca de tecnologias, de know-how em exploração de águas profundas e de estratégias de refino que beneficia ambos os lados. Enquanto a Petrobras domina a extração no pré-sal, a Pemex tem expertise em refinarias complexas. Se você acha que isso é “socialismo”, sugiro ler Gramsci para entender como a hegemonia do capital financeiro transforma qualquer tentativa de cooperação Sul-Sul em “ameaça comunista”. O verdadeiro desperdício de dinheiro público foi a política de preços de paridade de importação (PPI) que, durante o governo Bolsonaro, entregou bilhões aos acionistas da Petrobras enquanto o povo pagava o diesel mais caro do mundo.
Por fim, seu “Vai pra Cuba, Sheinbaum!” é o tipo de provocação que revela o esvaziamento do debate político no Brasil. Em vez de discutir os termos concretos da parceria — que envolve compartilhamento de tecnologia, joint ventures em exploração e até possíveis acordos de fornecimento de fertilizantes —, você recorre ao velho anticomunismo de araque. Mariátegui já nos ensinava que o nacionalismo revolucionário na América Latina não é um transplante de modelos estrangeiros, mas a afirmação de nossas potencialidades contra o imperialismo. Se a Sheinbaum está buscando fortalecer a Pemex para que o México não seja mero exportador de petróleo cru, isso é algo que deveria ser celebrado por qualquer brasileiro que queira o mesmo para a Petrobras. Mas você prefere o espetáculo da indignação moral a entender a lógica de classes que move essa parceria.
Lucas Pinto
26/04/2026
A discussão aqui está num nível interessante, mas acho que falta um enquadramento mais materialista para entender o que realmente significa essa reunião entre Sheinbaum e a cúpula da Petrobras. Não se trata de “estatais falidas” versus “eficiência privada”, como o Rodrigo colocou, nem de uma simples questão de “boa gestão”, como o Ricardo sugeriu. O que estamos vendo é um movimento geopolítico concreto dentro da lógica do capitalismo dependente latino-americano. Pemex e Petrobras não são empresas quaisquer; são os braços estatais que controlam o principal insumo energético da região. Quando Sheinbaum, que vem de um governo de coalizão ampla mas com viés progressista, sela essa cooperação, ela está tentando rearticular a margem de manobra do Estado mexicano frente à pressão dos EUA e das petroleiras privadas. Ignorar isso é cair no moralismo liberal que trata toda estatal como inerentemente corrupta, sem analisar o contexto de sucateamento e as tentativas de privatização que essas empresas sofreram nas últimas décadas.
A Maria Aparecida e a Cecília acertam em cheio ao lembrar que a “eficiência” do mercado é um fetiche ideológico. Gramsci já ensinava que o senso comum dominante naturaliza a exploração como se fosse a única forma racional de organizar a produção. Dizer que a Petrobras era melhor “quando tinha gestão privada” é ignorar que a gestão privada significou, na prática, o desmonte da cadeia de fornecedores nacionais, a política de preços de paridade de importação (PPI) que quebrou a indústria brasileira e a entrega do pré-sal para acionistas estrangeiros. O problema da Pemex e da Petrobras não é serem estatais; é que, por décadas, foram geridas como se fossem empresas privadas a serviço do capital financeiro, com a diferença de que o prejuízo era socializado e o lucro, privatizado via dividendos e corrupção sistêmica. Uma cooperação estratégica entre elas, se for para retomar o controle soberano sobre a produção e refino, pode ser um passo para quebrar essa lógica.
Dito isso, sou ateu e marxista, então não vou apelar para a Bíblia como a Maria Aparecida fez, mas concordo com o espírito da crítica: a soberania energética não é um conceito abstrato, é uma condição material para qualquer projeto de desenvolvimento que não seja subordinado. O problema, e aí o Eduardo C. tocou num ponto crucial, é que o “sucateamento” não é um acidente de percurso. Ele é orquestrado por frações da burguesia interna e pelo imperialismo para justificar exatamente o que o Rodrigo defende: a abertura ao capital privado. Se essa parceria Pemex-Petrobras se limitar a troca de tecnologia e joint ventures para explorar poços já maduros, será um paliativo. Se, ao contrário, significar a construção de refinarias conjuntas, a criação de uma cadeia de fornecedores regionais e a coordenação de preços para enfrentar o mercado spot, aí sim teremos um movimento que desafia a lógica do capitalismo dependente. Mas, para isso, Sheinbaum e Lula precisariam enfrentar o próprio aparelho de Estado capturado pelo rentismo, o que é uma tarefa hercúlea.
No fim das contas, o que me irrita nesse tipo de comentário liberal é a falsa dicotomia entre “estatal ineficiente” e “privado eficiente”. Foucault mostrou como o discurso da “governança” e da “boa gestão” é uma tecnologia de poder que despolitiza as decisões econômicas. A pergunta correta não é se a estatal gasta mais ou menos, mas a serviço de quem ela opera. Se for a serviço do povo mexicano e brasileiro, garantindo emprego, energia barata e investimento em transição energética controlada pelo Estado, que seja ineficiente aos olhos do mercado. O mercado acha “eficiente” demitir 10 mil trabalhadores e aumentar o lucro do acionista. Essa eficiência eu dispenso. O que me preocupa é que, sem uma pressão popular organizada, essa “cooperação estratégica” pode virar mais um capítulo de como as elites latino-americanas usam o discurso da soberania para negociar melhores termos dentro da subordinação, sem jamais romper com ela.
Eduardo C.
26/04/2026
Ricardo Menezes, discordo da parte do “cabide de emprego”. Pemex e Petrobras têm problemas de gestão sim, mas isso é consequência de décadas de sucateamento promovido por quem quer entregar o petróleo para multinacional. O que está em jogo aqui não é eficiência administrativa, é soberania energética. Se a parceria der certo, fortalece os dois países contra o mercado internacional.
Ricardo Menezes
26/04/2026
Rodrigo, você tem razão sobre a ineficiência dessas estatais, mas o problema não é ser estatal ou privada — é a gestão. Pemex e Petrobras são máquinas de fazer político viver de cabide de emprego. Essa “cooperação estratégica” é só mais um jeito de queimar dinheiro do contribuinte enquanto a burocracia engorda. Se fosse livre mercado de verdade, ninguém precisava de estadista pra segurar vela.
Cecília Ramos
26/04/2026
Maria Aparecida, amém! É exatamente isso. Tem gente que acha que “eficiência” de mercado é sinônimo de justiça, mas esquece que o lucro privado nunca vai priorizar o bem-estar do povo. Essa parceria entre Pemex e Petrobras é um passo concreto pra gente parar de ser refém de corporações estrangeiras e construir soberania energética de verdade na América Latina.
Rodrigo RedPill
26/04/2026
Luan, você acha mesmo que essa parceria entre estatais falidas vai dar certo? Pemex é um poço de corrupção e ineficiência, e Petrobras já foi melhor quando tinha gestão privada. China fecha acordo porque quer explorar os recursos da América Latina, não porque acredita em “cooperação estratégica”. Enquanto isso, o Brasil perde oportunidades de verdade com o mercado livre. Mas né, difícil esperar racionalidade econômica de quem ainda defende estatal como solução mágica.
Maria Aparecida
26/04/2026
Rodrigo, a Bíblia não chama de “eficiência” quando o rico explora o pobre e o mercado livre concentra riqueza — chama de pecado. Pemex e Petrobras têm desafios, mas são ferramentas de soberania; prefiro uma estatal imperfeita que pensa no povo do que mão invisível que só enxerga lucro. E sobre a China, melhor ela sentar na mesa conosco do que continuarmos sendo quintal de petrolíferas que sugam nosso petróleo sem deixar nada pra quem mais precisa.
Bia Carioca
26/04/2026
João Pereira, você acertou em cheio. Enquanto a esquerda brasileira perde tempo com briga de ego e purismo ideológico, a China e o México já estão na jogada. Essa parceria Pemex-Petrobras é o tipo de articulação que a gente precisa ver mais: estatais se fortalecendo juntas contra o imperialismo energético. Rodrigo Neves que lute por projetos assim também — transporte público e soberania energética andam de mãos dadas.
João Pereira
26/04/2026
João Carlos da Silva, você tocou num ponto que pouca gente enxerga: enquanto a esquerda brasileira ainda discute se estatal é boa ou ruim, a China já sentou na mesa com México e Brasil pra ditar as regras do jogo energético na América Latina. Essa parceria Pemex-Petrobras é um aceno claro de que o continente cansa de ser mero exportador de matéria-prima barata. O problema é que, aqui, o debate ainda patina entre “privatiza tudo” e “estatal é santa” — e ninguém pergunta quem está lucrando de verdade com essa dança.
João Batista
26/04/2026
João Batista, irmão, você cita moralidade e transparência, mas esquece que a Bíblia condena quem explora o pobre e engorda o rico. A parceria entre estatais latino-americanas é o que há de mais estratégico numa região que sempre foi saqueada por petroleiras estrangeiras. Enquanto a direita prega o Estado mínimo, o povo morre de fome — e quem controla o petróleo controla o destino da nação.
Luan Silva
26/04/2026
João Batista, vai tomar vergonha na cara. Enquanto você chora defesa da iniciativa privada, a China fecha parceria com estatal mexicana e o Brasil fica de fora. Faz o L nunca mais, mas faz o B de burro também não.
João Carlos da Silva
26/04/2026
Luan, a questão não é apenas geopolítica — é pedagógica. Enquanto o debate público brasileiro fica refém de ataques pessoais e maniqueísmos, a China entende que Estado e mercado não são opostos, mas articulações de poder. Se a esquerda não oferecer análise, entrega o debate ao achismo.
João Batista Alves
26/04/2026
Mais uma parceria entre estatais que só serve para engordar o cofre de políticos e partidos, enquanto o povo paga a conta. Cadê a moralidade e a transparência que esses governos de esquerda tanto pregam? O Brasil precisa é de menos Petrobras e mais iniciativa privada gerando emprego e renda de verdade.
Carlos Oliveira
26/04/2026
João Batista, você já parou pra pensar que a Petrobras é uma das empresas que mais gera emprego e renda no Brasil, e que a iniciativa privada sozinha nunca vai investir em refinarias ou em exploração de petróleo em águas profundas sem garantia do Estado? A transparência que a senhora cobra existe nos balanços públicos da estatal, coisa que empresas privadas não são obrigadas a mostrar.
João Silva
26/04/2026
João Batista, você está repetindo o mantra neoliberal de que o Estado é ineficiente por natureza, mas esquece que a Petrobras foi construída com capital público e é um dos maiores ativos estratégicos do país — sem ela, a iniciativa privada estaria importando gasolina a preço de dólar e mandando lucro pra fora. Essa parceria com a Pemex não é “engorda de cofre”, é soberania energética entre países do Sul global, algo que o mercado jamais faria.