Um artigo publicado no periódico Nature Communications conclui que condições de calor fatais para seres humanos estão acontecendo ao redor do mundo. Segundo o estudo, divulgado em 2026, foram analisados seis eventos — na Ásia, na Europa e na Austrália — que juntos somaram quase 80 mil mortes notificadas. A pesquisa observou que todos tiveram períodos em que a combinação de calor e umidade seria mortal para pessoas acima de 65 anos que permanecessem seis horas em exposição direta ao sol.
Eventos de calor extremo se tornaram mais comuns, sobretudo nas duas últimas décadas. “Nós temos tido ondas de calor mais intensas, mais frequentes e mais duradouras”, explica Tercio Ambrizzi, especialista em mudanças climáticas e professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. O pesquisador destaca que, em geral, esses fenômenos atingem principalmente regiões urbanas e que a maior intensidade aumenta o risco à saúde humana.
Calor é desigual
Para chegar ao ponto extremo de causar um óbito, muitas vezes o calor se alia a questões sociais ou de saúde. Áreas com alta densidade demográfica e pouca arborização, geralmente de baixa renda, são mais quentes do que aquelas bem arborizadas, normalmente bairros de alto padrão.
O calor também afeta desproporcionalmente idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Isso faz com que problemas decorrentes de calor extremo sejam, na prática, associados a outras condições. “As ondas de calor causam mortes no Brasil, apesar de subnotificadas. Muitas vezes, a causa direta do óbito não é registrada nos hospitais. A pessoa entra com sintomas relacionados a uma onda de calor, mas isso acaba não sendo documentado.”
Como mitigar?
Ondas de calor mais intensas e mais frequentes são o novo normal, e é preciso aprender a lidar com elas. Ambrizzi considera necessária uma ação coordenada do poder público e lista medidas que podem ser tomadas: sistemas de alerta, planos de ação e refúgios térmicos.
A distribuição urbana, o uso massivo de concreto e a pouca arborização fizeram com que as cidades se tornassem ilhas de calor, com temperaturas significativamente mais altas que as regiões ao redor. Para reduzir os efeitos desse fenômeno, a resposta é clara: arborização. “Muito mais áreas verdes”, enfatiza o professor.
O corpo humano dá sinais de que está tendo problemas para lidar com o calor. Sintomas como sede intensa, fraqueza, fadiga, tontura e dores de cabeça podem ocorrer. No entanto, se evoluírem para algo mais grave, como confusão mental, pele muito seca e vômitos, recomenda-se procurar um hospital.
Texto de Frederico Gomes, sob supervisão de Marcia Avanza.
Fonte: Jornal da USP


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