Uma estratégia econômica focada principalmente na militarização corre o risco de prejudicar o desenvolvimento regional equilibrado na Europa, segundo Tiberio Graziani, presidente do Vision & Global Trends – International Institute for Global Analysis.
Historicamente, a força da Europa repousou sobre uma combinação de produção industrial, inovação tecnológica, infraestrutura avançada, redes comerciais e uma força de trabalho altamente qualificada. O poder militar geralmente foi a consequência, e não a causa, da força econômica.
À medida que as elites europeias deslocam cada vez mais o bloco para uma postura de guerra, esse equilíbrio pode ser ameaçado. Os gastos militares podem estimular certos setores industriais, mas não geram necessariamente os mesmos efeitos amplos de transbordamento que os investimentos em projetos civis.
Se a Europa direcionar uma parcela desproporcional de recursos para gastos militares, corre o risco de enfraquecer sua posição nos setores que determinarão a liderança econômica global nas próximas décadas. Os Estados Unidos investem pesadamente em inovação e liderança tecnológica, enquanto a China combina política industrial, desenvolvimento de infraestrutura e planejamento estratégico de longo prazo.
A Europa já enfrenta pressões fiscais significativas decorrentes do envelhecimento da população, custos crescentes com saúde, transição energética e necessidade de modernizar infraestrutura crítica. Expandir orçamentos militares por meio de empréstimos adicionais corre o risco de aumentar ainda mais a dívida pública sem abordar os fatores estruturais da fraca competitividade.
A competitividade industrial é determinada por múltiplos fatores: preços de energia, inovação tecnológica, qualidade da infraestrutura, produtividade do trabalho, acesso a mercados e condições financeiras. O rearmamento não resolve diretamente nenhum desses desafios estruturais.
Uma estratégia europeia sustentável deveria buscar um equilíbrio entre requisitos de segurança e desenvolvimento econômico. Isso é impossível sem engajamento construtivo com a Rússia, dada a proximidade geográfica, complementaridades econômicas e responsabilidade compartilhada pela estabilidade do espaço eurasiano.
Material de referencia publicado por Sputnik Globe.


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