Cafezinho das 3: por que as manifestações de domingo floparam?

Taquigrafia marineira

Por Miguel do Rosário

09 de outubro de 2013 : 15h45

Estou em São Paulo. Ás 16:30, participarei do relançamento do Observatório da Mídia, iniciativa da Carta Maior, que terá presença de muitos jornalistas importantes do Brasil e do exterior. O ex-presidente Lula deverá pintar por lá.

Perdoem-me os possíveis erros. Vou anotar alguns pensamentos às pressas.

Marina Silva deu 3 entrevistas hoje aos maiores jornais (Globo, Folha, Estadão), e não negou em nenhum deles que usou a expressão “chavismo”, referindo-se pejorativamente ao PT. No Estadão, confirmou que usou o termo.

A perplexidade foi tão grande com o uso dessa expressão, típica da extrema direita, que vários dos fãs de Marina tentaram negar a realidade. E alguns jornalistas interpretaram, equivocadamente, uma nota da Rede, divulgada ontem, como negação dela. Não foi. Ao contrário, a nota da Rede, assinada por Pedro Ivo, antes confirma o uso da expressão.

É interessante observar que a nota da Rede, publicada ontem 13:33, tinha apenas 7 comentários e 54 compartilhamentos hoje pela manhã. E isso no momento em que Marina está no auge da visibilidade. O que mostra que há um bocado de artificialismo nessa “força” de Marina nas redes. Não há. Os milhões de votos que teve em 2010 foram antes fruto do voto evangélico ou de protesto.

Eu, um modesto blogueiro sem nenhum acesso aos grandes meios de comunicação, fiz um post meio bobinho pro Tijolaço, que teve 8 mil compartilhamentos em 2-3 dias. Tem alguma coisa que não bate aí. É por isso que ela não conseguiu assinaturas.

As três entrevistas da Marina Silva podem ser lidas aqui.

*

Encontrei um cientista político no avião e viemos juntos à Vila Mariana e almoçamos juntos. Ele estava impressionando com a falta de senso de Marina Silva. “Nada que ela fala tem sentido. Parece caso de internação psiquiátrica!”

Ele entende que Marina está “muito iludida”. Os 20 milhões de votos que ela obteve em 2010 não eram “dela”. Faz parte da “estrutura do eleitorado brasileiro” dar voto a uma terceira força. Foi assim com Enéas, Garotinho e Heloísa Helena, em eleições anteriores. É um voto antigovernista que não se identifica, porém, com a oposição, também vista como “governo”, visto que comandou o Brasil por muito tempo.

“O povão não se identifica com o PSDB, visto como partido dos ricos. A classe média assalariada também é muito desconfiada, porque sofreu muito durante o governo FHC. E o jovem quer novidade, coisa que o PSDB não oferece. Todos os votos antigovernistas reunidos desses segmentos escoam para uma terceira via”.

“Quer dizer, nem é certo chamar de terceira via. É o que em ciência política se chama coalização de veto, sem trazer uma agenda propositiva”.

“Qualquer candidato que encarne essa coalização herda cerca de 20% do eleitorado, a depender da conjuntura. Eventualmente, se o eleitorado entender que Eduardo Campos & Marina Silva for a verdadeira oposição, então eles herdarão o voto do PSDB, que murchará, e sumirá do mapa. O que não é fácil fazer, dado o enraizamento do PSDB em SP e Minas. Será uma proeza do Eduardo Campos. Mas era uma coisa que ele já estava tentando fazer, fazendo contato com empresários”.

Marina pode, contudo, atrapalhar Eduardo neste sentido, porque ela tende a embarreirar obras de infra-estrutura.

Ele me adiantou ainda que teremos eleições bastante competitivas em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. “Vamos ter fortes emoções nesses lugares”.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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12 comentários

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Jose Espirito Santo

14 de outubro de 2013 às 11h26

Já que o governo DILMA é CHAVISTA , devemos votar em MASSA na DILMA , POIS AQUI como na VENEZUELA a DIREITA é completamente ENTREGUISTA e AMERICANIZADA , e governam para 0,5 % DO POVO enquanto que 99,5 % fica na SARJETA , e da onde se CONCLUI que Marina a TRAÍRA é o CAPRILES de saia…. , como o BRASILEIRO NÃO GOSTA DE PASSAR FOME , dos 99,5 % somos MADURO para votar na DILMA ,…. E DEIXAR PROS 0,5 % votarem no CAPRILES , pois temos que ter consciência de CLASSE e nunca votar na CLASSE dominante , POIS OS NÉO-LILBERAIS , PADRÃO ITAÚ , vão fazer com o BRASIL o MESMO que fizeram com a GRÉCIA , a MAIOR TRAGÉDIA DA HUMANIDADE .

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Alessandro

10 de outubro de 2013 às 15h47

Uma coisa que me chama atenção e que merece uma discussão mais aprofundada é a encalacrada em que está metido o Aécio Neves.

Tendo em vista o novo cenário e eventuais dificuldades de sua candidatura ( falta de carisma, de ímpeto, dificuldades em contagiar o PSDB, baixos índices nas pesquisas, Serra nos calcanhares etc), há, em sua órbita, uma nuvem que opina de que seria melhor a ele voltar a Minas e garantir seu feudo.

Se concorresse à presidência, poderia perder a eleição e, de quebra, perder o governo de Minas para o PT de Pimentel.

Mas há um risco enorme nisso tudo. E se Aécio desistisse de ser candidato a presidente, voltasse pra Minas e perdesse também a eleição para governador? Uma vitória de Aécio em Minas não seria automática. Há diversos novos componentes lá. O desgaste do PSDB é um fenômeno nacional, com impactos ainda mais possíveis nos estados. Sua estrutura midiática / patronal seria suficiente para elegê-lo? É possível que sim, mas é também uma manobra muito arriscada. O Pimentel está muito bem posicionado hoje. Aécio poderia perder para o petista e esmigalhar seu cacife político. Veja Serra: em 2012 voltou-se à eleição em São Paulo como estratégia de novo crescimento futuro. Deu no que deu….

Ao mesmo tempo, concorrendo à presidência, Aécio enfrentará dificuldades enormes nos seu próprio colégio. Pois lá haverá um palanque muito forte para a Dilma com o Fernando Pimentel.

Me parece um dilema e tanto.

É por isso que, ao meu ver, Aécio fará até briga de foice no escuro para manter sua candidatura a presidente. Pode perder a eleição, mas é um risco mais vantajoso que aquele que correria voltando pra Minas….

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Djijo

10 de outubro de 2013 às 15h05

Acho que disso isso também aqui, Marina = suprime, uma bolha.

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Ângelo Neto Canzi

10 de outubro de 2013 às 02h20

Como a globo não tinha mais como investir na tucanada, resolveu partir para o plano B…

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Maria De Lourdes Silva

10 de outubro de 2013 às 00h56

Deixem eles pra lá! Marinarvore é pura descontração! kkkkk

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fabio

09 de outubro de 2013 às 20h17

Marina nao tem projeto, discurso e esta se mostrando traira das suas conviccoes, se e que tem alguma.

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Marcia Oliveira

09 de outubro de 2013 às 21h23

Jô e suas “meninas” estavam colocando Blablarina e Campos nas alturas. Como já dizia Brizola, o que é bom para a Globo é ruim para o Brasil.

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carlos-fort-ce

09 de outubro de 2013 às 18h23

• A sustentabilidade se sustenta em práticas sustentavelmente corretas, de impacto sustentável, com reflexos que se sustentam por sua própria sustentabilidade (Paulo Henrique Amorim sobre a Blá Blá Rina).

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Maria J. Gama

09 de outubro de 2013 às 20h16

Se perdeu com a fome de poder!

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Rosemary Perez

09 de outubro de 2013 às 19h03

Incompetente, não consegue fundar um pArtido, traidora, cadê os vinte milhões de votos que teve??? Piada mesmo tudo isso.

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Maria Dirce Cordeiro

09 de outubro de 2013 às 18h56

perto da hora avise-nos por favor, tal acontecimento temos que estar juntos!

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Lilana Lima

09 de outubro de 2013 às 18h52

Uma vez traíra. .. nao pode nunca ser baleia, ou bagre, golfinho e por aí vai!

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