Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

O carnaval não é de meganha, juiz ou mídia

Por Miguel do Rosário

23 de janeiro de 2016 : 09h55

Um internauta me envia um samba que será cantado no carnaval do Rio, este ano, com uma letra política, contra a TV Globo e contra o imperalismo que, no Brasil, “tem juiz, tem congresso, tem polícia federal”.

Eu reproduzo o samba abaixo, mas antes queria fazer um comentário sobre algumas reportagens que tem saído na mídia, sobre as “novas máscaras de carnaval”.

Todo ano é a mesma coisa. Eles tentam impor, pela propaganda na mídia, algumas máscaras de seu interesse.

Há algum tempo atrás foi de Joaquim Barbosa. Foi o mais absoluto fiasco: um fabricante que entrou na onda da mídia tomou um prejuízo incalculável. Ninguém comprou a máscara.

Agora é a do “japonês” da Polícia Federal. A Folha fez matéria, com destaque na capa.

Só que isso é muita ignorância sobre o que seja o carnaval.

As operações recentes da PF tem estimulado a mídia, que é o representante do que existe de mais autoritário no país, a tentar criar, ou recriar, no Brasil a cultura do “meganha”.

As fotos em primeira página das prisões da Lava Jato, dos réus algemados ao lado de agentes da PF armados até os dentes, correspondem a esse esforço.

As selfies de coxinhas com policiais mostram que alguns setores sociais realmente se identificam com os “meganhas”.

É a turma da “intervenção militar constitucional”, que se manifestaram com faixas inclusive em inglês, pedindo “militar intervention”.

São os zumbis da mídia, enfim.

Entretanto, o carnaval sempre foi justamente o contrário disso.

No carnaval, festa popular, a identificação das pessoas tende para o lado oposto da autoridades.

No carnaval, as pessoas saem fantasiadas de presidiário, de malandro, de zé-ruela, de ladrão, de prostituta, de preto-véio, de saci, de marginal, de bicheiro.

É mais provável que as pessoas saiam fantasiado de “preso da Lava Jato” do que de “japonês da Polícia Federal”.

De vez em quando aparece alguém fantasiado de policial, mas em geral é pelo lado sensual, erótico, meninas vestindo “uniformes” justíssimos, mini-saia, como que satirizando o uniforme da polícia.

É por isso que, em algum momento, a tentativa grotesca de criminalizar Lula, toda essa presepada em torno de sua “prisão” iminente, esses bonecos infláveis gigantes que o representam vestido de presidiário, servirá apenas para esculpir a popularidade do presidente com o que lhe faltava, a aura de alguém perseguido pelas elites.

Lula até tenta evitar qualquer vitimização de si mesmo, como deixou claro no início da entrevista aos blogueiros, mas a mídia insiste tanto nessa perseguição que, a revelia de Lula, a imagem do perseguido se impõe.

Ontem, por exemplo, o Globo era inteiramente um pasquim dedicado a perseguir Lula. Amigo de Lula preso. Filho de Lula investigado. Lula depondo na Polícia Federal. Tudo era Lula, Lula, Lula, Lula.

O desespero para destruir Lula, contudo, é patético. O que ele fez não pode ser desfeito.

Ninguém poderá fazer o povo vomitar o que comeu em oito anos de seu governo.

***

Bloco Carnavalesco Inimigos do Império 2016

Folia, rebeldia irreverência e malemolência!

Ato lúdico que faz parte do calendário dos eventos no ano de 2016, que enfatiza nossa luta contra o império, por um mundo melhor, com mais justiça social, sem discriminação racial, econômica ou de gênero, sem criminalização da pobreza, por educação e saúde de qualidade para todos, com igualdade de oportunidades. Nossa luta continua e acontece a cada instante no dia-a-dia.

Samba: autoria de Cid Nelson e Samurai.

“Tio Sam, não faz comigo”
Como foi verde o meu Vale quando era brasileiro
Agora é um canal de lama sujando o Brasil inteiro
É da sobra a escória do nosso melhor minério
Pra poder levar limpinho pra essa bosta de império

No Brasil, … o tio Sam é o maioral:
Tem congresso, tem juiz, tem polícia federal
Passeata de coxinha, revoada de tucano
TV Globo e Capa Preta, tudo em prol do americano

Ó TIO SAM, NÃO FAZ COMIGO
O QUE FEZ NO MUNDO INTEIRO
TU VAI VER QUE MERDA É
SE METER COM BRASILEIRO!

Ao olhar pela janela vejo o Cristo e o Sumaré
TV Globo é mais que o filho de Maria com José
Deve ser minha visão que está cheia de remela
É que passo o dia inteiro com notícias de novela

Ó TV GLOBO, NÃO FAZ COMIGO
O QUE FAZ SÓ POR DINHEIRO
TU VAI VER QUE MERDA É
ENGANAR COM BRASILEIRO!

Agradecimentos:
Cantor: Samurai
Arranjos: Bruno Santos
Produtores: Eduardo Viana (Dudu) e Wellington
Imagens e vídeo: Guilherme Almeida

Participar do Bloco Inimigos do Império é uma forma divertida de lutar contra o imperialismo, contra os donos do mundo. Participar do Bloco Inimigos do Império é valorizar os Direitos Humanos e as lutas sociais por um mundo melhor. Participar do Bloco Inimigos do Império é valorizar o ser humano, com irreverência, malemolência, muito tempero e rebeldia.

Participar do Bloco Inimigos do Império é restaurar a crítica política, durante o carnaval, que era comum, nas Sociedades Carnavalescas do tempo do império, tais como, os Tenentes do Diabo, os Democráticos e os Fenianos, que defendiam a abolição da escravatura, preconizavam a república e satirizavam o imperador.

O Bloco Inimigos do Império é mais uma iniciativa dos integrantes do grupo Os Amigos de 68. Nosso encontro carnavalesco é pura folia, folia e indignação.

Por um mundo melhor, com mais justiça social, sem discriminação racial, econômica ou de gênero, sem criminalização da pobreza, por educação e saúde de qualidade para todos, com igualdade de oportunidades. Nossa luta continua e acontece a cada instante no dia-a-dia.

Para ouvir o samba, clique no link abaixo.

https://www.facebook.com/eli.eliete/videos/10205396119128501/?ref=notif&notif_t=like

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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5 comentários

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Sebastião Ilton Moraes

24 de janeiro de 2016 às 14h25

Deveria ter mascara do chato da propina mesmo !!!

Responder

André Pieroni

24 de janeiro de 2016 às 00h10

Não vai ter máscara do chato da propina?

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Fabio Marques

23 de janeiro de 2016 às 18h16

Nada a ver quem tinha que vira máscara era nestor cervero

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Paulo Silva

23 de janeiro de 2016 às 16h34

eu gostaria de ver máscaras com artistas e jornalistas de marcas de jornalismo do Brasil. Seria mais divertido hahahaha

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Petralha Zuero

23 de janeiro de 2016 às 14h09

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