Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Depois das bombas de Jucá, golpistas entram em pânico e querem antecipar votação do impeachment no Senado

Por Miguel do Rosário

26 de maio de 2016 : 11h35

Charge: Bira Dantas

Michel Temer quer votar saída definitiva de Dilma Rousseff até agosto

No Estado de Minas

A revelação de que Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobrás), teve homologada sua delação premiada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode alterar os prazos do processo de impeachment no Senado. Governistas se articulam para antecipar o trâmite e a oposição a Michel Temer tenta arrastar ainda mais a análise do afastamento de Dilma Rousseff.

Conforme apurou o Estado, Machado citou mais nomes em sua delação além dos divulgados até agora (Romero Jucá, José Sarney e Renan Calheiros, todos do PMDB). De acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, Temer não está implicado diretamente no depoimento de Machado, mas pilares importantes de sua base de sustentação política aparecem na delação premiada e nas conversas do ex-executivo da Transpetro.

Essa informação aumentou o grau de apreensão nos bastidores dos Poderes ontem, 25, e fez crescer o temor de um novo período de recrudescimento da crise política, o que causaria instabilidade para a gestão do presidente em exercício e poderia atrapalhar sua estratégia de recuperação da economia, neste momento dependente da aprovação de medidas no Congresso.

Do lado da presidente afastada, a estratégia é apostar em um ambiente político conturbado em busca de inviabilizar politicamente Temer.

Pressa

Ontem, 25, a comissão que analisa o processo de impeachment voltou aos trabalhos e já discutiu um cronograma. De acordo com a sugestão do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG), o processo pode se encerrar já no início de agosto nessa instância. A proposta adianta em um mês a previsão inicial do presidente do colegiado, Raimundo Lira (PMDB-PB), que era de 120 dias.

Durante a sessão, a senadora governista Simone Tebet (PMDB-MS) sugeriu ainda uma redução de 20 dias no cronograma apresentado pelo relator. A senadora defendeu que o prazo para alegações finais da defesa e da acusação pode ser encurtado de 30 para 10 dias. Este prazo, segundo ela, está previsto no Código de Processo Penal. “O Brasil não pode esperar. A insegurança jurídica e a instabilidade podem impedir novos investimentos, geração de emprego e uma recuperação da economia mais rápida. 180 dias é muito, 120 dias é muito. Em três meses temos condições de apresentar um bom trabalho”, disse Simone após a sessão.

O calendário sugerido ainda precisa ser aprovado pelos demais senadores da comissão na próxima quinta-feira, mas já causou desconforto entre os petistas. Como o PT e aliados são hoje minoria no colegiado, a tendência é de que o cronograma seja aprovado. Além de antecipar a saída de Dilma, a ideia é encerrar o impeachment antes do início da campanha para eleições municipais, marcada para 16 de agosto.

No calendário de Anastasia, a pronúncia do réu, fase em que se verifica se as acusações são procedentes, será votada no plenário do Senado em 1º de agosto. Pela Lei do Impeachment, são dadas 48 horas para notificação e, em seguida, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, tem até dez dias para marcar o julgamento final da presidente. Assim, a última votação deve ocorrer até 15/8.

O relator se dispôs a discutir a possibilidade de estender ou encurtar os prazos, mas ponderou que apenas a fase probatória pode ser modificada. Anastasia separou duas semanas para essa etapa, em que são ouvidas testemunhas, apresentados documentos e realizadas perícias. Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o período é muito curto.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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11 comentários

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Henrique Araujo

27 de maio de 2016 às 21h36

Minha curiosidade é: até quando sobrevive este blog da esgotosfera?

Responder

Marivane

26 de maio de 2016 às 21h58

estou ansiosa para saber mais

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gilberto

26 de maio de 2016 às 17h03

Será que a Simone foi entrevistada pelo Machado? Por que o pânico? Pelo pedigree dos golpistas o único “investimento” a que a senadora se refere deve ser dos cupins ao patrimônio público. Só para lembrar essa senhora, Temer gosta de mulher somente no lar, portanto não lute tanto por ele.

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Enio Silva

26 de maio de 2016 às 16h56

A verdade que o PSDB e a mídia escondem do povo brasileiro

https://www.youtube.com/watch?v=Js_fdp4kig0

chega do monopólio na mídia.

Responder

leandro Andrade

26 de maio de 2016 às 16h56

O jornal The Guardian da Inglaterra acaba de publicar uma nota de repúdio de 20 deputados ingleses ao afastamento da presidente Dilma Roussef. Eles consideram o afastamento da presidente eleita em 2014 um atentado à democracia brasileira:

http://www.theguardian.com/world/2016/may/26/dilma-rousseffs-suspension-is-an-insult-to-democracy-in-brazil

A suspensão de Dilma Roussef é um insulto à democracia do Brasil

Nós condenamos a suspensão da presidente Dilma Roussef no Brazil. É completamente errado que alguns parlamentares possa pisar na vontade política expressa através de votos de 54 milhões brasileiro. O novo governo j mostrou a que veio nomeando um ministério nçao-representativo de homens brancos e começa a implementar políticas neoliberais que prejudicarão milhões de trabalhadores e pessoas pobres. O governo interino não tem mandato para implementar políticas que desfaçam programas sociais que tiraram 40 milhões de pessoas da pobreza. Nós nos juntamos ao movimentos sociais e polítcios progressistas e aos grupos da sociedade civil global, incluindo os movimentos sindicais na condenação deste atendado à democracia brasileira.

Richard Burgon MP (Labour)

Ruth Cadbury MP (Labour)

Jim Cunningham MP (Labour)

Andrew Gwynne MP (Labour)

Kelvin Hopkins MP (Labour)

Ian Lavery MP (Labour)

Clive Lewis MP (Labour)

Rachael Maskell MP (Labour)

Angus MacNeil MP (SNP)

Grahame Morris MP (Labour)

John Nicolson MP (SNP)

Liz Saville Roberts MP (Plaid Cymu)

Tommy Sheppard MP (SNP)

Lord Jeremy Beecham (Labour)

Lord Martin John O’Neill (Labour)

Jenny Rathbone AM (Welsh Assembly, Labour)

Claudia Beamish MSP (Labour)

Neil Findlay MSP (Labour)

Iain Gray MSP (Labour)

Elaine Smith MSP (Labour)

“Dilma Rousseff’s suspension is an insult to democracy in Brazil
We condemn the suspension of President Dilma Rousseff in Brazil. It is thoroughly wrong that a few parliamentarians trample upon the political will expressed at the ballot box by 54 million Brazilians. The new government has shown its true colours by appointing a non-representative, all-male, cabinet and launching neoliberal policies that will hurt millions of working and poorer people. The interim government has no mandate to implement policies that reverse the social programmes that took 40 million people out of poverty. We join Brazil’s progressive political and social movements, and groups from across global civil society including the trade union movement, in condemning this attempt to overthrow democracy in Brazil.”

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Joao Carlos Santos

26 de maio de 2016 às 15h19

Cadê a ampla defesa? Se vê o curto prazo para a defesa e a rapidez para buscarem a condenação.
Está tudo errado, afinal é golpe descarado mesmo.

Responder

    Fabiana

    26 de maio de 2016 às 16h08

    Desde o começo.

    E a mídia a apoiar….

    Responder

Luís CPPrudente

26 de maio de 2016 às 15h05

Devemos combater também esse nosso STF com membros corruptos. STF que se acovardou, se apequenou e deixou de ter legitimidade, pois é integrante do golpe.

Responder

Alexandro Cardoso Tenorio

26 de maio de 2016 às 13h33

Gente depois dos áudios de Machado ficou tudo mais claro:
1. A classe política morre de medo da lava jato, da prisão em 2a instância.
2. Para os políticos Dilma nada fez para estancar a sangria da Lava Jato. Para eles Janot é FDP.
3. Derrubar Dilma era o primeiro passo para uma anistia, um acordão.

O que temos visto nos últimos dias? A anistia ser concretizada!
1. Apoio total da mídia a Temer, provável apoio dos militares, sutil apoio dos EUA, apoio do STF.
2. Com Gilmar Mendes presidindo a turma que julgará a Lava jato, políticos e empresários que apoiarem o regime Temer serão poupados.

Mas esse acordão não é perfeito. O mercado financeiro quer mudanças rápidas, mas Temer enquanto for interino não pode correr o risco de medidas impopulares e acordar às manifestações. A economia pode continuar ruim.

Janot parece seguir firme para ser visto como um FDP pela classe política. Novas denúncias podem abalar ainda mais a frágil legitimidade de Temer.

Cunha é ao mesmo tempo a força oculta de Temer e também o calcanhar de Aquiles. Quanto mais Temer apóia Cunha e vice versa, maiores as chances de novos escândalos abalarem o regime interino.

Então gente, quanto mais o tempo passa, mais Temer pode se fragilizar. E Dilma se fortalecer. Por isso querem julgar Dilma o mais rápido possível. Até a 1a semana de agosto.

Não podemos contar com mega manifestações, pois sem a mídia escandalizando e com a repressão policial não ganham força.

O que nos resta? Quando as forças do adversário são enormes, nos resta a guerrilha política. Pequenas manifestações, escrachos que ajudem a denunciar, resistir e se insurgir.

Torcer que a união das esquerdas seja capaz de salvar a democracia, sem revanchismo, apelando para senso de justiça e mudando o voto de senadores, que nao estejam dentro do acórdão, para a volta de Dilma.

Responder

Emanoel

26 de maio de 2016 às 13h15

É muita malandragem juntas! Acredito que os os nossos não deviam compactuar com essas engrenagens. Ou fazemos as coisa certas,ou viramos a mesa! Por que aprovarmos as coisas com prejuízo. Não participaremos de atos, sabendo que estamos nos martirizando. Não somos bobos e não aceitaremos que nos empurrem goela abaixo, o que não concordamos. A não ser que passem por cima do nosso cadaver.

Responder

C.Pimenta

26 de maio de 2016 às 12h07

O “JULGAMENTO” DE DILMA NO SENADO SERÁ PRESIDIDO POR UM DOS MINISTROS “QUE ESTÃO PUTOS COM ELA”, SEGUNDO RENAN?

As gravações divulgadas até agora revelam claramente que o stf prometeu
apoiar o golpe anticonstitucional (dando-lhe um verniz de falsa
legalidade) como vingança pelo aumento negado pela Presidenta Dilma aos
indecentes proventos que os ministros recebem, cheios de penduricalhos
mais imorais ainda. O que ministros desse tribunal e membros do mp já
ganham é uma ofensa aos demais servidores públicos que certamente
trabalham mais e em condições menos adequadas do que os intocáveis e
vitalícios ministros(sic). Daí surgem questões que incomodam a nação
brasileira, como o fato de um dos ministros deste tribunal, justamente o
que foi pedir aumento à Presidenta, presidir as discussões no Senado
sobre a “legalidade” de um golpe contra a Constituição dos quais se
supunha fossem os principais guardiães. Esse ministro tem a isenção
necessária para isso, já que Renan revelou que “estão todos putos com
Dilma”, o que deve incluir o ministro que foi pedir aumento? Se mais
ilegalidades forem cometidas durante o “julgamento” da íntegra
Presidenta Dilma a quem recorrerá a defesa dela, já que “todos os
ministros estão putos com ela”? O adiamento do julgamento do notório
gângster CUnha foi adiado pelo stf propositalmente para que o golpe
fosse desencadeado? O mesmo CUnha teria proposto esse adiamento em troca
da promessa do reajuste pretendido aos já polpudíssimos salários desses
suspeitíssimos ministros? Isso tudo só para falar do stf, e a sintonia
fina das iniciativas de Janot tanto para melar o acordo que Lula tinha
feito com o PP para evitar o golpe, como para impedir o ex-Presidente de
assumir a Casa Civil, como revelou a jornalista Teresa Cruvinel, com a
participação sempre pronta do juizinho de Curitiba? E o envolvimento de
praticamente TODAS as instituições ditas “republicanas” (todas mantidas
com nossos impostos) no golpe? E as gravíssimas revelações sobre a
profundidade desse envolvimento reveladas pelo Ministro Eugênio Aragão
em palestra na UnB que mereceriam, no mínimo, uma CPI? E a revelação de
que brasileiros (os golpistas-chefes) conspiravam contra o Brasil com
países estrangeiros, caracterizando traição à pátria? Ficará tudo por
isso mesmo? Estou chegando à conclusão que seria muito mais lucrativo
para o país preservar suas riquezas naturais e privatizar essas
instituições que na prática já estão privatizadas há muito tempo. Só que
as empresas beneficiárias dessa privatização (por sinal previstas nos
acordos entreguistas transpacífico e transatlântico que Serra correrá
para assiná-los) jamais pagarão aos seus venais componentes os imorais
proventos que recebem hoje em dia às nossas custas.

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