Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Áudios mostram que atos pró-impeachment receberam mortadela gourmet

Por Miguel do Rosário

27 de maio de 2016 : 09h23

Charge: Duke

Áudios mostram que partidos financiaram MBL em atos pró-impeachment

No UOL

O MBL (Movimento Brasil Livre), entidade civil criada em 2014 para combater a corrupção e lutar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), recebeu apoio financeiro, como impressão de panfletos e uso de carros de som, de partidos políticos como o PMDB e o Solidariedade.

O movimento negociou também com a Juventude do PSDB ajuda financeira a suas caravanas, como pagamento de lanches e aluguel de ônibus, e teria tido apoio da “máquina partidária” do DEM.

Quando fundado, o movimento se definia como apartidário e sem ligações financeiras com siglas políticas. Em suas páginas em redes sociais, fazia campanhas permanentes para receber ajuda financeira das pessoas, sem ligação com partidos.
Os coordenadores do movimento, porém, negociaram e pediram ajuda a partidos pelo menos a partir deste ano. Atualmente, o MBL continua com as campanhas de arrecadação nos seus canais de comunicação, mas se define como “suprapartidário”. Aliás, a contribuição financeira concedida é vinculada ao grau de participação do doador com o movimento. A partir de R$ 30, o novo integrante pode ter direito a votos.
Já os partidos políticos que teriam contribuído com o MBL têm versões distintas para explicar o caráter e a forma desses apoios, chegando em alguns casos a negá-los. Conheça cada caso.
PMDB e os panfletos
O PMDB teria custeado a impressão de panfletos para o MBL divulgar as manifestações pró-impeachment ocorridas pelo país no último dia 13 de março. O presidente da Juventude do PMDB, Bruno Júlio, informou ao UOL que solicitou ao presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, que custeasse 20 mil panfletos de divulgação dos atos, com a inscrição “Esse impeachment é meu”. A assessoria de Moreira Franco nega.
O dirigente da JPMDB afirma que o material foi pago pelo partido e entregue ao MBL, que distribuiu para suas sedes regionais e espalhou por todo o país. “O MBL auxiliou na logística, distribuindo os panfletos e colando cartazes, mas a Fundação Ulysses Guimarães pagou porque se tratava de uma campanha nossa, da Juventude do PMDB, que nós encampamos”, explica.
O lema “Esse impeachment é meu”, no entanto, pertence ao MBL, que estampou a frase em camisetas, faixas e cartazes, além de tê-lo utilizado em discursos e vídeos gravados por suas lideranças.
Procurada, a assessoria do atual secretário-executivo do PPI (Programa de Parcerias e Investimentos) do governo interino, Moreira Franco, disse, no primeiro momento, que o ex-ministro da Aviação Civil do governo Dilma não se recordava se teria pago ou não pela impressão. Posteriormente, negou que o pagamento tenha ocorrido e afirmou que nem Moreira Franco nem o PMDB jamais trabalharam em parceria com o MBL.
Questionado sobre o apoio, o MBL não confirmou o custeio dos panfletos, disse apenas que o PMDB fazia parte da comissão pró-impeachment.
Solidariedade e DEM
Em uma gravação de fevereiro de 2016 a que o UOL teve acesso, Renan Antônio Ferreira dos Santos,  um dos três coordenadores nacionais do MBL, diz em mensagem a um colega do MBL que tinha fechado com partidos políticos para divulgar os protestos do dia 13 de março usando as “máquinas deles também”.
Renan diz ainda que o MBL seria o único grupo que realmente estava “fazendo a diferença” na luta em favor do impeachment de Dilma Rousseff.
Em nota enviada ao UOL, Renan Santos confirmou a autenticidade do áudio e informou que o comitê do impeachment contava com lideranças de vários partidos, entre eles, DEM, PSDB,  SD e PMDB.
“As manifestações não são do MBL. 13 de Março pertence a todos os brasileiros, e nada mais natural que os partidos de oposição fossem convidados a usar suas redes de divulgação e militância para divulgar a data. Não houve nenhuma ajuda direcionada ao MBL. Pedimos apenas que divulgassem com toda energia possível. Creio que todos o fizeram,” informa nota do MBL.
A assessoria de imprensa do Solidariedade confirmou a parceria em nota ao UOL: “O apoio do Solidariedade ao MBL foi com a convocação da militância para as manifestações do impeachment, carro de som nos eventos e divulgação dos atos em nossas redes.”
Já o DEM informou que atuou em conjunto com o MBL, mas negou qualquer tipo de ajuda financeira ou apoio material ao movimento. “O Democratas se uniu aos movimentos de rua em favor do impeachment. Não houve nenhum tipo de apoio financeiro, apenas uma união de forças com os movimentos de rua, dentre eles o MBL”, disse o partido.
PSDB
Em gravação feita no dia 5 deste mês a que o UOL teve acesso, o secretário de Mobilização da Juventude do PSDB do Rio de Janeiro, Ygor Oliveira, dá detalhes a seus colegas de partido sobre uma “parceria com o MBL” para financiar uma manifestação que veio a ocorrer no dia 11 de maio, em Brasília, durante a votação no Senado que resultou no afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República.

Oliveira confirmou ao UOL a autenticidade da mensagem, mas disse que a “parceria” acabou por não se concretizar. “Isso foi um rascunho de uma parceria, que acabou não dando certo”, afirmou.

Ele disse também que essa fora a primeira iniciativa conjunta entre a Juventude do PSDB e o MBL, e que não pretende realizar outras: “Foi o primeiro projeto conjunto (de financiar a viagem de manifestantes a Brasília), e por ora não existe nenhuma outra iniciativa em vista.”

Procurado pela reportagem, o MBL confirmou a “aproximação ao PSDB”, mas não informou se a parceria com o partido para pagar o lanche e o transporte de manifestantes no dia 11 de maio efetivamente se concretizou.

Em nota, Renan Santos, coordenador nacional do movimento e filiado ao PSDB entre os anos 2010 e 2015, afirmou que “o MBL não criminaliza a política nem os políticos. A aproximação com as lideranças (políticas) foi fundamental para pavimentar o caminho do impeachment.”

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Rogerio Silva

27 de maio de 2016 às 21h24

cadê o áudio?

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Fabiana

27 de maio de 2016 às 20h20

Esses sujeitos se aproximam de adolescentes, acham que enganam, mas a máscara cai logo.
Como é que um movimento da juventude pode lutar do lado contrário aos interesses dessa juventude?
Pergunta para os adolescentes que estão revindicando merenda se esses sujeitos estão dando apoio. Pergunta se os meninos da merenda acreditam nesses sujeitos.
Pergunta se esses sujeitos se já precisaram da merenda ,
Pergunta de esses sujeitos estudam em escola pública .
Falei.

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Mônica

27 de maio de 2016 às 14h02

Já vi tanta gente de esquerda se corromper pelo poder… Serra, Freire, Aloysio, Cristova … Mas todos anos depois da juventude.
Decepção maior é ver jovens mancomunados com a direita e com partidos corruptos, dizerem-se guardiões da ética e da democracia e, no fim, prestarem-se ao serviço de ajudar a derrubar uma presidente honesta.

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Edson do Nordeste

27 de maio de 2016 às 11h33

É aí COXINHAS!
Pronucien-se!
Vocês faziam parte desse esquema!
OU OU FORAM ENGANADOS! OTAAARIOS!

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Jose X.

27 de maio de 2016 às 10h18

nem precisava de áudio, só os coxinhas/trouxinhas eram tontos o suficiente pra acreditar na honestidade do mbl

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Pedro Pereira

27 de maio de 2016 às 09h59

Charge perfeita

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Arcanjo Mello

27 de maio de 2016 às 09h35

Eu já sabia que esses vagabundos e canalhas do MBL eram bandidos contratados por essa máfia chamada PSDBDEM e outras hordas de corruptos e fascistas.
Que esses bandidos sejam presos junto aos Cunhas,Temer e outros bandidos corruptos.

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    Gustavo

    27 de maio de 2016 às 14h03

    Pela mesma lógica, blogs e movimentos sociais (MTST por exemplo) que recebem dinheiro do governo, também são vagabundos, canalhas, corruptos, fascistas e bandidos, correto?
    Ou ok partidos e governo repassar dinheiro se o movimento for de esquerda?

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      Fabiana

      27 de maio de 2016 às 20h12

      O problema é fingir que é apartidário e dizer que não recebe dinheiro.

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        Gustavo

        27 de maio de 2016 às 20h33

        Então vamos chamá-los de hipocritas (o que talvez não seja tão verdade, se vocês lerem a reportagem toda).
        Chamar de vagabundos,canalhas, corruptos, bandidos e exigir sua prisão (veja bem, mesmo que tivessem recebido dinheiro, isso não é crime!) é um pouco demais, não?

        Eu entendo que é um momento delicado e as pessoas não querem ser racionais, mas esse tipo de comentário não ajuda em nada

        Responder

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