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Roberto Ponciano: é preciso resistir nas ruas!

Por Miguel do Rosário

01 de setembro de 2016 : 13h47

(Foto: Mídia Ninja)

Resistir é preciso, e nas ruas!

Por Roberto Ponciano, na CUT-RJ

O golpe que se consolida hoje, dia 31/08/2016, contra a Presidenta legitimamente eleita e a inocenta de qualquer crime, Dilma Roussef, está apenas no começo. O golpe não é simplesmente para substituir Dilma por o impostor Temer, o golpe é muito mais profundo. É um golpe da elite, dos 70 mil brasileiros que amealham 25% de todo o PIB contra os outros 200 milhões de brasileiros.

Um Congresso corrupto e formado em sua maioria por latifundiários, banqueiros, donos de empresas de saúde, empresários donos do país, fanáticos fundamentalistas, se juntou para abater nossa frágil democracia num projeto demoníaco cujos objetivos são fazer o Brasil retroagir a uma situação social pré Getúlio Vargas.

Caro trabalhador e Trabalhadora, o golpe é contra vocês!

O golpe é para acabar com a CLT. Vou traduzir, o projeto de lei do golpista Rodrigo Maia, que diz que o negociado vale mais do que o legislado, fere de morte as leis trabalhistas. Seus direitos estão em perigo, direitos mínimos com o a jornada de 40 horas (o patrão querem a jornada máxima de 80 horas, para não ter jornada e não pagar hora-extra), o décimo-terceiro, o adicional noturno, a multa do FGTS e mesmo a obrigatoriedade de depósito do fundo, que ficarão a cargo de acordos. Nos setores onde os sindicatos são frágeis, ou onde mesmo inexistir sindicatos, os trabalhadores serão reduzidos à condição análoga a de escravos. Trabalhadoras domésticas voltarão a ter nenhum direito!

O golpe é contra a CF e os direitos sociais. A previdência está em risco, a corja golpista quer privatizá-la, o que pode inviabilizar em pouco tempo sua existência e só os mais ricos poderão pagar previdência privada, que mesmo para estes não é vantajosa. Já que os planos privados investem na bolsa e dependem da flutuação do mercado. Você pode acordar um dia e descobrir que todo seu dinheiro da aposentadoria virou pó num investimento no Banco Santos, por exemplo. A desvinculação dos aumentos de aposentadorias e pensões do aumento do salário mínimo levará à miséria aposentados e pensionistas.

Para o servidor público, que será o primeiro a ser afetado pelos cortes do governo golpistas, o saco de maldades é tão ruim quanto o do trabalhador privado. Fim de estabilidade e possibilidade de demissões punitivas e persecutórias, fim da aposentadoria integral, para os que durante 20 anos pagaram valores integrais, fim da paridade e integralidade para os que estão aposentados, o que levaria que em 10 anos, as diferenças salariais entre inativos e inativos chegassem a patamares entre 40 a 60%!

O golpe é para entregar ao país aos 70 mil nababos aristocratas, aliados colonialistas das empresas transnacionais, Para entregar o que sobrou de patrimônio público: Petrobras, Caixa Econômica, Banco do Brasil, Furnas, BNDES.

Para os trabalhadores destes setores é o desemprego em massa. Para a população em geral, o aumento da crise econômica e social.

Na CEF o fim do programa “Minha casa e minha vida”, transformado em financiamento imobiliário só para os mais ricos e no futuro o fim da própria Caixa Econômica com a abertura do seu capital e privatização.

No Banco do Brasil, o fim da garantia do plano safra, afetando diretamente a agricultura familiar, que é quem produz comida para a mesa do brasileiro, provocando desabastecimento e inflação.

Furnas destruída significa o controle estratégico da energia por potências estrangeiros e o inevitável aumento de preços com a dolarização do preço da energia.

No caso da Petrobras, é entregar nosso subsolo, no qual cerca de 5 trilhões de dólares em barris de petróleos seriam o bilhete azul para o nosso futuro e independência.

O fim da lei do Pré-Sal de Lula, a entrega do nosso subsolo, o sucateamento e a venda no varejo das partes da Petrobras para as empresas estrangeiras, levará à queda do PIB, ao empobrecimento do Estado e ao fim do financiamento da política educacional e de saúde, já que o fundo soberano em sua maior parte destina os recursos do Pré-Sal para saúde e educação.

No conjunto, o projeto golpista, derrotado nas urnas, leva ao encolhimento do Estado, perda de emprego e portanto de renda, diminuição do PIB, cortes, ajustes, desemprego, inflação, e só pode ser levado à frente com mais repressão e retirada de direitos.
Este é o golpe que só começa a se desenhar.

Não vamos barrar este golpe lutando só na internet. A internet é uma fronteira importante, os chamados blogs sujos, nossos aliados na luta contra o golpe, como o Cafezinho, 247, Diário do Centro do Mundo, Caneta Desmanipuladora, etc, são ferramentas importantes, até para fazer o contraponto à ditadura de informações da grande mídia. Mas em si não bastam.

Temos que fazer nossa parte e nossa autocrítica. Nos burocratizamos. Apostamos tudo na democracia formal e representativa e nos descuidamos da rua. Sim, podemos usar whatsapp, facebook, twiter e todos os recursos virtuais, mas isto não basta. Só a rua barra o golpe, a Turquia nos mostrou isto muito recentemente. Os turcos não derrotaram o golpe com 1 milhão de #nãovaitergolpe, mas sim com dois milhões de turcos na rua.

Inebriados com 4 vitórias eleitorais sucessivas, nos descuidamos da rua. Temos que reaprender a lutar na rua, ocupar todas as ruas com nossas entidades de massa, CUT, CTB, MST, movimentos de sem teto, Frente Brasil Popular, Frente povo sem Medo, e todo o povo não organizado. Só as ruas podem evitar o desastre, só a greve em todos os setores de trabalhadores, caminho para uma grande greve geral, ocupação sem trégua de latifúndios, ocupação de prédios para moradia popular, grandes atos nos campos e nas cidades, com ocupações permanentes dos espaços urbanos, inclusive da mídia golpista pode fazer a elite recuar.

O futuro nos pertence, mas ele tem de ser feito nas ruas, com coragem, sangue suor e lágrimas.
Temos que estar dispostos a dar nossas vidas, se necessário for pela democracia e por um projeto de país mais justo e melhor.

Luta de rua se aprende lutando.

A CUT já chamou uma greve preparatória para a grande greve geral no dia 22. Todos os trabalhadores e trabalhadoras devem participar dela.

E a partir já de hoje não podemos mais sair das ruas, inspirados na coragem, honestidade e dignidade da nossa Presidenta eleita Dilma Vana Roussef.

Nas ruas, na nossa coragem, na nossa resistência, vamos derrotar o golpe e construir o Brasil de todos que sonhamos!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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9 comentários

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Osmar Gonçalves Pereira

01 de setembro de 2016 às 20h24

“(…)Comemorando o golpe parlamentar na Democracia Eleitoral e na Constituição brasileira — já que a maioria do Senado reconheceu que não houve crime de responsabilidade, tanto que não retirou os direitos políticos da Presidenta golpeada –, a FIESP golpista publicou em página inteira hoje um anúncio publicitário escroto em que reconhece efeitos de sua ação golpista:

“Amizades foram desfeitas. Familiares brigaram. O Brasil se dividiu”

Depois tem a cara-de-pau de apelar:

“O processo [golpista] terminou. Agora é hora de virar a página, deixar as diferenças para trás, arregaçar as mangas e, de braços dados, reconstruir o Brasil”!

Ora, depois de colaborar com a destruição do Brasil democrático com o locaute [lockout] empresarial, para criar o ambiente propício ao golpe parlamentar, elevando a taxa de desemprego de 4,5% no ano de 2014 para mais dois dígitos na atualidade, a FIESP golpista vem falar em “hora de virar a página”?!

Pelo contrário, é hora de resistência democrática contra o corte de direitos!”
https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2016/09/01/golpistas-escrotos/

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Torres

01 de setembro de 2016 às 14h47

greve geral dia 22?
hahahahahahaha

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    Pedro Pereira

    01 de setembro de 2016 às 14h57

    greve é pra trabalhador que quer defender seus direitos e conquistas, playba vagabundo e pelego fica em casa.

    Responder

      Torres

      01 de setembro de 2016 às 15h02

      então serão poucos.
      pq esses militantes aí…
      pouquíssimos.

      Responder

        Pedro Pereira

        01 de setembro de 2016 às 15h08

        veremos coxa, veremos

        Responder

          Torres

          01 de setembro de 2016 às 16h33

          hahahahaha

    Sara

    01 de setembro de 2016 às 18h07

    Neste momento acho difícil haver greves expressivas, mas assim que Temer começar a impor sua agenda de retrocessos (quem leu algo sobre a pinguela para o futuro sabe disso), não haverá somente greves mas devo ariscar uma revolução geral.
    Nunca canso de repetir as palavras de Requião “agora que o povo provou a emergência social será difícil aceitar voltar para a senzala”
    Só um adendo, hoje os representantes dos trabalhadores das estatais de energia foram a uma audiência, pois estão muitíssimo preocupados com seus empregos ou melhor, como demissões em massa em caso de privatização, pois o governo golpista já sinaliza que irá privatizar entre outras coisas as estatais elétricas brasileiras.
    Então se eu fosse vc esperava um pouco mais, porque a agua vai chegar na bunda e é ai que a coisa vai ficar feia, agora é cedo ainda.
    Hoje vcs dizem, deixa os petralhas fazer baderna, eles estão de mimi, etc. amanhã vamos ver.

    Responder

      Torres

      01 de setembro de 2016 às 18h53

      ah, dia 22 não vai rolar.
      o futuro?
      aí não digo nada.
      mas agora?
      nada.

      Responder

Delfino Vieira

01 de setembro de 2016 às 14h28

Agora a pouco no ‘Jornal Hoje’ da rede Globo fiquei estupefato por não terem dito absolutamente nada à respeito das manifestações pós impeachment de ontem em diversas cidades.

Minha leitura é que a Globo transpareceu exatamente do que eles tem mais medo neste momento: Manifestações Populares.

Vamos para rua!!!

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