Análise da reunião ministerial de Bolsonaro

A nova face de Bolsonaro: além de genocida, agora divulga mensagem terrorista: “o caos se aproxima”

Por Miguel do Rosário

10 de maio de 2020 : 12h29

Por definição, chefes políticos, em especial aqueles à frente de nações inteiras, procuram transmitir confiança, tranquilidade e esperança a seu povo.

Essses sentimentos são importantes para se atrair investimentos, para convencer empresários a confiar na economia (e assim, segurar demissões), para trazer um mínimo de conforto aos que passam por dificuldades, e sobretudo para convencer a população a se manter firme.

Afinal, a vida é dura, e não apenas por causa da pandemia. Mesmo antes da Covid-19, milhões de brasileiras enfrentavam, diariamente, situações desesperadoras. Havia doenças, acidentes, desemprego, dívidas, homidídios, assaltos e estupros antes da Covid-19. E vão continuar existindo depois que a doença passar.

Por isso é tão importante que um governo político tenha ao menos a dignidade de não agravar os sofrimentos e angústias pelos quais todos passamos, antes, durante ou depois do coronavírus, tentando abalar a fibra moral com que resistimos a eles.

Se o governo não ajuda, então pelo menos fique quieto, ao invés de difundir medo!

Os brasileiros não pagam tantos impostos, sobre o consumo, sobre a renda, sobre os salários, para ouvir o presidente da república, do alto de seu conforto, de seus jet skis de luxo, de seus médicos especiais, se lamuriar e anunciar o caos!

O presidente da república é um servidor público pago com nossos impostost para trabalhar, e não para se lamuriar!

Há momentos muito difíceis, em que mesmo a melhor administração não consegue evitar que problemas graves ocorram. O cidadão brasileiro é bastante compreensivo, talvez até demais, como se vê por sua resignação diante da incúria de grande parte da classe política.

O que se exige não é um governo perfeito, o que é impossível, mas um governo sério, competente, e que, em sua comunicação com o povo, preste contas do que está fazendo, seja transparente, e transmita confiança!

Ontem, Bolsonaro revelou outro aspecto de sua bizarria.

O presidente postou uma mensagem, em suas redes, em que ele faz o papel de um terrorista: assustar a população, afastar investidores e promover o caos.

“O caos se aproxima”, disse Bolsonaro, referindo-se ao aumento de desempregados.

Em sua busca para se descolar da responsabilidade pelas consequências sociais e econômicas da Covid, o presidente tem se distanciado da própria… presidência da república.

Sua mensagem é a última coisa que se poderia esperar de uma liderança.

Imagine se um general, no meio de uma guerra, se comunicasse assim oficialmente com seus soldados, ou pior, com a população civil: ao invés de estimular a coragem, a solidariedade, a esperança, insuflasse medo, apatia e desesperança?

Bolsonaro é o dono da caneta e o homem do cofre.

No Tesouro da União, há mais de R$ 1,2 trilhão em recursos disponíveis para combater o “caos” de que ele fala.

O Brasil tem reservas internacionais, que somam igualmente mais de R$ 1 trilhão.

E, sobretudo, o Executivo tem duas poderosas máquinas para combater o desemprego: o controle sobre a emissão de moeda e sobre a taxa de juros.

Um governo dotado de energia e vontade política para conter o avanço do “caos” reduziria a taxa de juros a zero, emitiria moeda, e usaria os recursos do Tesouro e das reservas para combater o desemprego e preparar o Brasil para a nova era que nascerá dos escombros gerados pela Covid-19.

Bolsonaro é um genocida, pois sua incúria e irresponsabilidade é causa da morte de milhares de brasileiros.

Toda vez  que chamou a Covid-19 de gripezinha, toda vez que disse que ela não mataria mais que 800 pessoas, que fez pouco caso da doença, ou, pelo exemplo, estimulou as pessoas a não se precaverem, ele contribuiu para que milhares de pessoas fosse infectadas, sofressem e morressem.

Agora, com essa postagem promovendo medo e insegurança, sabemos que Bolsonaro é também um terrorista.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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dcruz

13 de maio de 2020 às 10h52

Filmes antigos atualíssimos merecerm ser revisto, o bozo e sua gente já existiam naquela época: Tubarão e Mississipe em chamas.

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Antunes

11 de maio de 2020 às 08h11

Caos do seu desgoverno. Alem de trouxa é burro.

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Edgar

11 de maio de 2020 às 08h07

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