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Elias Jabbour: Hong Kong, 25 anos depois

Por Redação

01 de julho de 2022 : 08h23

Por Elias Jabbour

No dia 1º de julho comemora-se o retorno de Hong Kong à China e a constituição da Região Administrativa Especial de Hong Kong. Trata-se de uma forma diferenciada de tratar a região dadas as especificidades da Declaração Conjunta Sino-Britânica assinada em 1984, tendo em vista o retorno da ilha de Hong-Kong, da península de Kowloon e dos Novos Territórios em 1997. Em certa medida tratou-se de mais uma página do final do que é reconhecido como o século das humilhações, justamente iniciada com a Primeira Guerra do Ópio (1840-1842) que começou o processo de decadência da China Imperial sob o violento processo de divisão do território chinês por diferentes potências imperialistas. A fundação da República Popular da China em 1949 colocou um fim a esta condição semicolonial e semifeudal do país.

Bom lembrar que a Inglaterra (juntamente com os Estados Unidos), atualmente empenhada na defesa dos valores da “democracia” e dos “direitos humanos”, declarou guerra à China em nome da liberdade do comércio internacional de drogas. Trata-se de uma mancha, não somente na história da Inglaterra, mas uma marca vergonhosa na história da chamanda ‘civilização ocidental.

Hong Kong estava sob o domínio colonial do Império Britânico após a Primeira Guerra do Ópio (1840-1842). Originalmente confinada à Ilha de Hong Kong, as fronteiras da região foram estendidas em etapas para a Península de Kowloon em 1860 e, em seguida, para os Novos Territórios, em 1898. Foi ocupada pelo Império do Japão durante a Guerra do Pacífico, após a qual o controle britânico foi retomado. O processo de desenvolvimento capitalista de Hong Kong ocorreu de forma acelerada após a Segunda Guerra Mundial, neste sentido e tendo em vista a necessidade de criação de condições para sustentar a reunificação do país, o ex-líder chinês Deng Xiaoping desenvolveu o conceito de “um país, dois sistemas” com o objetivo de solucionar as questões de Hong Kong, Macau e Taiwan.

O conceito apresentado em 1982 durante o primeiro encontro entre Deng Xiaoping e a primeira-ministra britânica, Margareth Thatcher, prevê a manutenção do status do sistema capitalista durante 50 anos na região, enquanto a parte continental continuaria sob instituições de tipo socialista. Uma fórmula genial que retirou da Inglaterra todos os argumentos levantados à época por Thatcher sobre os riscos à estabilidade da região tendo em vista uma possível volta à China. Inflexível, Deng Xiaoping deixou claro à primeira-ministra que a questão da soberania chinesa sobre Hong Kong seria inegociável e que as duas partes teriam dois anos para apresentarem uma solução.

Conforme previsto, Hong Kong voltou à China em 1997 após cerca de 150 anos de domínio colonial. Dado importante é que nessa região nunca houve democracia, nem tampouco liberdade de escolha de seus representantes por parte do povo. A história é implacável com a hipocrisia ocidental! Desde então, em uma crescente relação com a Zona Econômica Especial de Shenzen, Hong Kong tem sido uma praça financeira altamente desenvolvida e fundamental para o próprio progresso geral da China.

A integração econômica de Hong Kong ao espaço econômico nacional chinês é plena, demandando o surgimento de formas superiores de integração tendo em vista o grande desenvolvimento alcançado pela província de Guangdong. A presente época histórica coloca o desafio de integração de Hong Kong e Macau às cadeias produtivas de altíssima tecnologia localizadas na citada província. Isso significa que o futuro de Hong Kong não está em falsas promessas ocidentais e, sim, na elevação de patamar de integração econômica ao desenvolvimento nacional.

Todos sabem o que se tornou Hong Kong nos últimos anos. Um local privilegiado de ação direta estrangeira com vistas à desestabilização da República Popular da China como um todo. Repete-se em Hong Kong as mesmas práticas de guerra híbrida aplicadas pelas potências ocidentais em países como a Ucrânia, Brasil, Turquia e Rússia com vistas à destruir o moral da sociedade, iludir a juventude com falsas promessas e desestabilizar seus adversários. Também não é novidade que Hong Kong se transformou em um local privilegiado para ações programadas do imperialismo estadunidense e seus aliados em nome da “democracia” e dos “direitos humanos”. Se esquecem que, enquanto esse “império de mentiras” patrocina as forças anti-China de Hong Kong, em seu próprio território mais de um milhão de pessoas já foram mortas por Covid-19.

Os 25 anos de retorno de Hong Kong ao berço pátrio chinês devem ser comemorados, mas também deve ser um momento de amplas discussões não somente sobre o futuro da região em um posterior arranjo territorial e econômico chinês. A China e o socialismo estão sob amplo ataque e tentativas de subversão patrocinadas por potências estrangeiras. Hong Kong é parte deste processo de desestabilização. Nunca foi tão necessário o exercício da vigilância.

Elias Jabbour é professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UERJ). Artigo produzido em colaboração com a Rádio Internacional da China.

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2 comentários

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Nelson

04 de julho de 2022 às 11h51

O linguista e filósofo estadunidense, Noam Chomsky, nos alerta de que, na visão dos estrategistas dos governos de seu país, o socialismo/comunismo nunca foi o principal problema a ser enfrentado.

Segundo Chomsky, esses estrategistas sempre apontam que o principal problema é o desejo irrenunciável dos povos em seguir seu próprio caminho, ou seja, exercer o direito à autodeterminação e à soberania sobre os territórios em que habitam.

Então, para a classe dirigente dos EUA o problema da URSS, da China, de Cuba, da Venezuela não é o fato e que os povos desses países optaram por adotar, em maior ou menor grau a depender de cada um deles, medidas socialistas para regerem suas sociedades.

O problema principal não tem a ver com o socialismo, com corrupção, com erros ou com a suposta inexistência de democracia nesses países. O problema principal é o projeto nacional de desenvolvimento que esses povos resolveram implantar nesses países.

Para poder vicejar, um tal projeto nacional vai passar a colocar preços justos nas riquezas que um país possui e que pertencem, inequivocamente, a seu povo. Isto implica em algo grave para as megacorporações capitalistas dos países ricos.

Essas grandes empresas dos países ricos não mais conseguirão extrair desse povo, a preço vil, as matérias primas que vão lhes proporcionar gordíssimos lucros. Assim, vão perder o que alardeiam ser uma maior capacidade de competição, capacidade esta que é garantida às custas do verdadeiro dono das riquezas que acaba por seguir na rabeira, eternamente subdesenvolvido. Historicamente, é isto que temos visto.

Não à toa, temos visto, ao longo de décadas, golpes de Estado patrocinados pelos países ricos a derrubarem governos nacionalistas que nada tinham de socialistas/comunistas/esquerdistas. Governos que apenas buscavam levar seus países pelos caminhos da autodeterminação e da soberania.

Disso tudo, se pode depreender que os países pobres ou em desenvolvimento estão proibidos investir no seu desenvolvimento ainda que o façam pelo viés CAPITALISTA.

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Paulo

01 de julho de 2022 às 12h13

Como saudosamente diria o “extinto” Sérgio Araújo: “Que viva La Revolucion”!

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