Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Ato no Centro do Rio, organizado por partidos de esquerda, em apoio a Lula, no dia 7 de julho de 2022 — Foto: Reprodução/Globocop

A pesquisa Ipec no Rio e os principais desafios para Lula e Freixo

Por Miguel do Rosário

01 de setembro de 2022 : 16h17

A última pesquisa Ipec no Rio de Janeiro, com entrevistas realizadas entre os dias 27 e 29 de agosto, mostra uma série de desafios para as campanhas de Lula e Freixo deslancharem no estado.

A sondagem pega a sabatina na Globo, e um dia de repercussão do debate na Band, e já incorpora o impacto do pagamento do Auxílio emergencial de R$ 600.

O ex-presidente Lula segue na frente, com 39% dos votos totais entre eleitores fluminenses.

Bolsonaro, que vinha mostrando uma relativa recuperação, parou de avançar, e recuou um ponto em relação a pesquisa de duas semanas atrás. Hoje tem 36%.

Ambos estão em empate técnico, mas o ex-presidente Lula vem crescendo em alguns setores estratégicos.

Lula vem ganhando terreno, por exemplo, entre os eleitores evangélicos. Desde julho, o petista já avançou 4 pontos, e hoje tem 27% dos votos desse segmento. Bolsonaro, que tinha chegado a pontuar 55% entre evangélicos, na pesquisa de 15 de agosto, caiu para 51%.

O ex-presidente vem se mantendo firme entre os eleitores mais instruídos, com ensino médio ou superior.

Entre eleitores com escolaridade até o ensino médio, Lula chegou a 39%, abrindo uma pequena vantagem de dois pontos sobre Bolsonaro.

O crescimento mais vistoso de Lula se deu entre eleitores com renda familiar entre 2 e 5 salários, junto  aos quais o petista avançou 6 pontos desde julho, atingindo 40%, dois pontos a mais que Bolsonaro.

Bolsonaro, por sua vez, perdeu muitos eleitores de classe média, com renda entre 2 e 5 salários. O presidente chegou a pontuar 45% neste segmento, na pesquisa de duas semanas atrás, e agora recuou para 38%.

O presidente havia avançado sensivelmente, na pesquisa de 14 de agosto, entre os fluminenses mais pobres, com renda familiar até 1 salário, mas parou em 29% e não cresceu mais.

Ciro Gomes está numa situação crítica no Rio de Janeiro, estado onde obteve 15% no primeiro turno de 2018. Hoje tem apenas 7%, sendo 8% na capital e apenas 4% no interior. Entre os eleitores mais pobres, com renda até 1 salário, Ciro pontua apenas 4%. A adesão de Cabo Daciolo à campanha do pedetista não lhe ajudou a avançar junto aos evangélicos, entre os quais Ciro tem apenas 6%.

Governo do estado: Freixo e Castro empatados no segundo turno

A disputa pelo Palácio Guanabara se mantém competitiva, mas Castro segue avançando mais rápido. O governador subiu cinco pontos em duas semanas e já tem 26% das intenções de voto, segundo o Ipec. Freixo também cresceu, porém apenas dois pontos, e agora tem 19%.

Rodrigo Neves, por sua vez, se distancia cada vez mais de uma vaga no segundo turno, e não consegue chegar a dois dígitos: tem apenas 6%.

Na simulação de segundo turno entre Freixo e Castro, há empate, com o governador pontuando 38%, contra 35% para o deputado do PSB. Esse forte crescimento de Freixo no segundo turno é um sinal de que ele pode receber voto útil ainda no primeiro.

A pesquisa traz, todavia, alguns detalhes promissores para Freixo, como seu crescimento de 4 pontos entre eleitores com ensino médio, que representam a maior parte dos eleitores mais instruídos,

Os pontos mais vulneráveis da campanha de Freixo são os eleitores do interior e os evangélicos. O deputado tem 21% dos votos da região metropolitana, não muito atrás dos 28% de Castro, mas pontua somente 13% no interior, contra 24% de Castro.

A disputa por uma vaga no Senado

O senado ainda é uma disputa em aberto no Rio, o que se pode comprovar pelo altíssimo número de indecisos na pesquisa espontânea, que chega a 60%.

A sondagem para o governo do estado traz igualmente índice elevado de indecisão, de 55%. Na pesquisa para presidente, há apenas 20% de indecisos.

Romário, que tenta a reeleição, lidera de forma isolada a pesquisa, com 30% das intenções de voto, na estimulada, e 12% na espontânea.

Molon se destaca entre eleitores de maior renda, que recebem mais de 5 salários de renda familiar,  entre os quais ele pontua 18%, contra 24% de Romário e 3% de Ceciliano.

Mas entre eleitores de baixa renda, nota-se já empate entre Molon e Ceciliano, embora ambos estejam muito distantes de Romário neste segmento.

Ceciliano pode se gabar de ter ultrapassado Molon no interior, onde pontuou 4%, contra 2% (na verdade, um empate técnico); mas sempre é bom ressaltar que Romário tem 27% na região.

Conclusão

As eleição no Rio está quase tão polarizada quanto a nacional. Castro versus Freixo emulam o embate entre Bolsonaro e Lula. A tendência é que este fenômeno se aprofunde, em virtude do próprio esquentamento das campanhas.

O grande trunfo de Lula e Freixo é o voto jovem, de eleitores com idade até aproximadamente 35 anos, entre os quais eles tem muito mais voto que seus adversários.

Essa sinergia entre as campanhas de Freixo e Lula ajuda o trabalho nas ruas e nas redes dos cabos eleitorais e dos candidatos proporcionais. Enquanto os candidatos vinculados a Castro tem alguma dificuldade para se associarem a Bolsonaro, o mesmo não ocorre com aqueles que apoiam Freixo.

O bom desempenho de Freixo na classe média e entre eleitores mais instruídos ajuda a campanha de Lula a bloquear o antipetismo que costuma vir desses setores. E a entrada de Lula junto aos eleitores mais pobres, pode abrir caminhos para Freixo conquistar mais votos de baixa renda.

Se Lula continuar avançando entre evangélicos, e ultrapassar a marca dos 30% neste segmento, ele pode explodir uma série de barreiras que dificultam tanto sua campanha como a de Freixo.

O Auxílio emergencial fez Bolsonaro conquistar votos do eleitorado mais pobre, mas ele estagnou nessa pesquisa, confirmando aliás o que outras sondagens também vem sinalizando, de que uma boa parte dos beneficiários não estão se deixando manipular pelas medidas eleitoreiras do governo.

A íntegra das pesquisas Ipec no Rio de Janeiro podem ser baixadas aqui:

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Sebastião

01 de setembro de 2022 às 20h23

Pra quem é candidato a reeleição ao governo do estado ou um indicado dele, sempre tendem a crescer e virar os votos. Sendo reeleito ou eleito.

Só em caso de extremo desgaste que é difícil não ocorrer. Como foi Pimentel em MG em 2018. Os candidatos com a propaganda eleitoral, irão mostrar seus feitos. Fazendo o eleitor lembrar.

Quanto a Bolsonaro, ele segue um desgaste muito grande, com uma rejeição muito grande. E ele mesmo vai agindo pra que a rejeição aumente ou estabilize. Como ocorreu com Vera Magalhães. E também, ele disputa com ex presidente que saiu do governo no auge. E o eleitor se for comparar a época de Lula com a de Bolsonaro, preferirão Lula.

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Dudu

01 de setembro de 2022 às 19h47

O de Lula é não esquecer que não pode andar na rua o do Freixo é de fingir que não é um palhaço.

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Fanta

01 de setembro de 2022 às 16h57

Passaram 4 anos e não há 1% de eleitor que mudou seu voto de 2018 pra cá seu.

O motivo é simples…o que a oposição apresentou aos brasileiros em 4 anos a não ser narrativas e papagaiar babaquices para depensantes cronicos jogadas no ar pela mídia amongolada Brasileira para fazer barulho em cima do nada ?

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