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Imagem: CRI

China diz que iniciativa de paz entre Rússia e Ucrânia passa por “solução política”

Por Gabriel Barbosa

24 de fevereiro de 2023 : 08h55

Nesta sexta-feira, 24, a China divulgou um um documento onde expressa sua posição sobre a iniciativa de paz entre Rússia e Ucrânia. No documento, o governo chinês diz que esse processo passa por uma solução política.

Vale lembrar que a China se absteve na votação sobre a resolução que exige a retirada das tropas russas na Ucrânia.

Leia a íntegra do documento!

1. Respeitar a soberania de todos os países. O direito internacional universalmente reconhecido, incluindo os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, deve ser rigorosamente observado. A soberania, independência e integridade territorial de todos os países devem ser efetivamente preservadas. Todos os países, grandes ou pequenos, fortes ou fracos, ricos ou pobres, são membros iguais da comunidade internacional. Todas as partes devem defender conjuntamente as normas básicas que regem as relações internacionais e defender a imparcialidade e a justiça internacional. A aplicação igual e uniforme do direito internacional deve ser promovida, enquanto a duplicidade de critérios deve ser rejeitada.

2. Abandonar a mentalidade da Guerra Fria. A segurança de um país não deve ser buscada às custas de outros. A segurança de uma região não deve ser alcançada pelo fortalecimento ou expansão de blocos militares. Os legítimos interesses e preocupações de segurança de todos os países devem ser levados a sério e tratados adequadamente. Não existe solução simples para um problema complexo. Todas as partes devem, seguindo a visão de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável e tendo em mente a paz e a estabilidade a longo prazo do mundo, ajudar a forjar uma arquitetura de segurança europeia equilibrada, eficaz e sustentável. Todas as partes devem se opor à busca de sua própria segurança em detrimento da segurança de outros, evitar confrontos em bloco e trabalhar juntos pela paz e estabilidade no continente euro-asiático.

3. Cessar as hostilidades. O conflito e a guerra não beneficiam ninguém. Todas as partes devem permanecer racionais e exercer moderação, evitar atiçar as chamas e agravar as tensões e evitar que a crise se deteriore ainda mais ou até mesmo saia do controle. Todas as partes devem apoiar a Rússia e a Ucrânia a trabalhar na mesma direção e retomar o diálogo direto o mais rápido possível, de modo a diminuir gradualmente a escalada da situação e, finalmente, alcançar um cessar-fogo abrangente.

4. Retomar as negociações de paz. Diálogo e negociação são a única solução viável para a crise na Ucrânia. Todos os esforços conducentes à resolução pacífica da crise devem ser encorajados e apoiados. A comunidade internacional deve manter o compromisso com a abordagem correta de promover negociações de paz, ajudar as partes em conflito a abrir as portas para um acordo político o mais rápido possível e criar condições e plataformas para a retomada da negociação. A China continuará a desempenhar um papel construtivo a esse respeito.

5. Resolver a crise humanitária. Todas as medidas conducentes ao alívio da crise humanitária devem ser incentivadas e apoiadas. As operações humanitárias devem seguir os princípios de neutralidade e imparcialidade, e as questões humanitárias não devem ser politizadas. A segurança dos civis deve ser protegida de forma eficaz e devem ser criados corredores humanitários para a evacuação de civis das zonas de conflito. São necessários esforços para aumentar a assistência humanitária a áreas relevantes, melhorar as condições humanitárias e fornecer acesso humanitário rápido, seguro e desimpedido, com vistas a prevenir uma crise humanitária em maior escala. A ONU deve ser apoiada no desempenho de um papel de coordenação na canalização de ajuda humanitária para zonas de conflito.

6. Proteger civis e prisioneiros de guerra (POWs). As partes em conflito devem cumprir rigorosamente o direito humanitário internacional, evitar atacar civis ou instalações civis, proteger mulheres, crianças e outras vítimas do conflito e respeitar os direitos básicos dos prisioneiros de guerra. A China apoia a troca de prisioneiros de guerra entre a Rússia e a Ucrânia e pede a todas as partes que criem condições mais favoráveis para esse fim.

7. Manter as usinas nucleares seguras. A China se opõe a ataques armados contra usinas nucleares ou outras instalações nucleares pacíficas e pede a todas as partes que cumpram a lei internacional, incluindo a Convenção sobre Segurança Nuclear (CNS) e evitem resolutamente acidentes nucleares provocados pelo homem. A China apóia a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no desempenho de um papel construtivo na promoção da segurança e proteção de instalações nucleares pacíficas.

8. Redução de riscos estratégicos. Armas nucleares não devem ser usadas e guerras nucleares não devem ser travadas. A ameaça ou uso de armas nucleares deve ser combatida. A proliferação nuclear deve ser evitada e a crise nuclear evitada. A China se opõe à pesquisa, desenvolvimento e uso de armas químicas e biológicas por qualquer país sob quaisquer circunstâncias.

9. Facilitar a exportação de grãos. Todas as partes precisam implementar a Iniciativa dos Grãos do Mar Negro, assinada pela Rússia, Türkiye, Ucrânia e a ONU, de maneira plena e eficaz, de maneira equilibrada, e apoiar a ONU no desempenho de um papel importante a esse respeito. A iniciativa de cooperação em segurança alimentar global proposta pela China oferece uma solução viável para a crise alimentar global.

10. Suspensão de sanções unilaterais. Sanções unilaterais e pressão máxima não resolvem o problema; eles apenas criam novos problemas. A China se opõe a sanções unilaterais não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU. Os países relevantes devem parar de abusar das sanções unilaterais e da “jurisdição de braço longo” contra outros países, de modo a fazer sua parte na redução da crise na Ucrânia e criar condições para que os países em desenvolvimento cresçam suas economias e melhorem a vida de seu povo.

11. Manter estáveis as cadeias industriais e de abastecimento. Todas as partes devem manter seriamente o sistema econômico mundial existente e se opor ao uso da economia mundial como uma ferramenta ou arma para fins políticos. Esforços conjuntos são necessários para mitigar as repercussões da crise e impedir que ela interrompa a cooperação internacional em energia, finanças, comércio de alimentos e transporte e prejudique a recuperação econômica global.

12. Promover a reconstrução pós-conflito. A comunidade internacional precisa tomar medidas para apoiar a reconstrução pós-conflito em zonas de conflito. A China está pronta para fornecer assistência e desempenhar um papel construtivo nessa empreitada.

Gabriel Barbosa

Jornalista com pós-graduação em Comunicação e Marketing Político. Atualmente, é Diretor Executivo e Chefe de Redação do Cafezinho. Teve passagens pelo Grupo de Comunicação 'O Povo', RedeTV! e BandNews FM do Ceará.

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1 comentário

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EdsonLuíz.

24 de fevereiro de 2023 às 09h29

●Só há, efetivamente, dois pontos INEGOCIÁVEIS:
i) A Rússia nem ninquém pode fazer guerra de expansão e ocupar territórios que nào lhes pertence;
ii)Não pode ser negociado, EM NENHUMA HIPÓTESE, o direito de um país livre e soberano que tem uma história de sofrer abusos por parte de vizinho mais forte, de estabelecer aliança de proteção militar defensiva*.
*Esta questão de acessar proteção militar defensiva contra vizinhos abusadores como a Rússia ficou escancarada pela invasão e ocupação da Criméia pela Rússia sem que a Ucrânia tivesse condições de reagir, seguida agora da expansão dessa guerra total de ocupação (a Rússia chegou a lançar mais de 100 mísseis por dia nas áreas mais habitadas da Ucrânia, escolhendo como alvo os centros de compras nos horários mais cheios e espalhando terror e morte, por exemplo).
*Reforça a necessidade de organismo militar internacional de proteção a decisão por parte da Suécia e da Finlândia de desistirem definitivamente de manter uma relação de confiança com a Rússia e não adesão a um tratado de proteção. Finlândia e Suécia estão em processo de adesão à OTAN após verificarem que nenhuma confiança é possível ter com a Rússia.

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