A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou nas redes sociais que o deputado federal Nikolas Ferreira teria feito campanha para o então presidente Jair Bolsonaro em 2022 utilizando um avião ligado ao empresário Daniel Vorcaro, associado ao caso do Banco Master. Em publicação, Gleisi questionou: “Quer dizer então que o deputado Nikolas fez campanha para Bolsonaro em 2022 no avião de Daniel Vorcaro, do banco Master? E a campanha nem declarou essa ‘contribuição’ ao TSE…”.
No mesmo texto, a dirigente petista afirmou que foram “dez dias voando pelo país nas asas do Master, junto com pastores da Igreja Lagoinha”, e acrescentou que o pastor Fernando Zettel, apontado como cunhado e sócio de Vorcaro, teria sido o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas. Gleisi também declarou que “esse pessoal ainda tem o cinismo de querer jogar no colo dos outros esse escândalo financeiro” e responsabilizou integrantes do governo anterior pela ausência de fiscalização. Segundo ela, “quem fechou os olhos para as falcatruas no Master foi o presidente do BC de Bolsonaro, Roberto Campos Neto”. A petista afirmou ainda que a investigação só avançou no atual governo: “Foi somente no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o escândalo foi investigado e desvendado pela PF. E foi a diretoria do BC indicada por Lula que decretou a liquidação do Master”.
Uma reportagem publicada pelo O Globo informou que Nikolas participou, durante o segundo turno das eleições de 2022, de agendas da caravana “Juventude pelo Brasil”, que utilizou um jato Embraer 505 Phenom 300 associado à empresa Prime You, então ligada a Vorcaro. O deputado confirmou ter viajado na aeronave, mas declarou que não sabia da vinculação com o empresário e que não mantinha relação comercial com ele ou com o banco. Segundo o parlamentar, os deslocamentos ocorreram a convite de organizadores das agendas e lideranças religiosas.
O caso ganhou repercussão política após a liquidação extrajudicial do Banco Master e a deflagração de investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o grupo empresarial. No Congresso, parlamentares da oposição protocolaram pedidos para que Nikolas preste esclarecimentos em comissões que tratam do tema.
Até o momento, não há decisão da Justiça Eleitoral que aponte irregularidade formal na prestação de contas da campanha de 2022 relacionada ao uso da aeronave. A controvérsia, no entanto, amplia o embate político entre aliados do governo Lula e parlamentares ligados ao ex-presidente Bolsonaro, em meio às investigações sobre o banco e seus controladores.


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