O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, alertou que qualquer ameaça à segurança do estreito de Ormuz provocará impactos significativos no comércio mundial.
Em conversa telefônica com o presidente da França, Emmanuel Macron, o líder iraniano enfatizou que a República Islâmica tem garantido de forma constante o tráfego marítimo seguro por essa via estratégica e se encontra plenamente preparada para responder a qualquer medida que comprometa seus interesses nacionais, conforme comunicado da Presidência iraniana divulgado pelo portal RT.
Pezeshkian reafirmou o compromisso do Irã com o direito internacional e sua preferência pela resolução de conflitos por meio da diplomacia baseada na dignidade e na soberania nacional.
O presidente iraniano convidou os países europeus a desempenharem papel construtivo no tema e instou Washington a respeitar as normas internacionais. Ele criticou duramente as políticas fundamentadas em pressão ou ameaças militares, em clara alusão às ações recentes do governo dos Estados Unidos, inclusive a proposta de bloqueio do estreito de Ormuz.
Autoridades iranianas já haviam advertido que um ataque americano contra usinas elétricas do país resultaria no bloqueio total do estreito de Ormuz como resposta imediata.
Essa medida permaneceria em vigor até a reconstrução completa das instalações afetadas, conforme divulgado pela agência Mehr e pelo sistema de comunicação IRIB. As retaliações poderiam ainda atingir interesses econômicos americanos na região, infraestruturas tecnológicas de nações vizinhas associadas aos EUA e empresas estrangeiras que hospedem bases militares de Washington na zona.
Em março, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o estreito não está fechado, apesar do ultimato americano de 48 horas para reabertura da passagem sob ameaça de ataques às usinas elétricas.
Araghchi explicou que a redução no tráfego marítimo decorre do temor generalizado de uma guerra que, segundo ele, não foi iniciada por Teerã.
Relatos do mercado energético já registram efeitos concretos dessa escalada. Analistas do Financial Times e de Wall Street alertam para impactos drásticos e prolongados caso as tensões aumentem.
O Goldman Sachs estimou que o fluxo diário de petróleo pelo estreito caiu de mais de 19 milhões de barris para cerca de 600 mil barris, número que sinaliza redução severa no fornecimento global.
O estreito de Ormuz constitui rota vital para o transporte de petróleo do Golfo Pérsico e responde por parcela significativa da produção mundial de energia.
Qualquer fechamento efetivo ou bloqueio prolongado tende a elevar drasticamente o preço do óleo bruto, interromper cadeias de suprimento, gerar insegurança para a navegação comercial e provocar reações diplomáticas e econômicas em cadeia de diversos países afetados.
As posições firmes adotadas por Teerã respondem diretamente à retórica agressiva de Washington, marcada por imposições militares e ultimatos sucessivos. A escalada verbal entre os dois países alcançou fase crítica, com risco real de confrontos militares ou ações contra infraestruturas sensíveis.
Ao convocar a Europa para atuação construtiva, o Irã busca ampliar apoio internacional e isolar diplomaticamente os Estados Unidos.
A controvérsia sobre o estreito de Ormuz deixa de ser apenas questão de geografia e segurança naval para se transformar em teste de soberania nacional, legitimidade internacional e equilíbrio de poder no Oriente Médio.
A situação permanece altamente volátil. Caso os Estados Unidos avancem contra instalações iranianas sem progressos diplomáticos concretos, as repercussões devem ultrapassar danos materiais imediatos e podem destabilizar mercados globais, reavivar alianças regionais, aumentar o risco de guerra aberta e desafiar os mecanismos internacionais de navegação e comércio.
Com informações de actualidad.rt.com.
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