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Escândalos de ‘Dark Horse’ e Wi-Fi Livre expõem esquema de manipulação eleitoral da extrema direita

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Reportagem do BRASILDEFATO revela um novo capítulo no escândalo envolvendo a produtora do filme ‘Dark Horse’ e o uso ilegal de dados pessoais. O caso, que já estava sob investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento irregular, agora ganha contornos ainda mais graves com a exposição de um esquema de manipulação eleitoral.

A produtora do filme ‘Dark Horse’, dirigido por Karina Ferreira da Gama, é acusada de coletar ilegalmente números de celular de usuários do Wi-Fi gratuito da prefeitura de São Paulo e repassá-los a uma agência de marketing digital. A Talk Communications, empresa beneficiária, recebeu cerca de R$ 2,7 milhões para serviços de marketing durante a campanha municipal de 2024, que reelegeu Ricardo Nunes (MDB).

Karina Ferreira da Gama, dona da produtora, não é figura desconhecida. Ela está no centro das investigações sobre o envio irregular de recursos de Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, aos Estados Unidos, supostamente para financiar o longa-metragem. O mesmo CNPJ que assinou um contrato de mais de R$ 108 milhões com a gestão municipal para instalar pontos de internet gratuita em São Paulo.

A resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2019 é clara: o disparo em massa de mensagens instantâneas sem consentimento dos destinatários é expressamente proibido. No entanto, a triangulação entre dinheiro público, dados privados e propaganda política parece ter sido executada com precisão.

A prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, limitou-se a dizer que ‘desconhece qualquer compartilhamento de dados pessoais’ e que ‘eventuais análises sobre conformidade contratual dependem da apuração de fatos concretos’. A produtora de Karina não respondeu aos questionamentos. O silêncio é eloquente.

Luciana Santana, cientista política da Universidade Federal de Alagoas, classificou o cenário como um ‘mar de lama’. Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, ela afirmou que ‘a gente está diante de um quadro de denúncias extremamente graves’ e que ‘se esses indícios forem mesmo confirmados, a gente não está falando de uma militância espontânea […]. A gente vê que tem uma estrutura profissionalizada, que envolve recursos volumosos e tem uma capacidade de articulação com empresários, e que não opera apenas no Brasil como também nos Estados Unidos’.

A declaração de Santana captura a essência do problema: não se trata de um acidente ou de um desvio pontual, mas de uma engrenagem que conecta interesses financeiros, produção cultural sob encomenda e manipulação eleitoral. O filme ‘Dark Horse’ não é obra de fãs; é peça de engenharia política. E o Wi-Fi Livre de São Paulo, que deveria ser um instrumento de inclusão digital, transformou-se em fonte de munição para disparos ilegais.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu a abertura de um novo inquérito para investigar o envio de recursos de Daniel Vorcaro aos Estados Unidos sob a justificativa de financiar ‘Dark Horse’. A declaração foi dada à GloboNews, sinalizando que o cerco institucional está se movendo.

O impacto político deste escândalo atinge diretamente a família Bolsonaro. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, é o protagonista natural desse enredo. Se o dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro irrigava a produção de um filme que beneficiava a imagem de seu pai, e se a mesma produtora do filme operava um esquema de desvio de dados para campanhas municipais aliadas, o que emerge é um ecossistema integrado de poder e propaganda. A conexão Vorcaro-Flávio Bolsonaro, que já havia sido mencionada em delações e reportagens da CNN, ganha contornos de máquina de campanha permanente.

A extrema direita brasileira sempre tentou vender a imagem de um movimento espontâneo, nascido nas redes sociais pela força da convicção popular. As investigações mostram o oposto: uma rede empresarial profissionalizada, com fluxo de caixa robusto, contratos milionários com o poder público e uso sistemático de dados pessoais violados. O ‘mar de lama’ não é metáfora – é o retrato de um projeto de poder.

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