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Janio de Freitas: Eduardo Campos é uma “farsa perigosa”

Por Miguel do Rosário

29 de maio de 2014 : 09h49

Reproduzo o texto do Fernando, publicado no Tijolaço, apenas para ter a oportunidade de dar um título mais forte, porém mais condizente com o texto de Janio de Freitas, que não tem papas na língua ao acusar a candidatura de Campos de ser uma farsa. Uma “farsa perigosa”.

De fato, é incrível que Campos, tendo o avô que teve, e sendo presidente de um partido “socialista”, chancele o argumento de que a anistia valeu para “ambos os lados”. Ora, ele poderia ter dito apenas que não é o momento de “reabrir feridas”, ou qualquer desculpa esfarrapada, porém, decente. Ao mencionar “ambos os lados”, Campos usou um argumento da extrema-direita, e isso não é desculpável num neto de Miguel Arraes!

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Janio a Eduardo Campos: “qual foi o crime de seu avô?”

Por Fernando Brito, no Tijolaço.

A pergunta cortante é do mestre Janio de Freitas, sobre a prática contumaz da hipocrisia em que vem se especializando o candidato do PSB, Eduardo Campos, que danou a dizer só o que agrada o conservadorismo.

Poderia, sem dificuldade, ter dito que essa é uma decisão que a Justiça terá de tomar, sobretudo agora que lhe são apresentados, concretamente, casos escabrosos como o da tortura, morte e ocultação do cadáver do deputado Rubens Paiva e do atentado do Riocentro.

Mas preferiu se lambuzar dizendo que é contra o reexame das responsabilidades por crimes de lesa-humanidade.

O discurso do “revanchismo” é apenas dos que o usam para ocultar, também, a verdade.

Atividade na qual Campos vem se mostrando dedicado aprendiz.

Muito à vontade

Janio de Freitas

A definição de Eduardo Campos contra qualquer mudança na Lei da Anistia, para possível punição legal de criminosos da repressão, divide-se em duas partes bem distintas. Na primeira, o pré-candidato à Presidência adota o chavão dos militares acusados de tortura, assassinatos e desaparecimentos: “Acho que a Lei da Anistia foi para todos os lados. O importante agora não é ter uma visão de revanche”. Na segunda, Eduardo Campos reforça, por um dado pessoal, a sua identificação com aqueles militares: “Falo isso muito à vontade porque a minha família foi vítima do arbítrio”.

Uma das maiores vítimas imediatas do golpe em 1964 foi Miguel Arraes, então governador de Pernambuco. Retirado do palácio sob a mira de armas, Arraes foi preso e, depois dos maus-tratos esperáveis, deportado para a ilha de Fernando Noronha como prisioneiro sem condenação e sem prazo. Quando, afinal, pôde voltar ao continente e à vida civil, a iminência de nova prisão levou-o a asilar-se e daí ao exílio.

Eduardo Campos é neto de Miguel Arraes. Por isso diz estar “muito à vontade” quando subscreve o pretexto da “anistia para os dois lados”. Nas duas condições, está, portanto, desafiado a indicar os crimes de que seu avô foi anistiado. Os crimes cuja anistia justifica, no que lhe cabe, a anistia do lado dos que o prenderam depois de o derrubarem do governo conquistado pelo voto e exercido com o que sempre se achou ser impecável dignidade.

No exterior, residente na Argélia e depois na França, Arraes integrou a oposição ativa à ditadura brasileira. É possível que, do ponto de vista de Eduardo Campos, oposição ao regime dos generais ditadores fosse prática criminosa, como os próprios consideraram. A identificação de Eduardo Campos com o pretexto usado pelos militares reforça tal hipótese. A ser assim, porém, sua pretensão a concorrer à Presidência de um regime democrático não poderia ser vista senão como farsa. Farsa perigosa, como sugerem as identificações que exibe.

Não menos sugestivo é que esse mesmo Eduardo Campos integra, com os seus conceitos, o Partido Socialista Brasileiro. Vê-se que aprecia essa coisa de “para todos os lados”. Mas, se não tem fatos a narrar que justifiquem a anista de Arraes como compensação para a anistia do “outro lado”, então Eduardo Campos está manchando a história de um homem honrado. Da qual e do qual até agora só tirou proveito: sem ambas, não se sabe o que seria, mas por certo não teria sido o que já foi e não seria o que é.

Marina Silva + Eduardo Campos = Direita ao quadrado

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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8 comentários

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Iranete Pereira Nane

31 de maio de 2014 às 01h59

Olha Ednaldo Junior Alves DA Silva, esse é o “Dudu” como vc chama. Presta não, visse???

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John Kennedy Ribeiro

30 de maio de 2014 às 01h57

Moleque…

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Adelice Feitosa

30 de maio de 2014 às 00h03

É repugnante a desfaçatez desse impostor. Carrega consigo o timbre de uma traição vergonhosa e ainda faz média com os usurpadores do cargo que o POVO deu ao avô dele. Estou lamentando por Arraes, porque já estou achando que esse farsante deve se juntar mesmo é com os Bornhausen, Heráclito Fortes, Ronaldo Caiado e outras espécies peçonhentas da direita brasileira, como Roberto Freire e Marina Arre Silva.

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Mauro Coelho

29 de maio de 2014 às 20h53

Envergonhando a memória do avô!

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Marcos Cardoso Silveira

29 de maio de 2014 às 17h12

Isso eu já sabia.

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Grimalde Carvalho

29 de maio de 2014 às 16h27

Eita !!!

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Hirto Gervásio

29 de maio de 2014 às 15h35

Dois lixo.

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Lulu Pereira

29 de maio de 2014 às 14h12

boa

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