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Foto: Richard Silva/ arquivo PCdoB na Câmara

Coligações & Federações partidárias: a grande vitória do PCdoB

Por Redação

12 de agosto de 2021 : 16h52

Bomdiacafezinho #8

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) não escondeu sua alegria:

A aprovação das federações partidárias era a principal bandeira do PCdoB, porque a nova lei abre a possibilidade do partido sobreviver à cláusula de barreira, ao compor-se com outras legendas. 

O projeto  (PL Nº 2522/2015) já passou pelo Senado, de maneira que agora espera apenas a sanção do presidente da república, que dificilmente vetaria um projeto aprovado por 304 deputados, incluindo aí o famoso “centrão”.

Mas esse PL não interessa apenas ao PCdoB. Todos os partidos pequenos que temiam ser extingos pela nova legislação eleitoral, que foi pensada justamente com o intento de reduzir o número de legendas, agora poderão sobreviver através das federações partidárias.

No caso do PCdoB, por exemplo, havia um acordo público da legenda com o Partido dos Trabalhadores (PT), expresso recentemente em entrevista do ex-presidente Lula, de que ambos estariam juntos numa federação. 

PSB e PDT também são parceiros possíveis do PCdoB numa federação.

Ontem, a Câmara aprovou a volta das coligações partidárias. A iniciativa foi muito criticada por alguns cientistas políticos, com razão, porque ela revive o “vale tudo” do passado, em que se via uma verdadeira salada maluca, sem nenhuma consistência ideológica, de partidos das mais variadas tendências. 

PT, PSB e PCdoB votaram em favor das coligações. O interesse do PCdoB pela coligação, porém, agora está melhor atendido pela federação.

Quanto ao PT e PSB, seu interesse pela volta da coligação (que ainda precisa passar pelo Senado),  uns dizem que foi uma estratégia pensada para que esses dois partidos, em especial o PT, campeão do fundo partidário, possa atrair legendas de centro.

Com a aprovação das federações partidárias, porém, o retorno das coligações perde sua razão de ser e talvez seja rechaçado ou arquivado pelo Senado.

Se as coligações são muito criticadas, pelo estímulo a parcerias puramente fisiológicas, as federações são vistas como um avanço democrático, pois elas obrigam os partidos a se manterem unidos por no mínimo quatro anos após as eleições. É a fórmula usada com sucesso em Portugal, Chile e Uruguai.

 

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11 comentários

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EdsonLuiz.

14 de agosto de 2021 às 14h45

Bruno,
Talvez que o único especialista em Lênin e em leninismo no Brasil tenha sido o professor Carlos Nelson Coutinho.

Sabe o que eu penso que o professor Carlos Nelson diria para você, para mim ou para qualquer outro interessado em política, sobre Lênin e leninismo, Bruno?

Carlos Nelson Coutinho provavelmente diria:
“O leninismo morreu! Viva Lênin!

Já o que eu digo para mim mesmo é que eu quero ser um homem do meu tempo.

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carlos

13 de agosto de 2021 às 07h42

Duvido que inadvertidamente alguém pensou na segurança do voto do eleitor, exemplo eu votei em determinado candidato pensando se tratar de que vai defender os direitos coletivos, e acontece o contrário, aí eu perdi o meu voto, por isso eu acho que deveria haver uma espécie de recall político, em caso de o candidato, não fazer o que programou ser substituído pelo eleitor que o elegeu.

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Alexandre Neres

13 de agosto de 2021 às 02h01

Finalmente a terceira via vai causar alvoroço. Uma coligação que não vai deixar pedra sobre pedra. Segundo li no Estadão, FHC, Temer e Sarney “vão participar da abertura de um ciclo de debates intitulado ‘Um novo rumo para o Brasil’, em 15 de setembro. Mais do que um seminário, no entanto, a iniciativa aponta para uma convergência entre PSDB, MDB, DEM e Cidadania nas eleições presidenciais de 2022. A ideia em discussão nos quatro partidos organizadores da conferência é apresentar uma chapa única ao Palácio do Planalto, logo após o carnaval.” Poderiam aproveitar o ensejo, já irem fantasiados e convidar o Novo para a patuscada. Todos os partidos citados agiram como bolsonaristas enrustidos e votaram a favor do voto impresso. É uma causa que os une? Não por isso. É porque Bolsonero prometeu acabar com a farra da emenda parlamentar pra quem votasse contra e os pretensos insurgentes voltaram atrás rapidinho. O Novo que se pretendia liberal foi aliado do boçal-ignaro de primeira hora, fingiu um afastamento protocolar e em nome das benesses do poder deu uma recaída e voltou a cair no colo do tiranete. É cringe!

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BRUNO ROCKENBACH JR.

13 de agosto de 2021 às 01h29

Crítica: como veículo jornalístico, vocês tem de fazer de forma mais ágil suas moderações. Abraço e bom trabalho

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BRUNO ROCKENBACH JR.

12 de agosto de 2021 às 23h40

Aos srs. Lirah e Edson luiz,
‘Se o pc do b comemora é sinal q não é coisa boa’. Sr(a) Lirah,, a Bancada do PCdoB é composta de apenas 9 deputado(a)s, num universo de 513. Assim, como é possível afirmar, de plano, que a aprovação das coligações e federações partidárias não é boa coisa? Muito embora a Câmara dos Deputados seja composta por todo tipo de gente, incluídos facínoras, parece que, apesar de tudo, a razão e, por que não dizer, a própria sobrevivência eleitoral ainda move os parlamentares. ASSIM QUE, A VITÓRIA DO PCdoB SE DEVE À COMPREENSÃO DE COMO SE DÁ A POLÍTICA E AO STATUS DE CIÊNCIA CONFERIDO A ESSE RAMO DA ATIVIDADE HUMANA Assim que, vá ver como o teu deputado votou (se é que ele se elegeu) e depois venha criticar o voto dos outros. Mas por favor, com algum argumento consistente, é o mínimo que se pede!

Sr(a) Edson Luiz: o que o sr. tem contra Federações Partidárias? Por acaso é algum crítico da experiência da Frente Amplia Uruguaia e de outras frentes construídas na Europa? Vou mais longe, és contra uma frente ampla para derrotar bolsonaro no Brasil? Qual é a artificialidade que vês na proposta de federações partidárias? Muito embora teu texto cheio de adjetivações e um palavreado que revela uma pretensa cultura de esquerda, a realidade é a seguinte: vocês, psolistas (não todos, é claro, alguns se salvam) odeiam Lula e o PT, porque os julgam pequenos-burgueses que conciliam com o neoliberalismo (evidentemente que algumas correntes que integram esse partido o são, mas de novo, afirmo e confirmo isso sem generalizações inúteis). Contudo, me diga: e o Psol, como se coloca nesse quadro? Vai continuar nessa insistência esquerdista infantil (como disse I. V. Lenin) de atacar as esquerdas, inclusive em suas retumbantes vitórias, como essas recentes da derrota do distritão (e da reafirmação da proporcionalidade de votos nas eleições), da volta da possibilidade das coligações e da aprovação do novíssimo instrumento (muito mais democrático) das federações partidárias? Amigo, desça de uma vez por todas de Marte! Temos, nós e o povo, um inimigo comum para derrotar aqui na Terra! Um forte abraço

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    EdsonLuiz.

    14 de agosto de 2021 às 14h25

    Bruno Rockenbach Jr,

    Eu não sou do PSOL, e até discordo quase completamente do PSOL na forma, embora tenha muita identidade com o PSOL nas intenções quanto a justiça social. Você vai me ver fazendo vários elogios ao PSOL por eu, que acho a cultura partidária e eleitoral brasileira muito deprimente, ver muita consistência e coerência do PSOL nestes aspectos de cultura partidária e coerência completa, doutrinária, de programas, etc. Minha divergência com o PSOL, por maior que seja, e ė muito grande, não pode me deixar cego para as qualidades do PSOL. Minhas divergências, aliäs, não podem me cegar para nada, para o bem ou para o mal.

    Eu não tenho nada contra o PCdoB. Tenho até vários elogios. Para mim o PCdoB, a despeito de sua formação fortemente influenciada pelo stalinismo, tem contribuído em vários aspectos para a democracia no Brasil. E para mim o PCdoB é dos partidos com melhores operadores políticos. Ocorre que o PCdoB vem se apequenando em não se apresentar ao eleitor brasileiro com seu prœprio programa e candidato, eu acho. O que o PCdoB pretende representar é próprio, alianças nem cabem porque nenhuma força tem identidade com o projeto próprio do PCdoB. Há forças e pessoas que possuem intenções iguais em muita coisa com o PCdoB. Eu mesmo tenho. Mas não é o mesmo projeto. Essa é uma discussão muito mais complexa e o PCdoB, internamente, parece que apresenta diferenças, com o amadurecimento de uma proposta social-democrata, é a minha impressão. Mas…. Opiniões, Bruno! Opiniões! Opinião sempre pede adjetivos.

    Sobre frente contra bolsonaro? Sou totalmente a favor. E no caso do bolsonaro, sem nenhum veto. Nenhum! Temer aceita? Que venha. Moro aceita? Que venha! Uma coisa como bolsonaro exige uma frente total. Eu sempre defendi isso. Radicalmente! Completamente! Mas….tente fazer essa frente.

    Sobre Federação partidária? Eu acho um pouco menos pior que coligação.
    Mas se você for me ler sem raiva ou sem viés, que é como todos e qualquer um devem ser lidos, vai perceber que eu estou tratando de uma coisa mais fundamental. Eu estou observando que enquanto nós boicotarmos a construção de uma superestrutura jurídico-política que permita que o Brasil tenha Política, de fato, e consiga se estruturar como país e como nação, que não é se sem Política não conseguirá fazer ser, o que teremos é populismos, fisiologias, demagogos…e golpes militares.

    Formar uma frente contra as serpentes do mal não é a mesma coisa de rebolar uma legislação conveniente à pequena política, Bruno.

    Prover uma sociedade da superestrutura jurídico-política necessária, sem improvisos, é muito mais importante até mesmo que política e Partido

    O mais é enganação!

    Responder

      EdsonLuiz.

      14 de agosto de 2021 às 14h51

      Onze linhas acima, desconsidere:
      …que não é se sem Política não conseguirá fazer ser…

      Esse trecho fou inserido pelo teclado.

      Responder

Lirah

12 de agosto de 2021 às 20h07

Se o pc do b comemora é sinal q não é coisa boa.

Responder

EdsonLuiz.

12 de agosto de 2021 às 19h34

* tamanhozinho.
* Mas, pior do que aquele que coopta é aquele que aceita e até pede para ser cooptado.

Responder

EdsonLuiz.

12 de agosto de 2021 às 19h27

Federação Partidária, nos termos em que foi aprovada e antes de sofrer desvirtuamentos futuros para adequar interesses, é um pouquinho menos pior que coligação.

Mas, aqui para nós, para ter poder e assim implementar as políticas que defende, um grupamento político tem que ter força. Se essa força depende de
artificialidades, com a agregação de outros grupos com propostas diferentes, por melhor que administrem o convívio, e se para essa cooptação – porque não passa disso: cooptação de uma força menor por uma força maior – a legislação tem que ser ‘rebolada’, para ajeitar as coisas, que é o que faz esse arranjo que acaba de ser aprovado, e o que deveria compor a superestrutura jurídico-política e o arcabouço da ordem legal nesse aspecto sensível que é a construção da representação da força que após eleições vai assumir o poder, com um suposto projeto (que no Brasil quase sempre é inexistente e quando existe é quase uma ficção), esse arcabouço legal, essa que deveria ser a superestrutura, é um arranjo entre compadres, é provisória, precária, artificial, conveniente, que diabos de poder será construído? Que projeto de país surgirá disso? Qual a Cidadania que resultará desse arranjo de farrapos sem a força de uma cultura política digna, de uma estrutura legal séria, de uma ordem legal que não aponta no futuro para a construção de um país de fato e de uma ordem que sirva de cidadania para todos.

O Brasil não quer ser o país do futuro.

É por essa e outras que fica essa arenga de defender estatal sucateada ou em cadeias produtivas atrasadas, que fica a arenga da defesa de nacionalismos retrógrados, que fica essa arenga torta de assimilar o conceito de neoclassicismo da escola econômica com o ideologismo do conceito de neoliberalismo como captura do Estado para favorecer a acumulação privada de grupos escolhidos por afinidades interesseiras.

É por essas e outras que o Brasil é o país do petismo e do bolsonarismo, que na nossa definição viram quase sucursais um do outro, com os dois praticando a captura do Estado para o lucro privado anticoncorrencial, o tal neoliberalismo de fato, a grande prática do PT. E eles não conseguem entender o porquê de nós batermos tanto contra essa imensa impostura.

Mais triste ainda é ver um petista falando ou escrevendo: “neoliberaaallllll”, não fazendo a menor ideia de que neoliberalismo é uma matriz de economia importante para determinados problemas, e o que ele recusa como neoliberalismo, e ainda denúncia como se estivesse desmoralizando o que ele entende como inimigo político, é o que a própria força que ele apóia, o PT, por exemplo, quem pratica.

E temos aí as empreiteiras, os Ike Batistas, os barões do gado e dos frigoríficos, os “construtores” do Minha casa ( cadê as casas?), os “construtores de navios”, ….

Mas o que esperar, se nem superestrutura séria no aspecto da representação, para as eleições, o Brasil tem?

Está aí a diferença de seriedade: o PSOL é deste tamanho zinho, mas quer uma legislação séria. O Partido Novo é deste tamanho zinho, mas quer uma legislação séria. Eles não querem a proteção dos grandes e dos fortes. Já o PCdoB?

E aí vem os aproveitadores, como o PT, e…

Mas pior do que quem cooptação é que aceita ser cooptado!

Responder

    BRUNO ROCKENBACH JR.

    13 de agosto de 2021 às 01h26

    olha mais cedo deixei um comentário, não publicado, não sei porquê. Não vou elaborar tudo de novo, mas ao(a) Lirah, só tenho a dizer que se nove deputado(a)s têm influência num universo de 513, não é porque não é ‘coisa boa’, mas sim que estão com a razão.

    já com relação ao que diz o(a) Edson Luiz, só digo a ele(a) que vá ler o que Lenin escreveu sobre o esquerdismo – doença infantil do comunismo – e aí a gente começa a conversar.

    Responder

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