A reitora da Unesp, Maysa Furlan, cobrou a manutenção de um aporte fixo de recursos públicos para as universidades estaduais paulistas, alertando que a previsibilidade orçamentária é essencial para proteger a autonomia acadêmica e científica das instituições.
A posição foi expressa em entrevista ao portal Metrópoles. A reitora destacou os riscos que a transição tributária representa para o equilíbrio financeiro da Unesp, da USP e da Unicamp.
Desde 1989, as três universidades recebem uma parcela fixa da arrecadação do ICMS. Esse montante corresponde a 9,57% da cota estadual, com 2,3% direcionados à Unesp.
A reitora observou que essa proporção não acompanhou o crescimento da instituição nas últimas décadas. A Unesp ampliou sua presença de 14 para 24 campi, o que aumentou de forma significativa seu impacto social em todo o território paulista.
Essa expansão das atividades acadêmicas e científicas ocorreu sem atualização equivalente nos recursos repassados. O descompasso gera pressão constante sobre o orçamento e exige esforço redobrado de docentes e servidores técnico-administrativos.
Mesmo diante das restrições, o corpo universitário mantém elevado padrão de ensino, pesquisa e extensão. A autonomia financeira permite que as instituições inovem, formem profissionais qualificados e gerem avanços que beneficiam diretamente a sociedade.
A reforma tributária substituirá gradualmente o ICMS pelo Imposto sobre Bens e Serviços. A mudança completa deve se consolidar até 2033 e exige garantias de estabilidade nos repasses para não interromper o trabalho acadêmico.
Dirigentes das universidades paulistas cobram que o novo modelo preserve a previsibilidade orçamentária atual. Sem essa segurança, as atividades de pesquisa e formação correm risco de retrocesso.
Maysa Furlan defendeu maior engajamento do setor produtivo no apoio às universidades. Esse apoio complementar, porém, não pode substituir o financiamento público que garante a independência das instituições.
A Unesp tem expandido políticas de inclusão para atender novos públicos estudantis. Essa abertura exige investimentos permanentes em assistência estudantil e em infraestrutura para assegurar equidade e qualidade.
A instituição recebe ainda recursos de órgãos de fomento como a Fapesp. O financiamento regular e previsível oriundo da arrecadação tributária permanece, entretanto, como a base para o planejamento de longo prazo e para a verdadeira autonomia.
Sem a garantia de aporte fixo, as universidades podem comprometer sua excelência e sua relevância estratégica. A reitora enfatizou que a estabilidade orçamentária sustenta a capacidade de produzir conhecimento e inovação essenciais ao desenvolvimento nacional.
O posicionamento reforça o debate sobre o papel das universidades públicas no projeto de país. Em meio à reconfiguração tributária, a preservação de mecanismos estáveis de financiamento torna-se questão central para a soberania científica e o progresso social.
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Fernando O.
18/04/2026
Faz todo sentido o que a reitora pede. Sem orçamento estável, a universidade vira refém de governo de plantão e de cortes arbitrários. Quem acha que ciência e ensino superior vivem de “eficiência de mercado” está viajando na maionese — conhecimento não é linha de produção.
Vanessa Silva
18/04/2026
Concordo totalmente com a reitora. Sem previsibilidade de recursos, as universidades ficam reféns de decisões políticas de curto prazo e isso trava o desenvolvimento científico e urbano. Investimento estável em pesquisa é o que garante inovação e planejamento inteligente para as cidades do futuro.
Lurdinha Deus Acima de Todos
18/04/2026
Ahhh mas é claro que tem que ter dinheiro fixo, minha gente! 🇧🇷🙏 Sem isso as universidades viram reféns de político de plantão 😡 daqui a pouco cortam tudo e fecham até os laboratórios! E depois o povo reclama que o Brasil tá ficando pra trás dos Estados Unidos 🇺🇸 misericórdia!
Evelyn Olavo
18/04/2026
A reitora está certíssima. Sem recursos estáveis, as universidades vivem de remendos e perdem a capacidade de planejar pesquisa e ensino de qualidade. Autonomia sem orçamento garantido é só discurso vazio.
Augusto Silva
18/04/2026
Perfeito, Evelyn. É como querer que a universidade seja autônoma com o pires na mão — autonomia sem orçamento fixo é igual a independência com mesada cortada.
Sgt Bruno 🇧🇷
18/04/2026
Autonomia universitária é importante, mas sem controle vira cabide de emprego e balbúrdia. Dinheiro público tem que ter resultado, não pode ser cheque em branco pra reitoria fazer política. Selva!
Alice T.
18/04/2026
Sgt Bruno, o “cheque em branco” mesmo é o que o governo dá pra bilionário via isenção e perdão de dívida — universidade pública presta conta até do papel higiênico. Autonomia é pra proteger o ensino de quem acha que educação é gasto, não investimento.
Renato Professor
18/04/2026
Finalmente alguém com coragem de lembrar o óbvio: sem financiamento estável, não há autonomia, há dependência e submissão. A extrema-direita adora falar em “liberdade” enquanto asfixia quem produz conhecimento crítico. A fala da reitora é um chamado à razão em meio ao obscurantismo.
Zé Trovãozinho
18/04/2026
Lá vem mais uma pedindo dinheiro do Estado… Quer autonomia, mas depende do governo. É assim que começa: primeiro o “aporte fixo”, depois o discurso de que sem isso viramos “Cuba do Norte”. Autonomia de verdade é viver sem mamar no orçamento público.
Francisco de Assis
18/04/2026
Zé, autonomia universitária não é pra virar empresa privada, é pra garantir que o saber não dependa de humor de governo nenhum. E sem investimento público, meu caro, o que sobra é ignorância terceirizada — e nisso o Brasil não pode mais se afundar.