A recente solicitação do Departamento de Defesa dos Estados Unidos à gigante Honeywell para acelerar a produção de tecnologias críticas não é um fato isolado de logística industrial. É um sinal claro do aprofundamento da corrida tecnológica e estratégica que redefine as alianças globais. Em um mundo onde a supremacia militar e econômica está intrinsecamente ligada ao domínio de setores como aeroespacial, semicondutores e inteligência artificial, tal movimento reforça a tese de que estamos em uma nova Guerra Fria, desta vez com contornos tecnológicos mais definidos.
Para o Brasil, que busca se reposicionar no tabuleiro internacional após os anos de isolamento e subserviência ideológica do governo Bolsonaro, este cenário é ao mesmo tempo um alerta e uma oportunidade. O governo Lula herdou um país com capacidade industrial e científica debilitada, mas com potencial inegável em setores estratégicos. A dependência tecnológica, especialmente em áreas sensíveis como defesa e comunicações, é uma vulnerabilidade nacional que precisa ser tratada com a seriedade de uma política de Estado, não como mera agenda de um governo.
O bolsonarismo, em sua visão míope e colonial, celebrou a subordinação tecnológica, tratando o Brasil como mero consumidor e parceiro secundário em cadeias globais. A reconstrução progressista, em contraste, exige que pensemos nossa soberania também em bytes e inovação. O momento geopolítico atual, com potências centrais acelerando sua autonomia em tecnologias críticas, deve servir de impulso para um projeto nacional de reindustrialização baseada no conhecimento. Isso passa por investimentos massivos em educação, ciência e parcerias estratégicas que transferam tecnologia, e não apenas por compras de equipamentos.
Às vésperas de 2026, a discussão sobre que projeto de nação queremos não pode ignorar esta dimensão. A alternativa ao projeto desenvolvimentista e soberano de Lula será, inevitavelmente, um retorno à condição periférica e dependente que o bolsonarismo tanto cultuou. A aceleração da produção de defesa nos EUA é um lembrete de que o futuro se constrói com planejamento, ciência e uma visão clara de interesse nacional. O Brasil não pode ficar para trás nesta corrida.


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