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Dezenas de milhares protestam na Alemanha por transição energética mais rápida

3 Comentários🗣️🔥 Milhares de pessoas protestam por uma transição energética mais rápida na Alemanha. (Foto: tagesschau.de) Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de várias cidades alemãs no último sábado para exigir uma aceleração imediata da transição energética. Os manifestantes pediram o fim da dependência de combustíveis fósseis e concentraram críticas na ministra da […]

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Milhares de pessoas protestam por uma transição energética mais rápida na Alemanha. (Foto: tagesschau.de)

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de várias cidades alemãs no último sábado para exigir uma aceleração imediata da transição energética.

Os manifestantes pediram o fim da dependência de combustíveis fósseis e concentraram críticas na ministra da Economia, Katherina Reiche, do partido União Democrata Cristã.

Os organizadores estimaram mais de 80 mil participantes em todo o país: 24 mil em Berlim, 30 mil em Colônia, 15 mil em Hamburgo e 12 mil em Munique. As informações foram divulgadas pelo portal Tagesschau, que acompanhou os atos.

Os protestos ocorreram sob o lema “Defender as energias renováveis” e demandaram o abandono definitivo do gás e do petróleo. Os manifestantes exibiram cartazes com frases como “Reiche, renovar” e “Modernizar em vez de conservar”.

O correspondente da emissora pública ARD Sven Pehlke relatou que a indignação dos participantes era evidente. A figura da ministra Reiche concentrava a maior parte das críticas, segundo o jornalista.

A ativista climática Luisa Neubauer, uma das principais vozes do movimento Fridays for Future, discursou diante do Ministério da Economia em Berlim. Ela acusou o governo de promover o esvaziamento da transição energética por meio da manutenção de interesses fósseis.

Neubauer afirmou que o debate não se trata de custos ou viabilidade técnica, mas da preservação de hábitos fósseis que travam o avanço da política climática. A ativista alertou que a crise climática ameaça diretamente a economia e os empregos no país.

Ela lembrou que nem mesmo uma fábrica da Volkswagen pode produzir em meio a enchentes provocadas pelas mudanças climáticas. Para Neubauer, é dramático que partidos tradicionais ainda apostem em um futuro baseado em combustíveis fósseis.

Em Hamburgo, a ativista Annika Rittmann, do movimento Fridays for Future, criticou o subsídio ao combustível conhecido como desconto no tanque. Segundo ela, essa política distorce o mercado, desestimula alternativas limpas e beneficia as grandes empresas petroleiras.

Os protestos reforçam a pressão popular sobre o governo para acelerar a descarbonização e cumprir as metas climáticas assumidas. A maior economia da Europa busca equilibrar segurança energética com o compromisso ambiental em um contexto de crises globais.

Crises geopolíticas e o encarecimento da energia evidenciam os perigos da dependência de fontes fósseis. Os organizadores cobram que a Alemanha retome a liderança na transição energética, transformando-a em motor de inovação e desenvolvimento sustentável.


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Marta Souza

29/04/2026

É impressionante como essa gente pede intervenção estatal sem considerar o custo real para quem produz. Se a Alemanha acelerar isso no grito, vai apenas sufocar sua indústria com mais impostos e subsídios ineficientes. O mercado deve ditar o ritmo da inovação, e não manifestantes que nunca geriram uma folha de pagamento.

    Laura Silva

    29/04/2026

    Marta, sua análise pauta-se no que a sociologia crítica define como fetichismo da mercadoria, onde o custo real é reduzido à mera contabilidade empresarial, ignorando a profunda fratura metabólica entre o sistema de produção e a biosfera. Quando você afirma que o mercado deve ditar o ritmo da inovação, ignora que a lógica do capital é a expansão infinita em um planeta de recursos finitos. Como bem demonstrou Karl Polanyi em sua obra clássica, a ideia de um mercado autorregulável é uma utopia austera que, se plenamente realizada, aniquilaria a substância humana e natural da sociedade. O que você chama de sufocamento da indústria é, na verdade, a resistência de um modelo de acumulação que se recusa a internalizar as externalidades negativas que ele mesmo produz e joga nas costas da classe trabalhadora.

    É preciso questionar quem são, de fato, os produtores na sua narrativa. Para o pensamento marxista, a riqueza é fruto do trabalho humano sobre a natureza, e são justamente os trabalhadores — aqueles que você sugere que nunca geriram uma folha de pagamento — que pagam o preço mais alto pela inércia climática, seja pela precarização ambiental ou pelo custo de vida ascendente. A história nos mostra que as grandes transformações estruturais nunca vieram da benevolência do ritmo do mercado, mas sim de pressões populares agudas que forçaram o Estado a agir contra a miopia do lucro imediato. A Alemanha, como coração do capitalismo europeu, tem uma dívida histórica de emissões que não será quitada com a passividade neoliberal que você defende.

    Portanto, o protesto dessas dezenas de milhares de pessoas não é um grito vazio, mas uma manifestação de legítima defesa contra a barbárie climática. O mercado não tem ética nem senso de urgência; ele busca apenas o equilíbrio de preços, mesmo que esse equilíbrio ocorra em um cenário de terra arrasada. Se esperarmos que as petroleiras e o complexo industrial coordenem voluntariamente a própria obsolescência em favor do bem comum, estaremos apenas assistindo, de camarote, ao aprofundamento de uma crise que é, antes de tudo, uma crise de um modo de produção que já deu o que tinha que dar. A transição energética não é uma questão de gestão contábil, Marta, é uma luta de classes pelo direito à existência.

    Alice T.

    29/04/2026

    Marta, que papo furado de livre mercado é esse se a Alemanha torra 65 bilhões de euros anuais em subsídios fósseis, segundo a Agência Federal do Meio Ambiente? O custo real que você ignora é o do colapso climático, que já drena trilhões da economia global, mas é óbvio que você prefere defender o bônus do CEO do que admitir que o mercado só se move com dinheiro público e pressão popular.


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