Hangout com Miguel do Rosário 17 de abril de 2019

A lição de Bolsonaro

Por Pedro Breier

26 de março de 2019 : 12h59

A mão invisível do mercado deve estar coçando a cabeça.

Os últimos movimentos do governo Bolsonaro provocaram um impasse no tabuleiro político e a reforma da Previdência anda mais desacreditada que a seleção do Tite.

O presidente saiu do script tradicional dos chefes do executivo e, ao invés de mergulhar na costura de apoios à proposta, mandou um “fiz minha parte” e seguiu firme no seu discurso de campanha de que não entraria na lógica do “toma lá dá cá”.

É evidente que, por baixo dos panos, o “toma lá dá cá” continua rolando solto e deve inclusive aumentar de intensidade. Mas esta é, na verdade, uma discussão totalmente enviesada. Em um modelo de civilização no qual o egoísmo impera sobre a visão coletiva, é virtualmente impossível evitar que pessoas, investidas de cargos públicos ou não, exijam benefícios para si mesmas para tomar esta ou aquela decisão. No caso, a exigência de espaços no governo e liberação de emendas para garantir voto aos projetos do executivo me parece algo inescapável e até natural.

O cerne da discussão não deveria ser este, mas sim o mérito das propostas. O escândalo é atacar a renda dos mais pobres e dos trabalhadores enquanto não se toca nos ganhos dos tubarões da economia. Se essa crueldade é feita por meio de negociações ou por convicção pessoal, dá rigorosamente no mesmo para quem vai sofrer as consequências. Nas questões de fundo, as forças conservadoras têm pleno acordo: o alvo deve ser sempre o 99%, o andar de baixo da população. Tanto é assim que a tendência é o Congresso tocar alguma reforma da Previdência, mesmo que não seja a proposta pelo executivo.

Mas o que quero destacar é a estratégia de Bolsonaro no imbróglio. O presidente está mostrando ser mais esperto do que se supunha, ao menos quanto ao que deve fazer para se manter no poder. Seu filho Carlos, o responsável pela atuação nas redes sociais, postou o seguinte ontem, no Twitter: “As pessoas que querem Bolsonaro longe das redes sociais sabem que é isso que o conecta com o povo, já que não tem mídia a seu favor. Foi isso que garantiu sua eleição, inclusive. Em outras palavras, o querem fraco e sem apoio popular pois assim conseguiriam chantageá-lo”.

Basta lembrarmos o que aconteceu com Dilma Rousseff após a vitória nas eleições de 2014 para chegarmos à conclusão de que Carlos está coberto de razão. O abrupto rompimento da comunicação direta com a população construída durante a campanha, somado à adoção da política econômica do adversário, enfraqueceu a presidenta, acabou com seu apoio popular e resultou na queda do governo por meio de um golpe.

A comunicação, a propósito, foi um desastre permanente nos governos petistas. Mesmo nos áureos tempos de popularidade estratosférica de Lula, o debate costumava ser pautado pela mídia hegemônica. Reconheça-se que a comunicação governamental com vistas à formação de cidadania não é um problema simples de ser abordado. Como disse Pepe Mujica sobre os governos de esquerda da América Latina, “Conseguimos, até certo ponto, ajudar essa gente (pobres) a se tornar bons consumidores. Mas não conseguimos transformá-los em cidadãos”.

Bolsonaro usa a comunicação direta com a população para construir uma narrativa lunática dos acontecimentos, para açular sua matilha contra quem considera inimigo e para angariar apoio às suas propostas antipovo como a reforma da Previdência.

O efeito positivo dessa comunicação é, por motivos óbvios, limitado ao seu séquito de seguidores. Imagine as possibilidades de uma comunicação direta e eficiente feita por um governo que privilegie o 99% da população e que vise à formação de cidadania.

O budismo ensina que nossos inimigos devem ser encarados como mestres. São eles que nos ensinam, por exemplo, a desenvolvermos a qualidade da paciência. Bolsonaro é, de fato, um ótimo exercício diário de paciência. No caso da comunicação, contudo, sua prática pode ser uma valiosa lição para o enfrentamento das narrativas hegemônicas.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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25 comentários

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sesfree

05 de abril de 2019 às 07h50

A esquerda, humilhada e submissa a sua propria incompetencia, com moral desmoralizada por atos criminosos que resultam nas constantes condenacoes e prisoes de seus membros, tenta sobrevida de fenix, sem entender que o brasileiro mudou seu destino e nao mais aceita mentiras, nem roubalheiras. Queremos um Brasil moderno e voltado a iniciativa privada, com oportunidades a todos, sem privilegiar os “campeoes” do tipo JBS, Devem aprender com a nova ERA. Precisamos das reformas para dar a estrutura sustentavel, entendendo que nao se faz omelete sem quebrar os ovos.

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Admar

27 de março de 2019 às 11h32

Então, quer dizer q o BozoNalro continuará surfando na onda do Tuiter e mantendo sua “popularidade”?🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔

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Paulo

26 de março de 2019 às 19h48

O resultado desse embate entre o Capitão e o Congresso vai ditar todo o Governo Bolsonaro.

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    Sergio Araujo

    27 de março de 2019 às 10h40

    Otimo,

    que troquem facadas e se “matem” um com o outro no Congresso, democracia è isso.

    Responder

Justiceiro

26 de março de 2019 às 16h56

Se o presidiário ia a Cuba reverenciar o ditador Fidel, que mandou milhares para o paredon, por que Bolsonaro não pode homenagear nosso heróis militares?

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    Ivan

    26 de março de 2019 às 17h02

    Pode, tomara que faça mesmo, eu vou achar ótimo rsrsrs

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      Alan Cepile

      26 de março de 2019 às 19h45

      Vai bozo, homenageie a ditadura e torturadores, faça isso, estou torcendo por vc, tb vou achar ÓTIMO!

      Responder

    Maria Pereira

    27 de março de 2019 às 06h17

    Ei o Lula está preso .

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    Carlos Oliveira

    27 de março de 2019 às 12h22

    Ok. Pq o Fidel é ditador e os ditadores daqui são “heróis”? Segundo seu raciocínio: ditadores militares impediram uma ditadura militar. Pitoresco!

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Batista

26 de março de 2019 às 14h13

“No caso da comunicação, contudo, sua prática pode ser uma valiosa lição para o enfrentamento das narrativas hegemônicas.”

Acorda!
E reflita sobre o oceano de barbaridades, legais e ilegais, que os bolsonarus estão a produzir ou sendo revelados, em contraste ao monopólio da mídia que os poupa completamente, com exceção de uma ou outra pressãozinha, aqui outra acolá, visando concentra-lo nas reformas e entregas, exigidas pela classe dominante.

Com esse baú de ossos escancarado sobre os bolsonaurus, a hora em que desejarem, e já estão a desejar, fazem o mito virar pó em menos de um mês de Jornal Nacional, sem falar nos vazamentos e outras pirotecnias da lavajateira, com os queirozes, laranjas & milícias, no entorno da família.

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    Nostradamus ( bacia, banquinho & psiquiatras )

    26 de março de 2019 às 14h50

    A começar com aquele dedo no cu no nariz dos brasileiros! Mantenho minha previsão… para depois da Páscoa. Cairá o desqualificado e doente.

    Responder

      Roque

      26 de março de 2019 às 16h15

      Mãe Diná, me passa os números da próxima Mega-Sena. Kkkkkkkkkkk

      Responder

      Justiceiro

      26 de março de 2019 às 16h53

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKkkk

      Recolha-se à sua insignificância. Se vocês não conseguiram derrubar Temer, que não tinha apoio nenhum, vão derrubar o capitão?

      Responder

        Todofeio

        26 de março de 2019 às 17h52

        Bolsonaro comparado ao Temer é a mosca da bosta do cavalo do bandido.

        Responder

      Brasileiro da Silva

      26 de março de 2019 às 20h56

      Nostrinha, não era depois do carnaval? Que aconteceu? A fumaça do crack mudou a sua previsão?

      Responder

        Nostra

        27 de março de 2019 às 07h46

        Nunca falei isso. Cara de pau. Confere.

        Responder

Roque

26 de março de 2019 às 14h06

Temer livre!!!!

Responder

    Bozonaro

    26 de março de 2019 às 14h14

    No que tange a isso aí, o Ustra tá morto babaca, talkey?!

    Responder

      Roque

      26 de março de 2019 às 14h17

      Militonto, já te falei, sai do meu colo, não curto viados. Lembrando que “O Lula tá preso babaca, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

      Responder

        Bozonaro

        26 de março de 2019 às 15h36

        Vc só é uma fraquejada talkei, eu já disse e vou repetir de novo, no que tanje a isso aí vamos metralhar essa raça toda!

        Responder

      Geraldo

      26 de março de 2019 às 14h25

      É Roque não vai ter jeito, vc vai ter que empurrar a mandioca nesta menina. Ela tá toda ouriçada para liberar o rusguento para vc. Mas concordo com vc, “Temer Livre”!!!!

      Responder

        Bozonaro

        26 de março de 2019 às 15h45

        A moça muda de nome mas continua sendo a mesma coisa talkey, uma FRAQUEJADA!

        Responder

          Geraldo

          26 de março de 2019 às 16h20

          Diferente do Roque eu como viados, mas vou te avisando sou covarde e maldoso. E tem que me pagar, senão a porrada vai cantar.

          Responder

            Bozonaro

            26 de março de 2019 às 16h48

            No que tange a essa coisa de cantar isso é coisa de moça, talkey, só não te estupro pq vc é feia!

            Responder

Zé Maconha

26 de março de 2019 às 13h38

Discordo de você.
Bolsonaro está vendo seu capital político ruir em menos de três meses.
O PT venceu quatro eleições seguidas , governou com alta aprovação por mais de uma década.
Esse discurso dele só serve para os radicais doentes que o apóiam mas esses são minoria do eleitorado dele.
E você julga Bolsonaro como se a justiça e a mídia o tratassem igual ao PT.
Se Flávio e o 04 lá que namora filha de miliciano assassino fossem filhos do Lula já estariam presos e o pai sofreria impeachment.
Cada dia que Bolsonaro governa não é mérito dele e sim um sinal de como o Brasil é doente.
Você deveria estar indgnado por ele vir com esse discurso de comemorar o golpe de 64 , não elogiar a esperteza dele.
Não vejo outro destino pra Bolsonaro se não o impeachment , a cadeia e o lixo da história.

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