A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 10 de junho, desenha um cenário eleitoral mais favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de recuo para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O levantamento mostra Lula abrindo uma vantagem significativa sobre Flávio tanto no primeiro quanto no segundo turno das Eleições 2026, indicando um desgaste do bolsonarismo frente a recentes controvérsias.
No primeiro turno, o presidente Lula alcança 39% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, a diferença se acentua: Lula atinge 44% contra 38% do senador do PL. Este resultado representa uma virada importante em relação à sondagem de maio, quando ambos estavam em empate técnico, com Lula registrando 42% e Flávio 41%.
Felipe Nunes, CEO da Quaest, atribui a piora no desempenho do senador a uma série de fatores interligados, destacando a repercussão negativa do encontro de Flávio com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o aprofundamento das revelações sobre sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A agenda internacional e os escândalos internos convergem para fragilizar a imagem do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A reunião de Flávio Bolsonaro com Donald Trump, ocorrida entre 25 e 27 de maio, não gerou o impacto positivo esperado pelo campo bolsonarista. Embora 60% dos brasileiros defendam que o governo do Brasil deva classificar organizações criminosas como terroristas, a sociedade se divide sobre a atuação dos Estados Unidos nesse tema. Uma parcela de 45% dos entrevistados acredita que os EUA devem fazer essa classificação, enquanto outros 45% discordam.
Ainda mais revelador é que 47% dos brasileiros acreditam que Flávio Bolsonaro influenciou o governo Trump a classificar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas. Contudo, 60% dos entrevistados consideram que essa classificação é uma atribuição do próprio governo brasileiro, não dos EUA. Esse dado sublinha uma desaprovação da intromissão externa em questões de soberania nacional, uma linha que o Cafezinho historicamente defende.
As possíveis tarifas adicionais anunciadas pelo governo Trump contra o Brasil também geram preocupação. Segundo a pesquisa, 53% dos entrevistados acreditam que essas punições financeiras dos EUA prejudicarão bancos e empresas brasileiras. As narrativas sobre as tarifas dividem-se: 46% concordam com Lula, que vê a medida como retaliação ao Pix, enquanto 36% alinhados a Flávio Bolsonaro, atribuem as tarifas às declarações críticas do presidente brasileiro aos EUA. A percepção de um ataque à economia brasileira pela agenda imperialista dos EUA é clara.
A crise do Banco Master e o envolvimento de Daniel Vorcaro representam um flanco ainda mais sensível para Flávio Bolsonaro. A percepção de que o escândalo de corrupção afeta a família Bolsonaro saltou de 9% para 16%. A maioria da população, 65%, avalia que Flávio errou ao pedir financiamento para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, ao banqueiro envolvido em controvérsias.
Essa ligação se torna ainda mais comprometedora, com 58% dos brasileiros sugerindo que o erro de Flávio em buscar esse financiamento indica um possível envolvimento ilegal no caso do Banco Master. Este dado é devastador para a imagem do senador e da família Bolsonaro, que tentam se dissociar dos escândalos de corrupção que os rondam.
Em sua análise para o Metrópoles, o CEO da Quaest, Felipe Nunes, ressalta que esses fatores se complementam, formando uma onda negativa que atinge diretamente as pretensões eleitorais de Flávio Bolsonaro. O apoio ao presidente Lula e ao campo democrático-popular emerge fortalecido, enquanto as contradições e escândalos do bolsonarismo continuam a minar sua base e credibilidade. A insistência em agendas externas duvidosas e o envolvimento com figuras controversas têm um custo político que o eleitorado brasileiro parece não estar disposto a perdoar.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!