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O voto das mulheres, um muro contra a candidatura Bolsonaro

Por Redação

13 de junho de 2018 : 18h17

Publicado no El País

Se as eleições presidenciais ocorressem agora, quatro em cada dez mulheres do país não teriam um candidato, segundo a pesquisa Datafolha divulgada no último domingo. O resultado repete o visto pelo levantamento telefônico do DataPoder360, a divisão de pesquisas do site Poder360, em cenários que não consideraram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preferido entre elas. Enquanto até 42% das entrevistadas pela pesquisa afirmam que votariam branco, nulo ou se declaram indecisas, a taxa atual destes não votos entre os homens é de 25%. As mulheres, principal força eleitoral do país, estão mais indecisas ou desprezam mais os atuais nomes disponíveis neste momento da disputa do que os homens. E quais seriam os motivos que levam a essa diferença entre elas e eles?

A tendência de indecisão entre as eleitoras meses antes da votação não é novidade e se repete em todos os pleitos. E isso não significa que se manterá tão alta até o momento em que elas chegarem às urnas, apontam estudos sobre o comportamento eleitoral das mulheres. As eleitoras demoram mais para escolher candidatos e costumam decidir de olho nas propostas, especialmente as que abordam serviços públicos, algo que se torna evidente apenas após o início da campanha na TV.

No atual estado da corrida eleitoral, elas são decisivas para desenhar o panorama: de um lado, puxam para cima – em nível recorde – o número de eleitores que não escolhem ninguém se Lula não estiver no páreo; do outro, erguem um muro que, até agora, impede que o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro avance na dianteira sem ele.

Condenado em segunda instância, Lula pode ter sua candidatura impugnada pelas regras da Lei da Ficha Limpa, mas quando seu nome é testado nas pesquisas a maior proporção de suas intenções de voto está entre as mulheres —31% delas afirmam querer votar nele; entre os homens, a taxa é de 29%. Por isso, na ausência de Lula a taxa de não voto aumenta. “Lula tem uma variável fundamental que é o Bolsa Família”, afirma Maurício Moura, presidente do Idea Big Data, que coordenou diversas campanhas no Brasil e no exterior. Um estudo das Nações Unidas do ano passado apontou que o programa de transferência de renda favorece a autonomia das mulheres beneficiárias, que se sentem menos dependentes dos parceiros ao adquirir uma fonte regular de renda —o pagamento é feito preferencialmente a elas. Também exige a frequência das crianças à escola e a vacinação. A luta está em quem vai convencer esta eleitora de merece o voto que seria de Lula. Marina Silva é quem mais cresce dentre as mulheres que declaram votos na ausência de Lula (até 17% sem Lula ante 11% com ele).

Sem o petista, Marina se aproxima de Bolsonaro, que desponta em primeiro nas pesquisas na ausência do ex-presidente. Entre as mulheres, o deputado está em clara desvantagem. Tem entre as eleitoras uma preferência muito mais baixa que entre os eleitores. Se até 27% dos homens afirmam que pretendem votar nele, entre as mulheres este número cai para até 12%, segundo o Datafolha. Bolsonaro precisa conquistar os votos delas pra poder crescer, algo complicado para um candidato que fez declarações machistas polêmicas, especialmente em um momento de fortalecimento dos movimentos feministas. Em abril do ano passado, ele afirmou que “fraquejou” ao ter o quinto filho e, por isso, ela nasceu mulher, o que causou revolta nas redes sociais. Ele também causou indignação ao chamar a deputada Maria do Rosário de “vagabunda” e afirmar: “jamais iria estuprar você porque você não merece”.

Esperar para ver
Seja como for, parece faltar ainda algumas semanas até que o quadro mude de maneira significativa. “As mulheres esperam chegar a informação que lhes interessa. Geralmente, elas são mais cuidadosas na escolha”, diz a socióloga Fátima Pacheco Jordão, que em 2010 realizou um estudo sobre o poder do voto feminino para o Instituto Patrícia Galvão, ONG da qual é conselheira. Em sua pesquisa, ela apontou que entre as eleitoras o voto costuma ser mais consciente e consistente e as mulheres ficam na expectativa de propostas que afetem diretamente a vida da população, como as relacionadas à saúde, educação, desemprego e segurança. E, enquanto elas são mais sensíveis a políticas públicas, eles demonstram mais interesse por assuntos ligados ao jogo de poder, como as escolhas partidárias, por exemplo. Por isso, os homens geralmente têm mais certeza de seus votos nesta etapa da corrida eleitoral, quando as decisões políticas estão sendo tomadas.

Lúcia Avelar, pesquisadora associada do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop) da Unicamp, pondera que os dados globais das pesquisas de opinião não mostram as diferenças que existem entre as mulheres dentro dos diversos estratos, como renda, escolaridade e região do país, por exemplo. Mas ela concorda que, em geral, as mulheres costumam decidir mais tarde. “Elas são muito mais conhecedoras dos serviços públicos e sociais”, explica. Para ela, entretanto, a elite política não dá tanta importância a essa parcela de votantes, que representa 52,5% do eleitorado brasileiro, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Eles acham, erroneamente, que a mulher acompanha o voto do companheiro. Há um conservadorismo pesado que cega um pouco os políticos. Eles começam a acordar agora para a importância de dar uma atenção especial para elas”, ressalta.

“É impossível se passar por uma campanha sem que exista um cluster que seja feminino. Alguma tática de comunicação para esse grupo é necessária”, diz Moura, do Idea Big Data. Ele reconhece, entretanto, que a atenção dada às campanhas para o voto das mulheres ainda é desproporcional ao tamanho delas no eleitorado. “A questão é que existem muito mais candidatos homens do que mulheres e, por isso, as campanhas já partem de uma lógica inicial masculina. Essa força ainda é subestimada em relação ao tamanho do eleitorado porque a lógica da política ainda é masculina”, ressalta. Para ele, o problema se corrige com o aumento de candidatas mulheres no processo.

“Eu não escolhi meu candidato e acho que não vou votar em ninguém. Prefiro assistir aos debates, que ajudam quando a gente não conhece muito os nomes”, conta a analista de sistemas Fabiana Guimarães Zinhani, 30. O mesmo afirma a manicure Maria Mônica da Conceição, 62. “Na verdade, nem sei quem disputa, além do [ex-governador] Geraldo Alckmin”. Para ambas, o atual cenário de candidatos, que se mostra mais pulverizado e com nomes menos conhecidos, faz com que a escolha seja ainda mais difícil do que nos anos anteriores. E o voto delas ainda mais importante, explica Pacheco Jordão. “Neste contexto, o peso de cada voto é maior e [diante das muitas opções] elas provavelmente vão demorar ainda mais para escolher”, diz. “Em decisões apertadas como as que temos tido, quem acaba decidindo a eleição é a mulher”, explica a socióloga.

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9 comentários

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Joel do Nascimento Côrtes

15 de junho de 2018 às 14h22

È Lula, ou quem ele indicar

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Rosa

14 de junho de 2018 às 22h32

E pensar que há mulheres que apóiam e votarão nesse Sr.
Já perguntei a uma delas: o que ele diria a você se te conhecesse?
não vou te estuprar porque você é feia, diria o Nobre Deputado Bolsonaro.
Caros leitores, cá pra nos, cérebro pequeno atrai cérebro pequeno.

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    Thiago Araujo

    16 de junho de 2018 às 19h44

    Não vê o Lula?
    Quanta gente atraiu?
    Pois é…
    Você está cobertíssima de razão!
    Cérebro pequeno atrai cérebro pequeno…

    Responder

Getulio Evangelista Neto

14 de junho de 2018 às 10h16

Bolsonaro já está até onde nem deveria estar. Pelo nível extremista dos seus seguidores na internet, percebe-se que são a maioria jovens que não estão sabendo se situar dentro da escala social, e estão sempre dando tiro no pé…Já furaram o teto!

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Maria Clara

14 de junho de 2018 às 08h50

Esse bolsonaro abusa de dizer idiotices e ofender os outros gratuitamente. Que minoria vai votar nesse jegue ? A maioria dos votos dele está entre homens brancos heteros. Ou seja, não tem mais para onde crescer. O cara é racista, machista, homofóbico, preconceituoso.

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    Joel do Nascimento Côrtes

    15 de junho de 2018 às 14h42

    Há, se o povo estivesse acompanhando pelos blogs alternativos tudo que esta acontecendo nessa política.
    Deixariam os políticos golpistas, racistas, machistas tudo de fora.
    Era a hora de dá o troco!

    Responder

    Thiago Araujo

    16 de junho de 2018 às 19h57

    Ainda que tal candidato tenha um curriculum recheado desses adjetivos que você usa, como contestar a legitimidade de sua candidatura?
    Ele usufrui também de uma condição: não ser acusado de corrupção, ter patrimônio compatível com sua renda, não estar condenado e nem preso….
    Ainda que seus eleitores estivessem dentro daquele patamar de sua análise, qual o mal nisso?
    Pelo seu nome, você é mulher…
    Você não gosta de homens? É isso?
    Seja feliz como escolheu…
    Sua escolha é SUA…
    Se todos defendessem as bandeiras que você acredita, teríamos uma UNANIMIDADE, e
    aí, não precisaríamos de ELEIÇÃO e sim, da indicação de um nome…
    BELA DEMOCRACIA…
    Se você quer que OS OUTROS aceitem as DIFERENÇAS, não seria adequado você começar por VOCÊ MESMA a praticar a tolerância, a resiliência?

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      Thiago Araujo

      16 de junho de 2018 às 20h00

      Contraponto ao comentário da Sra. Maria Clara. Foi postado inadequadamente logo abaixo de um outro senhor, por equívoco do blog.

      Responder

Olavo

14 de junho de 2018 às 07h40

FINALMENTE A TÃO ESPERADA INTERVENÇÃO MILITAR

Exército faz licitação para 2 toneladas de camarão, caviar, uísque, cachaça, espumante…

Será que é por causa da COPA NA RÚSSIA?

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/intervencao-militar-exercito-faz-licitacao-para-comprar-2-toneladas-de-camarao-caviar-uisque-e-cachaca/

Não é só os deputados em Brasília que gostam do que é bom.

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