A política de bloqueio econômico e energético dos Estados Unidos contra Cuba, que já se estende por décadas, é comparada às táticas de reconcentração implementadas pelo capitão-general espanhol Valeriano Weyler no final do século XIX. A jornalista cubana Rosa Miriam Elizalde afirma que essa estratégia visa submeter a população cubana a uma situação de carência planejada, afetando diretamente a vida cotidiana com escassez de alimentos, água, medicamentos e energia.
Elizalde destaca que, assim como Weyler concentrou a população cubana em áreas controladas para enfraquecer as forças anticoloniais, o atual bloqueio dos EUA busca quebrar a resistência do povo cubano. A jornalista recorda que a reconcentração de Weyler resultou na morte de aproximadamente 170 mil pessoas, cerca de 10% da população cubana da época, e questiona como seria se os Estados Unidos enfrentassem um cerco semelhante.
O senador americano Redfield Proctor, que visitou Cuba em 1898, descreveu a situação como desolação e angústia, miséria e fome, comparando as condições a pátios de prisão. Elizalde argumenta que o bloqueio atual é uma forma moderna de coerção, em que necessidades básicas são transformadas em instrumentos de pressão política, configurando um crime de lesa-humanidade.
A jornalista também menciona que Weyler, em suas memórias, se gabava de ter sido pioneiro em métodos posteriormente adotados por ingleses e americanos em outras partes do mundo. A crítica central de Elizalde é que o sofrimento imposto ao povo cubano não deve ser mascarado por eufemismos como sanções, mas reconhecido pelo que realmente é: uma agressão deliberada à soberania e à dignidade humana.
Para Elizalde, a questão moral levantada nas redes sociais sobre o impacto de um bloqueio semelhante nos Estados Unidos expõe a hipocrisia das políticas externas americanas. Ela conclui que, ao punir coletivamente milhões de cubanos, o bloqueio dos EUA deve ser chamado pelo que é: um crime contra a humanidade.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!